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Brasil
Mas cautela com consumo persiste
Publicado em 10/02/2025 2:22 - Semana On
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O número de famílias endividadas no Brasil apresentou uma queda em janeiro deste ano, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento revelou que 76,1% das famílias estavam endividadas no primeiro mês de 2025, uma redução de 0,6 ponto percentual em comparação a dezembro e de 2 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024.
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A melhora nos índices reflete, em parte, a adoção de medidas mais cautelosas por parte dos consumidores. A professora Danieli Silveira, por exemplo, conseguiu reverter sua situação de endividamento ao reduzir despesas, evitar compras parceladas e priorizar pagamentos à vista. “É assim que estou me policiando e me conscientizando que o consumo saudável é a melhor saída”, afirmou. Hoje, com as finanças sob controle, Danieli é categórica: “Não quero passar por isso novamente.”
A trajetória de endividamento da professora começou após o desemprego, quando ela recorreu ao cheque especial para cobrir despesas básicas. “O primeiro vilão foi o cheque especial. Sem renda, ele passou a estruturar o pagamento das contas. Quando voltei a trabalhar, o rombo era grande demais para cobrir. Então, vieram os cartões de crédito para sustentar as necessidades básicas, criando um ciclo em que um cartão era usado para pagar o outro”, relatou Danieli à Agência Brasil.
Cartão de crédito: o principal motor das dívidas
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida entre os brasileiros, presente em 83,9% dos casos de endividamento, embora o índice tenha recuado 3% em comparação ao início de janeiro. O técnico em logística Cesar (nome fictício) vive essa realidade. Após o afastamento de sua esposa, que está em tratamento contra o câncer desde o final de 2023, a família viu suas finanças desmoronarem. Ela, que trabalhava como enfermeira no turno da noite e recebia adicional noturno, precisou deixar o emprego, o que comprometeu o orçamento familiar.
Com um financiamento imobiliário e empréstimos pré-existentes, Cesar recorreu ao cartão de crédito para cobrir despesas adicionais, mas a dívida rapidamente se tornou insustentável. Em busca de soluções, ele procurou o Procon de São Paulo para negociar os juros e espera condições de pagamento mais favoráveis nas próximas semanas. “Vou ser sincero: estou mais preocupado com a saúde mental da minha esposa e da família”, desabafou, na expectativa de reorganizar as finanças em breve.
Menos inadimplência, mas vulnerabilidade persiste
A Peic também revelou um leve recuo na inadimplência: em janeiro, 29,1% das famílias tinham dívidas em atraso, contra 29,3% em dezembro e 28,3% no mesmo mês de 2024. Entre essas famílias, 12,7% declararam não ter condições de quitar suas dívidas — uma melhora em relação aos 13% registrados no mês anterior.
O estudo destaca, no entanto, que as famílias de menor renda, com ganhos de até três salários mínimos, continuam especialmente vulneráveis. Esse grupo foi o único a apresentar aumento no endividamento, passando de 79,2% em janeiro de 2024 para 80% neste ano. Entre elas, 18,4% não conseguirão pagar suas dívidas.
Além disso, um quinto de todas as famílias endividadas tem mais da metade de sua renda comprometida. A pesquisa apontou que, em média, as dívidas consomem 30% do orçamento familiar, o que tem levado a uma postura mais conservadora no consumo.
Perspectivas futuras: novo aumento no endividamento?
Apesar da melhora nos índices recentes, a CNC prevê que o endividamento das famílias brasileiras deve voltar a crescer ao longo de 2025. Segundo a entidade, os percentuais devem começar a subir a partir de março, encerrando o ano com 77,5% das famílias endividadas e 29,8% inadimplentes.
A análise sugere que o cenário financeiro das famílias brasileiras ainda é frágil e suscetível a variações econômicas e imprevistos, como o desemprego e problemas de saúde. Por isso, especialistas recomendam prudência e planejamento financeiro como medidas fundamentais para evitar o efeito “bola de neve” que pode transformar dívidas pontuais em crises de longo prazo.
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