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Brasil
Rendimento médio real habitual dos trabalhadores é de R$ 3.484
Publicado em 17/09/2025 10:05 - Semana On
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O desemprego no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho de 2025, a menor taxa já registrada desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012, segundo dados divulgados ontem (16) pelo IBGE.
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O percentual representa uma melhora em relação ao trimestre anterior (5,8%) e uma queda significativa frente aos 6,8% observados no mesmo período de 2024. Com isso, o país registra um dos melhores quadros no mercado de trabalho dos últimos 13 anos, sustentado por aumento na ocupação, queda na subutilização da mão de obra e avanço no rendimento médio real habitual dos trabalhadores, que atingiu R$ 3.484 — também o maior valor da série.
O número de brasileiros ocupados chegou a 102,4 milhões, estabelecendo um novo recorde, enquanto a população desocupada recuou para 6,12 milhões — menor contingente desde dezembro de 2013. Em paralelo, a taxa de informalidade, que historicamente ronda os 40%, caiu para 37,8%, com destaque para o crescimento formal: o total de trabalhadores com carteira assinada alcançou 39,1 milhões, maior patamar desde 2012. “Esses números sustentam o bom momento do mercado de trabalho, com crescimento da ocupação e redução da subutilização da mão de obra, ou seja, um mercado mais ativo”, avaliou William Kratochwill, analista do IBGE.
Otimismo cauteloso
Embora o avanço seja inegável, a composição dos dados revela aspectos que demandam atenção. A informalidade segue elevada em termos absolutos: 38,8 milhões de profissionais atuam sem vínculo formal. E mesmo com recuo estatisticamente insignificante, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado permanece estável em 13,5 milhões. O contingente de trabalhadores por conta própria, por sua vez, bateu recorde com 25,9 milhões de pessoas — um crescimento de 4,2% em um ano.
No recorte de subutilização, o número de brasileiros com potencial produtivo desperdiçado também recuou. A população subutilizada caiu para 16,1 milhões, representando uma queda de 12,4% em relação a 2024. A redução no número de desalentados — aqueles que desistiram de procurar emprego — foi expressiva: 11% no trimestre, e 15% no ano. Ainda assim, 2,7 milhões permanecem nessa condição.
Dinamismo do mercado eleva confiança entre trabalhadores
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), revelou que 53,8% dos trabalhadores não veem risco de perder o emprego nos próximos seis meses. O coordenador da sondagem, Rodolpho Tobler, atribui esse sentimento ao dinamismo do mercado: “Com a taxa de desocupação em níveis mínimos em termos históricos, é natural que os trabalhadores se sintam mais seguros na sua ocupação ou em uma realocação caso seja necessário”.
Ainda segundo Tobler, no entanto, o otimismo pode ser passageiro. A expectativa de desaceleração econômica, impulsionada pelos juros elevados, tende a impactar negativamente o mercado de trabalho. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano — o maior nível desde 2006 — com o objetivo de conter a inflação, que acumula 5,13% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta estipulado pelo governo (4,5%).
Freio invisível na engrenagem do emprego
A política monetária contracionista do Banco Central, ao encarecer o crédito e desestimular investimentos produtivos, pode reduzir o ritmo de geração de empregos. Como destacou Tobler, “é esperado que essa variável [segurança no emprego] não continue nesse patamar baixo por muito tempo”. Em outras palavras: a euforia no mercado de trabalho convive com um freio macroeconômico instalado para combater a inflação — um equilíbrio tênue entre crescimento e estabilidade.
Essa tensão entre dinamismo e contenção é também perceptível nos dados por faixa de renda. A percepção de segurança no emprego cresce com o salário: entre os que ganham até um salário mínimo, apenas 32,6% acham improvável perder o emprego. Já entre os que recebem mais de três salários mínimos, o índice salta para 62,4%. A desigualdade estrutural no mercado de trabalho brasileiro permanece como pano de fundo, mesmo em cenários de melhora conjuntural.
Satisfação cresce, mas sensação de desproteção persiste
Outro dado relevante da sondagem da FGV mostra que 59,7% dos entrevistados se consideram satisfeitos com seu trabalho — e 15,3% dizem estar muito satisfeitos. Contudo, 71,2% se sentem pouco ou parcialmente protegidos em relação à segurança social, o que evidencia a fragilidade das redes formais de amparo, especialmente entre os trabalhadores informais ou autônomos.
O mercado de trabalho brasileiro vive, portanto, uma fase de vigor estatístico e percepção positiva, mas ainda carrega marcas históricas de desigualdade, insegurança e informalidade. O desafio para os próximos meses será manter os avanços conquistados sem comprometer o dinamismo econômico, em meio ao esforço de controle inflacionário e à cautela fiscal.
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