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Brasil
Levantamento com dados oficiais apontam desigualdades regionais e de gênero
Publicado em 29/01/2026 9:40 - Semana On
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O Brasil contabilizou 23.919 registros de desaparecimento de crianças e adolescentes ao longo de 2025, segundo levantamento exclusivo do g1 baseado em dados enviados pelos governos estaduais ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça. O volume equivale a uma média de 66 ocorrências por dia envolvendo pessoas com menos de 18 anos e representa um crescimento de 8% em relação a 2024, quando a média diária foi de 60 casos.
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A legislação que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei nº 13.812/2019) define como desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente das circunstâncias do sumiço. A amplitude da definição ajuda a compreender a diversidade de situações que compõem as estatísticas, mas também impõe limites à análise das causas do fenômeno.
Em 2025, a maioria dos registros envolvendo crianças e adolescentes dizia respeito a meninas: 61% dos desaparecidos (14.658 casos) eram do sexo feminino. Os meninos somaram 9.159 ocorrências, o equivalente a 38% do total, enquanto em 102 casos o sexo não foi informado. O padrão se repete quando se observa apenas essa faixa etária, mas se inverte no conjunto geral dos desaparecimentos no país: considerando todas as idades, 59% dos registros são de pessoas do sexo masculino.
Casos recentes ajudam a dimensionar o impacto social do problema. No Maranhão, o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, mobilizou moradores do povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. As crianças sumiram em 4 de janeiro, e as buscas entraram na quarta semana no dia 26, com a atuação de uma força-tarefa integrada.
Entre os recursos acionados está o protocolo Amber Alert, utilizado em situações consideradas de alto risco. De acordo com Iara Buono Sennes, coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, o mecanismo vem se consolidando como ferramenta relevante para a localização de crianças e adolescentes. Implementado no Brasil em 2023, o sistema foi desenvolvido a partir de um acordo do Ministério da Justiça com a Meta e permite a difusão rápida de alertas em plataformas como Facebook e Instagram.
O alerta é disparado em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento e inclui informações e imagens da vítima, com o objetivo de ampliar o alcance das buscas nas primeiras horas, consideradas decisivas em casos desse tipo.
A distribuição dos desaparecimentos revela fortes assimetrias regionais. Em termos proporcionais, Roraima liderou o ranking em 2025, com taxa de 40 crianças e adolescentes desaparecidos a cada 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul (28 por 100 mil) e Amapá (24). Os dados integram o painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, abastecido pelas secretarias estaduais de segurança pública e pelo Distrito Federal.
Segundo Sennes, a predominância de meninas entre os desaparecidos mais jovens é um indicador relevante, mas ainda insuficiente para conclusões mais profundas. A dificuldade em apurar as causas e qualificar o fenômeno, afirma, impede inferências seguras sobre motivações e fatores determinantes. Para ela, a política pública voltada ao tema ainda é recente e demanda maior articulação com os estados para compreender as diferenças regionais e de gênero.
O cenário geral também preocupa. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no país, considerando todas as faixas etárias — o maior número desde o início da série histórica do painel, em 2015. O total supera, inclusive, os índices registrados antes da pandemia de Covid-19, após um período de retração nos anos mais críticos da crise sanitária.
A taxa nacional de desaparecimentos no ano passado foi de 39 casos por 100 mil habitantes. São Paulo concentrou quase um quarto de todos os registros: 20.564 ocorrências, o equivalente a 24% do total nacional. Já em termos proporcionais, Roraima voltou a aparecer no topo, com cerca de 80 desaparecimentos por 100 mil habitantes, evidenciando que o fenômeno combina escala nacional com dinâmicas locais bastante distintas.
Veja o ranking por estado:
São Paulo: 20.546 casos (taxa por 100 mil habitantes: 44,59 desaparecidos)
Minas Gerais: 9.139 casos (taxa: 42,72 desaparecidos)
Rio Grande do Sul: 7.611 casos (taxa: 67,75 desaparecidos)
Paraná: 6.455 casos (taxa: 54,29 desaparecidos)
Rio de Janeiro: 6.331 casos (taxa: 36,76 desaparecidos)
Santa Catarina: 4.317 casos (taxa: 52,73 desaparecidos)
Bahia: 3,929 casos (taxa: 26,42 desaparecidos)
Goiás: 3.631 casos (taxa: 48,91 desaparecidos)
Pernambuco: 2.745 casos (taxa: 28,71 desaparecidos)
Ceará: 2.578 casos (taxa: 27,81 desaparecidos)
Espírito Santo: 2.421 casos (taxa: 58,66 desaparecidos)
Distrito Federal: 2.235 casos (taxa: 74,58 desaparecidos)
Mato Grosso: 2.112 casos (taxa: 54,24 desaparecidos)
Pará: 1.238 casos (taxa: 14,21 desaparecidos)
Maranhão: 1.182 casos (taxa: 16,84 desaparecidos)
Rondônia: 1.018 casos (taxa: 58,11 desaparecidos)
Amazonas: 982 casos (taxa: 22,72 desaparecidos)
Paraíba: 929 casos (taxa: 22,31 desaparecidos)
Rio Grande do Norte: 775 casos (taxa: 22,43 desaparecidos)
Piauí: 744 casos (taxa: 21,98 desaparecidos)
Alagoas: 729 casos (taxa: 22,63 desaparecidos)
Sergipe: 728 casos (taxa: 31,66 desaparecidos)
Tocantins: 609 casos (taxa: 38,38 desaparecidos)
Roraima: 577 casos (taxa: 78,1 desaparecidos)
Acre: 413 casos (taxa: 46,7 desaparecidos)
Amapá: 408 casos (taxa: 50,59 desaparecidos)
Mato Grosso do Sul: 378 casos (taxa: 12,92 desaparecidos)
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