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Viver Bem
Estudo da USP analisou dados de 13 mil pessoas em seis capitais brasileiras
Publicado em 24/02/2025 1:04 - Semana On
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Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode elevar em 58% o risco de depressão persistente. O estudo analisou dados de 13 mil pessoas em seis capitais brasileiras e é um dos primeiros a investigar essa relação no contexto nacional.
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Os pesquisadores observaram que indivíduos com maior consumo de alimentos industrializados apresentaram maior probabilidade de serem diagnosticados com depressão ao menos duas vezes ao longo dos oito anos do estudo, em comparação com aqueles que mantinham uma dieta mais equilibrada.
Relação entre ultraprocessados e saúde mental
Embora a pesquisa não comprove uma relação de causa e efeito, os resultados indicam uma associação significativa entre a ingestão de ultraprocessados e a persistência da depressão. “Não podemos afirmar que esses alimentos são a causa direta da doença, mas há uma correlação relevante que precisa ser levada em consideração”, destaca Naomi Vidal, pós-doutoranda da USP e principal autora do estudo.
Segundo Vidal, o consumo excessivo desses produtos pode prejudicar a microbiota intestinal, afetando a comunicação entre o intestino e o cérebro. Esse processo pode desencadear neuroinflamação e respostas ao estresse, aumentando os níveis de cortisol, hormônio ligado à regulação do humor, o que contribui para o agravamento dos sintomas depressivos.
Os dados analisados foram extraídos do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), publicado no Journal of Academy of Nutrition and Dietetics. Os participantes foram categorizados de acordo com a quantidade de calorias diárias provenientes de alimentos ultraprocessados, que variou entre 0% e 72%.
Um recorte do estudo avaliou apenas os participantes sem diagnóstico de depressão no início da pesquisa. Os resultados apontaram que um aumento no consumo de ultraprocessados elevou em 30% o risco de desenvolver a doença.
Redução do consumo pode beneficiar a saúde mental
Por outro lado, diminuir a ingestão desses produtos pode reduzir o risco de depressão. Simulações feitas pelos pesquisadores indicam que uma redução de 5% no consumo de ultraprocessados já resulta em uma queda de 6% na probabilidade de desenvolver a doença. Com um corte de 20%, o risco é reduzido em 22%.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda que os ultraprocessados sejam evitados completamente, sem estabelecer uma quantidade segura para o consumo.
Outros estudos reforçam a preocupação
A relação entre ultraprocessados e saúde mental já foi identificada em outras pesquisas brasileiras. Em 2023, um estudo da coorte NutriNet Brasil, que acompanhou 16 mil adultos, mostrou que indivíduos cuja dieta inclui cerca de 40% de ultraprocessados têm um risco 42% maior de apresentar sintomas depressivos.
Outro levantamento, realizado em Criciúma (SC) com 428 gestantes no terceiro trimestre de gravidez, apontou que o consumo diário de seis ou mais alimentos ultraprocessados está associado a um aumento de 42% na probabilidade de ansiedade, 56% na prevalência de estresse, 31% nos sintomas depressivos e um risco 3,4 vezes maior de episódios frequentes de tristeza.
Para Claudia Suemoto, professora e pesquisadora da USP que supervisionou o estudo de Naomi Vidal, é fundamental investigar esse fenômeno no Brasil, uma vez que a maioria das pesquisas sobre o tema foi conduzida em países de alta renda, como Estados Unidos e nações europeias.
Ela destaca que os alimentos ultraprocessados são especialmente atrativos para pessoas de menor renda e escolaridade, pois costumam ser mais baratos, duráveis e prontos para o consumo, além de conterem aditivos que intensificam sabor e aroma. “No Brasil, temos um cenário de desigualdade social que pode influenciar tanto o consumo desses produtos quanto a prevalência de sintomas depressivos”, afirma Suemoto.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a promoção de uma alimentação mais saudável e para a redução do consumo de ultraprocessados entre a população.
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