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Saúde

Mães vacinadas contra a Covid-19 protegem bebês por meio do leite materno

Pesquisa evidencia que a amamentação exclusiva potencializa a imunidade dos recém-nascidos contra o coronavírus

Publicado em 17/03/2025 4:04 - Semana On

Divulgação José Cruz - Abr

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Um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) reforçou a importância da amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida. A pesquisa revelou que mães vacinadas contra a Covid-19 transmitem ao bebê níveis significativos de anticorpos neutralizantes por meio do leite materno, conferindo uma proteção adicional contra infecções pelo vírus SARS-CoV-2.

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A descoberta é especialmente relevante no Brasil, onde a vacinação de bebês menores de seis meses ainda não está disponível. Dessa forma, o aleitamento materno se torna uma ferramenta essencial na defesa imunológica dos recém-nascidos.

Os impactos da amamentação exclusiva na imunidade infantil

De acordo com os pesquisadores do IFF/Fiocruz, mães vacinadas que amamentam exclusivamente seus bebês apresentam 22,6% de anticorpos neutralizantes no leite materno, enquanto aquelas que não seguem a prática registram apenas 16,1%. O estudo, liderado pela pediatra Maria Elisabeth Moreira, demonstrou que a amamentação exclusiva — quando o bebê recebe apenas leite materno, sem qualquer outro tipo de alimento ou líquido — potencializa a defesa imunológica contra a Covid-19.

“Os resultados representam um importante avanço no entendimento da imunidade passiva transferida por meio da amamentação e reforçam a recomendação dessa prática de forma exclusiva nos primeiros seis meses de vida”, afirma Moreira.

Além disso, os pesquisadores destacaram que o tipo de vacina aplicada na mãe — seja de RNA mensageiro, vírus inativado ou vetor viral não replicante — não interferiu na quantidade de anticorpos presentes no leite materno. Isso significa que todas as vacinas disponíveis no Brasil são eficazes em estimular essa resposta imunológica protetora.

Amamentação como estratégia de saúde pública

A pesquisa evidencia a importância do incentivo à amamentação exclusiva, que já é uma prioridade do Ministério da Saúde. Atualmente, a meta do governo é aumentar a taxa de aleitamento materno exclusivo para 70% dos bebês de até seis meses até o ano de 2030.

Os benefícios do leite materno vão além da proteção contra a Covid-19. Estudos anteriores já demonstraram que a amamentação fortalece o sistema imunológico dos bebês, reduzindo o risco de doenças respiratórias, infecções gastrointestinais e alergias, além de contribuir para o desenvolvimento neurológico.

Recomendações e desafios

Com a contínua evolução da pandemia, especialistas reforçam a necessidade de conscientizar mães e profissionais de saúde sobre os benefícios da amamentação exclusiva. Apesar das evidências científicas, ainda há desafios no Brasil, como a necessidade de ampliar o acesso a políticas de apoio à lactação, como a licença-maternidade ampliada e a criação de mais espaços de apoio à amamentação em locais de trabalho.

“Os anticorpos neutralizantes presentes no leite humano são uma defesa natural e eficaz contra o vírus, e a amamentação exclusiva potencializa essa proteção. Com a contínua evolução da pandemia, é essencial que as mães sigam as orientações de amamentação para garantir a segurança dos bebês”, destaca Maria Elisabeth Moreira.

Além da pesquisadora, também participaram do estudo os especialistas Yasmin Amaral, Antonio Egídio Nardi, Daniele Marano e Ana Carolina da Costa, todos do IFF/Fiocruz.

Com mais evidências sobre os benefícios do leite materno, os especialistas reforçam a importância de políticas públicas e campanhas informativas para ampliar a adesão das mães à amamentação exclusiva. Em um cenário em que bebês ainda não podem ser vacinados, o leite materno se apresenta como uma poderosa ferramenta de proteção contra a Covid-19 e outras doenças.

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