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Saúde
Câncer de intestino que vitimou Preta Gil é o 3º mais comum no país
Publicado em 29/07/2025 11:47 - Semana On
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Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, deram um passo decisivo rumo ao desenvolvimento de uma vacina universal contra o câncer. Em estudo publicado em 18 de julho na revista Nature Biomedical Engineering, cientistas demonstraram que uma vacina experimental de RNA mensageiro (mRNA) foi capaz de eliminar completamente tumores em camundongos com diferentes tipos de câncer, incluindo no cérebro, na pele e nos ossos.
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A vacina, combinada com inibidores de checkpoint imunológico — medicamentos que impedem que as células tumorais “desliguem” o sistema imunológico — provocou uma resposta antitumoral intensa. O destaque do estudo é que os resultados foram alcançados sem necessidade de identificar e atacar uma proteína específica do tumor. Em vez disso, o sistema imunológico foi induzido a reagir como se estivesse combatendo uma infecção viral, acelerando naturalmente sua resposta contra as células cancerígenas.
Segundo os pesquisadores, a ativação da proteína PD-L1 diretamente nos tumores tornou-os mais suscetíveis ao ataque imunológico. Para o oncologista pediátrico Elias Sayour, principal autor do estudo, a descoberta abre caminho para vacinas que poderiam ser personalizadas de forma mais simples e acessível. “Esta descoberta é uma prova de que essas vacinas potencialmente poderiam ser comercializadas como vacinas universais contra o câncer para sensibilizar o sistema imunológico contra o tumor individual de um paciente”, afirmou ao site EurekAlert.
Nova abordagem além dos modelos tradicionais
Até agora, os esforços para criar vacinas contra o câncer se dividiam em duas frentes principais: encontrar alvos comuns entre vários pacientes ou desenvolver imunizantes personalizados, com base nas características específicas de cada tumor. O estudo da Universidade da Flórida propõe uma terceira via: estimular o sistema imunológico sem depender de alvos tumorais específicos.
A tecnologia usada — baseada em RNA mensageiro — é a mesma utilizada nas vacinas contra a Covid-19, como a da Pfizer. Em 2024, o mesmo grupo de pesquisa liderado por Sayour realizou um teste clínico pioneiro em humanos com uma vacina de mRNA contra glioblastoma, um tipo agressivo de câncer cerebral. Os resultados foram considerados promissores.
A versão mais recente da vacina testada nos camundongos foi projetada como uma fórmula genérica, e os cientistas observaram que ela foi capaz de reativar células de defesa que antes não respondiam à presença do câncer. O estudo contou com financiamento de diversas agências federais dos EUA, incluindo os Institutos Nacionais de Saúde (NIH).
Câncer de intestino exige atenção precoce
Enquanto a ciência avança no desenvolvimento de vacinas inovadoras, dados nacionais reforçam a urgência de medidas preventivas contra o câncer de intestino, terceiro mais frequente no Brasil. A doença, que vitimou recentemente a cantora e empresária Preta Gil, é responsável por cerca de 45 mil novos casos por ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023–2025.
A incidência é maior na Região Sudeste, onde o câncer de cólon e reto já ocupa a segunda posição entre os mais diagnosticados, e é mais comum entre mulheres. O grande desafio, alerta o cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, está no diagnóstico tardio: os sintomas geralmente só aparecem em estágios avançados da doença, reduzindo as chances de cura.
Exames de rastreio são fundamentais
A recomendação geral é iniciar os exames de rastreamento a partir dos 50 anos. No entanto, quem tem histórico familiar deve antecipar essa avaliação, que inclui exames de fezes (para detecção de sangramento oculto) e colonoscopia, que permite a visualização direta do intestino.
“O câncer geralmente se desenvolve a partir de pólipos, que são lesões benignas, mas que podem se transformar em malignas com o tempo. Pacientes com Doença de Crohn, colites ou outros quadros inflamatórios crônicos também estão no grupo de risco”, explica Nacif.
Além de fatores genéticos, hábitos como sedentarismo, obesidade, consumo de álcool e tabaco, além de dieta rica em alimentos ultraprocessados e pobre em fibras, aumentam o risco de desenvolvimento da doença.
Tabus ainda dificultam o diagnóstico precoce
Segundo o especialista, um obstáculo importante ainda é o fator cultural. “Muita gente evita ir ao médico por receio do exame físico, especialmente do toque retal. Mas esse exame é rápido, técnico e pode ser decisivo para detectar alterações precoces. Não é uma questão estética, é uma questão de saúde pública”, alerta.
O médico também ressalta que os sinais clínicos — como diarreia persistente, constipação, sangramento nas fezes, dor abdominal e perda de peso — costumam surgir quando o câncer já está em estágio avançado. Por isso, o rastreamento regular é essencial.
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