18/05/2024 - Edição 540

Poder

Astronauta e príncipe entram na disputa para vice de Bolsonaro

Publicado em 27/07/2018 12:00 -

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Um astronauta e um príncipe entraram na disputa pela vaga de vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), que ainda procura opções no meio militar para o posto.

Líder das pesquisas em cenários sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso e deverá ser declarado inelegível, Bolsonaro queria a advogada Janaína Paschoal como sua vice.

Co-autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff em 2016, ela chegou a sentar ao lado do presidenciável em sua convenção no último dia 22. Mas, ao discursar, irritou Bolsonaro e seus aliados com uma fala pedindo moderação e criticando apoio cego ao deputado.

O desgaste catapultou Marcos Pontes, 55, o primeiro brasileiro a ir ao espaço, para o topo das preferências de Bolsonaro para a vice. Pontes é filiado ao PSL do presidenciável e já havia sido anunciado por ele como seu ministro da Ciência e Tecnologia, em caso de ser eleito.

Bolsonaro se rasga em elogios a Pontes, que é um tenente-coronel reformado da Força Aérea. Em 2006, ele foi enviado à Estação Espacial Internacional em uma nave russa Soiuz, num golpe de propaganda do governo Lula, que pagou US$ 10 milhões pela carona sem fins científicos notáveis.

Para horror de alguns apoiadores do presidenciável, Pontes já foi socialista. No caso, filiado ao PSB, partido pelo qual disputou uma vaga na Câmara em 2014, colhendo 43.707 votos e uma suplência. Em 2013, distribuiu o livreto "O Menino do Espaço", no qual descrevia virtudes de forma apologética.

Outro nome que está sendo considerado pelo deputado é o do príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança, da Casa Imperial Brasileira. Fundador do movimento antipetista Acorda Brasil, em 2014, o príncipe não está na linha de sucessão direta do trono abolido em 1889.

Tem 49 anos e filiou-se ao PSL de Bolsonaro, inicialmente para disputar uma vaga na Câmara por São Paulo. Dois sites ligados a Bolsonaro o apontaram, em enquetes de internet, como um bom vice, o que fez o príncipe dizer em rede social que não havia nenhum convite formal. 

Janaína, apesar da resistência, ainda não está totalmente descartada da disputa. Ela agregaria um verniz feminino à imagem de Bolsonaro, francamente negativa entre as mulheres segundo pesquisas qualitativas. E o deputado ainda trabalha com a possibilidade de trazer um nome do meio militar, preferencialmente um general de quatro estrelas.

Um de seus favoritos, o general da reserva Augusto Heleno, havia topado a empreitada. Bolsonaro até indicou um partido nanico para ele se filiar, o PRP,  mas  literalmente esqueceu de combinar com os caciques da sigla. Resultado: ela não topou aliar-se ao PSL, deixando Bolsonaro e Heleno a pé.

Outro general polêmico por suas declarações, Hamilton Mourão, é citado entre apoiadores de Bolsonaro  como opção. É filiado ao PRTB, que só fará sua convenção no prazo limite de 5 de agosto.

A dificuldade de Bolsonaro havia começado no ninho das candidaturas tradicionais. Gostaria de ver o senador Magno Malta (PR-ES) na sua chapa, e efetivamente o político evangélico o está apoiando, mas não houve acordo com o seu partido. Integrante do Centrão, o PR estava inclinado a Bolsonaro, mas acabou fechando com Geraldo Alckmin (PSDB).

Horário eleitoral do B

Bolsonaro vai apostar numa espécie de “horário eleitoral do B” para tentar driblar o exíguo tempo de que irá dispor de propaganda gratuita neste ano.

O plano de seus estrategistas é o de colocá-lo para falar em redes sociais no mesmo horário dos dois blocos de 25 minutos diários de propaganda gratuita. Ele poderá fazer entradas ao vivo ou gravadas.

A ideia é estabelecer um fórum para buscar rebater o que sua campanha considera inevitável bombardeio de acusações contra o presidenciável.

Líder nas pesquisas que excluem o virtualmente inelegível Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro tem meros oito segundos em cada bloco.

Além disso, serão reforçadas mensagens em pílulas virtuais, já que ele terá também apenas 14 inserções de 30 segundos nos 35 dias da campanha em rádio e na TV –os “spots” são mais eficazes do que o horário fixo porque atingem o espectador na programação normal.

O tucano Geraldo Alckmin, visto pelos aliados de Bolsonaro como seu maior rival por uma vaga no segundo turno, terá ao menos 4min40s a cada bloco, além de mais de 300 inserções até o pleito.

A aposta bolsonarista é quase toda na internet. Ele não terá marqueteiro oficial. “Para quê? Só tenho oito segundos”, é sua resposta padrão.

Ainda assim, seu consultor econômico, Paulo Guedes, atraiu equipe do publicitário Roberto Medina para gravar inserções para redes sociais. A parceria deverá continuar.

Bolsonaro segue sem equipe formal. É assessorado pelos filhos Flávio e Eduardo, e tem nomes que gravitam a seu redor que incluem empresários e especialistas em marketing, além de Guedes. Tem ouvido o presidente interino do PSL, Gustavo Bebianno, seu advogado.

Líderes regionais do partido, como o deputado Major Olímpio (SP), também têm ganhado espaço junto ao deputado.

As dificuldades refletem o isolamento de Bolsonaro, que ele pretende usar como ativo para atrair o voto antipolítico.


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