Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Aprovação de Lula sobe e atinge melhor marca de 2025

Avanço é impulsionado por alívio na inflação e embate com Trump

Publicado em 20/08/2025 10:13 - Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert - Abr

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Após meses de desgaste e índices negativos, a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir e alcançou seu melhor patamar em 2025, segundo a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (20). O levantamento mostra uma retomada modesta, porém consistente, na imagem do governo federal, interrompendo um ciclo de erosão que vinha desde o final de 2023.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

Segundo os dados, 46% dos entrevistados aprovam a gestão de Lula, contra 40% em junho, enquanto a desaprovação caiu de 56% em março para 51% agora em agosto. É o menor índice de rejeição desde o início do ano.

Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, dois fatores explicam essa recuperação: a sensação de alívio nos preços dos alimentos e a postura firme de Lula no enfrentamento ao tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros. “Menos pressão inflacionária somada à imagem de um presidente que reage a desafios externos ajudam a explicar o avanço da aprovação neste momento”, disse Nunes.

Veja os dados da pesquisa Quaest

Percepção mais equilibrada e fim do pessimismo dominante

A melhora se reflete também na avaliação qualitativa do governo: o grupo que o classifica como “positivo” subiu para 31%, enquanto os que consideram a gestão “negativa” recuaram para 39%. Os que avaliam como “regular” se mantêm estáveis, em 27%.

Essa recomposição aponta para uma redução no pessimismo generalizado que marcava o cenário político no primeiro semestre. A diferença entre aprovação e desaprovação, que chegou a 17 pontos negativos em maio, caiu para cinco pontos agora.

Nordeste se consolida como base

O apoio regional ao presidente segue o padrão tradicional. No Nordeste, Lula registra 60% de aprovação, mesmo índice entre beneficiários do Bolsa Família. No Sudeste, que concentra 43% do eleitorado, a aprovação é de 42%, contra 52% de desaprovação — uma melhora em relação aos mais de 60% de rejeição observados no semestre anterior.

No Sul, a desaprovação segue elevada, com 61%, frente a apenas 38% de apoio. No Centro-Oeste e Norte, Lula atinge 44% de aprovação e 53% de rejeição.

Perfil social do lulismo

O cruzamento dos dados por segmento social reforça as clivagens tradicionais do lulismo:

– Renda: entre quem ganha até dois salários mínimos, Lula tem 55% de aprovação. Acima de cinco salários, o apoio despenca para 39%.

– Escolaridade: quanto maior o nível de escolaridade, maior a desaprovação. O presidente é aprovado por 56% dos que têm até o fundamental, mas apenas por 42% dos que possuem ensino superior completo.

– Religião: Lula é bem avaliado por 54% dos católicos, mas enfrenta 65% de rejeição entre evangélicos.

– Gênero: entre as mulheres, a aprovação chega a 48%, frente a 44% entre os homens.

– Idade: os mais velhos (60+) são majoritariamente favoráveis (55%), enquanto os jovens (16 a 34 anos) rejeitam o presidente (54%).

Esses dados indicam que o governo ainda encontra terreno fértil entre os setores populares e mais envelhecidos, mas enfrenta resistência crescente entre jovens urbanos, classes médias e evangélicos, grupos com forte influência na formação de opinião.

Carestia perde força e melhora percepção econômica

Embora a economia siga como maior desafio do governo, a pesquisa revela uma reversão moderada na percepção da população:

– A fatia dos que acham que a economia piorou nos últimos 12 meses caiu de 56% (março) para 46% (agosto).

– Já os que veem melhora subiram de 16% para 22%.

– A expectativa futura também melhorou: 40% acreditam que a economia vai melhorar, ante 30% em março.

O alívio mais perceptível está nos preços dos alimentos. Em dezembro de 2024, 83% diziam sentir alta nos preços; hoje, esse número recuou para 60% — a menor taxa desde o início do governo. Segundo Felipe Nunes, o “supermercado voltou a ser um espaço menos doloroso para os mais pobres”.

Trump, tarifas e nacionalismo como trunfo político

O outro fator que impulsionou a popularidade do presidente foi o embate comercial com os EUA, após o ex-presidente Donald Trump, novamente no poder, impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros como carne e café.

A postura do Planalto foi interpretada como firme e nacionalista:

– 49% dos brasileiros acreditam que Lula agiu em defesa do Brasil, contra 41% que o acusam de se autopromover.

– 67% defendem a via diplomática para lidar com os EUA.

– Em comparação direta, 48% consideram que Lula e o PT estão certos, enquanto apenas 28% apoiam Bolsonaro e seus aliados nesse confronto.

A crise, que envolveu ainda a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA pedindo mais sanções, ajudou Lula a reagrupar sua base e a se apresentar como líder diante de uma ameaça externa.

Popularidade ainda instável, mas diferença com Bolsonaro sustenta vantagem

Mesmo com desafios persistentes, a comparação com o governo anterior segue rendendo dividendos a Lula: 43% acham que o atual governo é melhor que o de Bolsonaro, contra 38% que pensam o contrário.

Esse dado tem valor estratégico, pois indica que a rejeição ao bolsonarismo ainda sustenta parte do apoio ao petista, especialmente entre eleitores moderados ou independentes.

Desafios continuam

Apesar da melhora parcial nos índices, a situação continua delicada:

– 57% ainda acham que o país está na direção errada.

– 55% dizem que está mais difícil conseguir emprego.

– 70% afirmam que compram menos hoje do que há um ano.

A Quaest aponta que o poder de compra segue sendo o calcanhar de Aquiles do governo, que precisará manter a inflação sob controle se quiser consolidar essa recuperação.

Boias em mar agitado

A nova rodada da Quaest indica que Lula continua em meio à tormenta, mas agora com duas boias de salvação: o alívio no custo dos alimentos e o discurso soberano diante do tarifaço americano. Ambas geraram percepção de ação eficaz e liderança, ainda que em um cenário instável.

Em política, percepção é realidade. E, por ora, a realidade de agosto de 2025 mostra uma leve virada no vento, com um governo ainda pressionado, mas respirando. A eleição ainda está longe. Mas o supermercado, mais uma vez, pode ser decisivo.

Dino decide que leis estrangeiras não valem automaticamente no Brasil


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *