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Poder

Aplaudido por Bolsonaro e Tarcísio, Trump declara guerra comercial ao Brasil

Produtos brasileiros serão taxados em 50% e presidente norte-americana ameaça com mais taxas

Publicado em 09/07/2025 5:22 - Jamil Chade (UOL), Semana On

Divulgação Semana On - IA

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O presidente americano Donald Trump anunciou a aplicação de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros, em uma sanção contra o Judiciário brasileiro e a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro. As taxas entrarão em vigor no dia 1º de agosto.

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“Devido, em parte, aos ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (conforme ilustrado recentemente pela Suprema Corte do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e INJUSTAS para plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de até R$ 1 milhão), o Brasil está se tornando um país de grande importância para o mundo”, escreveu Donald Trump em uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele ainda citou as redes sociais, “ameaçando-as com milhões de dólares em multas e expulsão do mercado brasileiro de mídia social”. Por conta dessa realidade, Trump indica que, a partir de 1º de agosto de 2025, “cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todo e qualquer produto brasileiro enviado para os Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais. Os produtos transbordados para burlar essa tarifa de 50% estarão sujeitos a essa tarifa mais alta”

Horas antes do anúncio, feito por meio de uma carta ao governo brasileiro, Trump havia sinalizado que o Brasil seria um dos afetados.

Num evento com presidentes africanos, ele criticou o tratamento dado pelo Brasil aos produtos americanos e, ainda que a pergunta não se referisse ao país, ele fez questão de destacar sua insatisfação com o governo Lula.

“O Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós, nada bom”, disse. Trump explicou que as tarifas estão sendo calculadas a partir de “dados” e do histórico do comércio nos últimos anos. Hoje, os americanos contam com um saldo positivo na balança comercial com o Brasil.

Desde segunda-feira, Trump tem disparado cartas a pelo menos 25 governos de todo o mundo, depois de três meses de prazo estabelecido por ele para que acordos pudessem ser fechados. A promessa, porém, de 90 acordos em 90 dias fracassou e a Casa Branca adiou para agosto a aplicação das novas tarifas.

No caso do Brasil, a taxa anunciada em 2 de abril – de 10% – era a mais baixa entre todas as mais de 180 economias que foram alvo de barreiras de Trump. O país, porém, sofre taxas de 50% sobre o aço.

Na última sexta-feira, delegações dos dois países se reuniram por videoconferência para buscar um entendimento. Há duas semanas, o governo brasileiro havia feito uma oferta de redução de certas tarifas, sob a condição de que os americanos também adotassem uma postura semelhante. Mas, por dias, a proposta ficou sem uma resposta por parte da Casa Branca.

Na sexta-feira, o tema foi alvo de um debate, ainda que de forma inconclusiva. Os americanos insistem que as tarifas aplicadas pelo Brasil são elevadas, principalmente no etanol e alguns produtos industrializados.

O governo brasileiro chegou a admitir cortar a taxa de 18% sobre o etanol americano, desde que as tarifas dos EUA ao açúcar nacional também fossem reduzidas.

As taxas estão sendo anunciadas num momento de tensão entre os dois países, com Trump saindo ao ataque contra as instituições, fazendo alertas e sinalizando para eventuais sanções para defender Jair Bolsonaro. Lula respondeu, apontando para uma violação à soberania.

Exportações já sofrem

Do lado brasileiro, porém, os dados do fluxo de comércio em abril e maio revelam que os impostos extras começam a afetar as vendas nacionais. Conforme o UOL mostrou a partir de levantamentos da Câmara de Comércio Brasil-EUA, cinco dos dez produtos mais exportados pelos brasileiros ao mercado americano sofreram queda.

Além disso, o superávit comercial americano passou a ser de US$ 1 bilhão com o Brasil, um dos raros mercados com os quais os EUA têm saldo positivo.

Embaixada dos EUA endossa tese de ‘perseguição’ a Bolsonaro e Itamaraty convoca representante

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (9) em que endossa declarações do presidente Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro. O comunicado gerou reação do governo brasileiro, que anunciou a convocação do encarregado de Negócios da embaixada, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos.

Esse tipo de convocação, em linguagem diplomática, demonstra contrariedade. Ou seja, o teor da nota irritou as autoridades brasileiras. O governo avalia que, uma vez que o texto foi emitido pela embaixada, o posicionamento não deve ser respondido diretamente por Lula.

Na nota, a representação diplomática dos EUA afirma que “Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos” e critica o que classifica como “perseguição política” contra o ex-presidente, seus familiares e apoiadores.

O texto também cita que os EUA estão “acompanhando de perto a situação”, mas não comentam sobre “ações futuras do Departamento de Estado em casos específicos”.

De acordo com a representação diplomática, a “perseguição política” a Bolsonaro é “vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas brasileiras”.

O posicionamento de Trump havia sido criticado por Lula na segunda-feira (7). Ele disse que “não aceita nenhuma interferência na democracia brasileira”.

“A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito”, afirmou Lula em nota.

Declaração da Embaixada dos EUA

A Embaixada dos EUA no Brasil está sem titular desde janeiro deste ano, quando Trump tomou posse. O posto era comandado pela democrata Elizabeth Bagley.

Gabriel Escobar, citado pelo Itamaraty, é atualmente o mais alto representante da embaixada norte-americana no Brasil, já que a nomeação de um novo embaixador pelo governo Trump ainda não foi formalizada.

A manifestação ocorre no contexto das recentes declarações de Trump, que também defendeu Jair Bolsonaro publicamente.

O ex-presidente Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de chefiar uma organização criminosa para tentar dar um golpe de Estado. Além disso, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político, em razão de uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada durante seu mandato.

Leia a carta completa de Trump para Lula:

Eu conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!

Devido, em parte, aos ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (conforme ilustrado recentemente pela Suprema Corte do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e INJUSTAS para plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de até R$ 1 milhão), o Brasil está se tornando um país de grande importância para o mundo. Social Media, ameaçando-as com milhões de dólares em multas e expulsão do mercado brasileiro de mídia social), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todo e qualquer produto brasileiro enviado para os Estados Unidos, além de todas as tarifas setoriais. Os produtos transbordados para burlar essa tarifa de 50% estarão sujeitos a essa tarifa mais alta.

Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil e concluímos que devemos nos afastar da relação comercial de longa data e muito injusta, gerada pelas políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil e pelas barreiras comerciais. Nosso relacionamento, infelizmente, está longe de ser recíproco.

Por favor, entenda que o número de 50% é muito menor do que o necessário para ter o campo de jogo nivelado que precisamos ter com seu país. E é necessário que isso aconteça para corrigir as graves injustiças do regime atual. Como é de seu conhecimento, não haverá nenhuma tarifa se o Brasil ou empresas de seu país decidirem construir ou fabricar produtos nos Estados Unidos e, na verdade, faremos todo o possível para obter aprovações de forma rápida, profissional e rotineira – em outras palavras, em questão de semanas.

Se, por qualquer motivo, você decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o número escolhido para aumentá-las, ele será adicionado aos 50% que cobramos. Entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não tarifárias do Brasil e as barreiras comerciais que causam esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, devido aos contínuos ataques do Brasil às atividades de comércio digital das empresas americanas, bem como a outras práticas comerciais injustas, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação do Brasil nos termos da Seção 301.

Se desejar abrir seus mercados comerciais até então fechados para os Estados Unidos e eliminar suas políticas tarifárias e não tarifárias e barreiras comerciais, talvez possamos considerar um adendo a esta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo de nosso relacionamento com seu país. Você nunca ficará desapontado com os Estados Unidos da América.

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Comente sobre essa publicação...

Uma resposta para “Aplaudido por Bolsonaro e Tarcísio, Trump declara guerra comercial ao Brasil”

  1. Carmen disse:

    Acho que o Trump tá muito doido isso sim.E deveria dar abrigo aquela coisa na casa dele.Eles se merecem.

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