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Poder
Ambos usam o Congresso para confrontar o Executivo — às custas do bem público
Publicado em 26/11/2025 10:12 - Semana On
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Na manhã desta quarta-feira (26), enquanto o Palácio do Planalto sancionava uma medida que amplia a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil — um avanço social de inegável impacto popular — os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiram faltar ao evento. A ausência, combinada previamente, é muito mais do que um gesto simbólico: é uma mensagem clara de rompimento institucional, orquestrada em nome de interesses que nada têm a ver com o bem público.
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O gesto não pode ser entendido de forma isolada. Ele está inserido em uma sequência de ações deliberadas por parte desses dois líderes do Congresso Nacional, que passaram a usar o Parlamento como palco para disputas de poder, chantagens pessoais e sabotagem política, numa lógica que ecoa os velhos padrões patrimonialistas da política brasileira, onde o público serve ao privado — e não o contrário.
Alcolumbre e Motta fazem parte de um movimento bem ensaiado: quando o governo federal não cede a suas pressões e interesses particulares, respondem com boicotes e pautas-bomba. A mais recente dessas bombas foi a aprovação, pelo Senado, de um projeto que cria despesas de mais de R$ 100 bilhões com aposentadorias de agentes de saúde. O texto, sem qualquer compensação financeira, contraria princípios elementares da responsabilidade fiscal e desmonta a lógica da reforma da Previdência aprovada em 2019.
O projeto — que garante aposentadoria integral, reajuste automático com os ativos e redução da idade mínima para 52 anos (homens) e 50 anos (mulheres) — foi aprovado por 57 votos a zero. Nenhum senador discursou contra, nem mesmo os do PT, constrangidos pela popularidade do tema e pela proximidade do calendário eleitoral. Mas o verdadeiro motor da proposta não foi o zelo pela saúde pública. Foi o ressentimento político de Davi Alcolumbre.
O ex-presidente do Senado viu seu candidato ao STF, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ser preterido por Lula, que escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias — nome técnico, com histórico de atuação jurídica e fidelidade ao Estado democrático. Desde então, Alcolumbre vem operando sistematicamente contra o governo, pautando e desengavetando projetos que desestabilizam o equilíbrio fiscal e minam a governabilidade, como esse que afeta as contas públicas em mais de R$ 100 bilhões, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
A situação na Câmara é igualmente tóxica. Hugo Motta, aliado de setores fisiológicos do Centrão e homem de confiança do banco Master — alvo de investigações da Polícia Federal —, agiu para sabotar o projeto do governo Lula contra facções criminosas. Para isso, indicou como relator o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), pupilo de Tarcísio de Freitas e crítico feroz do PT. O governo reagiu, com o líder do partido, Lindbergh Farias (PT-RJ), se opondo frontalmente à indicação. O conflito ganhou tons de tragédia farsesca.
Não é por acaso que analistas como o jornalista Josias de Souza classificaram o comportamento dos dois como “teatro farsesco”, evocando a tradição medieval de peças grotescas protagonizadas por figuras caricatas. “Falta coragem aos chefes do Congresso para atirar em Lula. Se a artilharia de ambos serve para alguma coisa é para reforçar a percepção de que política é o território da farsa”, escreveu o colunista do UOL.
É essa covardia política — a incapacidade de criticar o Executivo com argumentos públicos e republicanos — que leva figuras como Alcolumbre e Motta a operar nos bastidores, promovendo boicotes, sabotagens e chantagens institucionais. O episódio da ausência na cerimônia de sanção do IR escancara a tática: enquanto a população celebra um alívio tributário, dois dos principais líderes do Congresso se recusam a dividir o crédito, como se o país estivesse sendo punido por uma escolha legítima do presidente da República.
No plano mais profundo, o que se observa é a deterioração da função institucional do Legislativo. A Constituição de 1988 desenhou o Congresso como espaço de representação da vontade popular, de fiscalização do Executivo e de elaboração de políticas públicas. Mas, nas mãos de políticos como Alcolumbre e Motta, ele se converte em instrumento de barganha e palco para disputas intestinas, afastando-se de qualquer ideal democrático.
É importante lembrar que essa prática não é nova. O Brasil tem uma longa história de coalizões instáveis e chantagens parlamentares. Desde a redemocratização, todos os presidentes enfrentaram crises geradas por fisiologismo, desde Collor até Dilma Rousseff, cuja queda foi precipitada por alianças rompidas e pressões insustentáveis. Mas há uma diferença essencial: a sociedade civil hoje está mais atenta, e parte significativa da imprensa já não tolera mais a naturalização dessas práticas.
A escolha de Jorge Messias para o STF pode ser criticada — como qualquer decisão política —, mas ela é legítima, constitucional e compatível com o perfil técnico exigido pelo cargo. A sabotagem que se seguiu, porém, não é apenas ilegítima: é irresponsável. Brincar com as contas públicas, manipular pautas sociais e usar o Parlamento como campo de vingança pessoal é um ataque direto à estabilidade institucional.
Se há algo que enfraquece o país, não é a escolha de um ministro para o Supremo ou o envio de projetos de lei ao Congresso. É a transformação das Casas Legislativas em arenas de espetáculo grotesco, onde interesses privados se sobrepõem ao interesse público. Nisso, Alcolumbre e Motta são protagonistas — não do avanço democrático, mas da sua corrosão lenta e ruidosa.
Enquanto os tais “influencers” e jornalistas continuam espremendo o patético e morto caso bolsonaro para conseguir audiencia, não vão atrás da única verdade que realmente importa neste momento:
Qual é a grande falha do sistema partidário e eleitoral que permite que SEMPRE sejam eleitos tantos incompetentes, tantos corruptos e até psicopatas.?
É fundamental saber esa verdade logo, porque o perigo é grande e depois de eleitos é impossível prender. Logo há que impedir que os ratos infestem o Estado.
Como pegar os bandidos antes de serem eleitos? A resposta está no meu livro: MANUAL DE AUTO DEFESA POLÍTICA BRASIL: Critérios para Identificar Candidatos Incompetentes, Corruptos e Psicopatas.” É um trabalho de investigação e estudo de 15 anos, depois de 20 anos como professor de Filosofia Política.