21/07/2024 - Edição 550

Palavra do Editor

Vítimas virtuais

Publicado em 17/01/2014 12:00 -

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Na última semana tive uma senha roubada por um hacker. Como resultado perdi o controle sobre meus e-mails, minhas contas em redes sociais, sobre a FanPage do portal Semana On e até sobre o registro de domínio do portal, o que resultou em três dias fora do ar. Me senti totalmente desamparado. Como proceder?

O fato é que, diante da inexorável migração de todos os âmbitos da vida privada e profissional para o mundo virtual, o cidadão se vê diante de um dilema: a quem recorrer no caso de crimes que ocorrem nestes ambientes? Roubo de senhas, invasão de computadores, uso indevido de imagem na internet são apenas alguns dos muitos crimes que pululam na rede. O cidadão, pouco informado, não sabe como agir.

Por sorte, o responsável pela violação da minha vida virtual, particular e profissional deixou rastros a partir dos quais pude identificá-lo e, após muita negociação e a interferência da polícia civil, recuperar minhas senhas e o controle sobre minha privacidade.

Ainda assim a experiência foi estressante. Apesar da boa vontade da polícia civil, é flagrante a falta de estrutura e de material humano especializado neste tipo de crime. Confrontado pelo policial responsável por me atender, senti-me, eu, a vítima, como um criminoso.

Apesar da boa vontade da polícia civil, é flagrante a falta de estrutura e de material humano especializado neste tipo de crime. Confrontado pelo policial responsável por me atender, senti-me, eu, a vítima, como um criminoso.

É compreensível. A culpa não é do policial. Sem ferramentas adequadas e sem o preparo necessário para se movimentar neste novo campo de ação para os criminosos – preparo que deveria ser fornecido aos policiais pelo próprio Estado por meio de capacitação – a polícia faz o que pode. E neste jogo todos acabam sendo suspeitos.

Apesar dos pesares o hacker foi identificado e relacionado em um Boletim de Ocorrência.

Mesmo com a nova lei de crimes cibernéticos – estipulando prisão de até dois anos para quem invadir computadores alheios, tablets ou celulares -, a maioria das capitais brasileiras não possui sequer uma delegacia especializada. Os casos são apurados por policiais sem treinamento ou conhecimento técnico limitado. Esta falta de estrutura resulta em investigações falhas, criminosos impunes e vítimas desprotegidas.

Para preservar sua reputação, muitas vezes, são as próprias vítimas, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que precisam juntar provas e lutar para o término da apuração. Meu caso…

É preciso uma mudança de postura. A internet não pode ser terra sem lei.


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