Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mundo
Uma em cada 4 brasileiras relataram agressões: MS registra seu 36º feminicídio no ano
Publicado em 19/11/2025 2:41 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
Pelo menos 840 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos no mundo já sofreram algum tipo de violência — física ou sexual — ao longo da vida. No Brasil, os dados seguem a tendência global: uma em cada quatro brasileiras (25,6%) da mesma faixa etária relatou ter sido vítima de agressão, seja por parceiros íntimos ou não. Os números constam no relatório mais abrangente já realizado sobre o tema, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências da ONU, às vésperas do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e Meninas, celebrado em 25 de novembro.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
O estudo, baseado em dados coletados entre 2000 e 2023 em 168 países, traça um retrato preocupante da violência de gênero em escala global. Mais do que estatísticas, o documento denuncia uma “crise profundamente negligenciada e uma resposta criticamente subfinanciada”, refletindo o que entidades classificam como uma tragédia universal — e evitável.
Estagnação global e avanço pífio
Entre os dados mais alarmantes está o da violência cometida por parceiros íntimos, a forma mais comum de agressão contra mulheres. Uma em cada três mulheres no mundo já foi vítima desse tipo de violência, enquanto 316 milhões sofreram abusos nos últimos 12 meses. No Brasil, 19,1% das mulheres relataram já ter sido agredidas por parceiros, e quase 3% passaram por isso apenas no último ano, segundo Lynnmarie Sardinha, do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva da OMS.
O mais grave, porém, é a lentidão do progresso. Segundo Jeremy Farrar, um dos autores do relatório, a redução anual da violência por parceiros íntimos foi de apenas 0,2% nas últimas duas décadas. “O progresso tem sido dolorosamente lento”, alerta.
A estagnação não se deve à falta de evidências sobre o que funciona na prevenção, mas à ausência de investimento e vontade política. Em 2022, somente 0,2% da ajuda global ao desenvolvimento foi destinada à prevenção da violência contra mulheres. E, como aponta o relatório, o financiamento caiu ainda mais em 2025, aprofundando o descompasso entre o tamanho do problema e a resposta institucional.
Brasil: realidade persistente, resposta insuficiente
No cenário brasileiro, os dados confirmam uma realidade persistente: 25,6% das brasileiras entre 15 e 49 anos sofreram violência física ou sexual em algum momento da vida. Destas, 19,1% foram agredidas por parceiros íntimos, enquanto 6,5% relataram violência por não parceiros.
Apesar dos avanços legislativos, como a Lei Maria da Penha (2006) e a Lei do Feminicídio (2015), a violência permanece como um traço estrutural da desigualdade de gênero no país. Como alertou Lynnmarie Sardinha (OMS), “temos que ampliar os esforços no Brasil, na América Latina e no mundo para lidar com essa violência”.
O Brasil, como outros países da região, enfrenta subnotificação crônica, ausência de investimento contínuo em políticas públicas e sistemas de atendimento às vítimas fragmentados. Dados nacionais também mostram que meninas adolescentes já estão sob risco: 16% das jovens entre 15 e 19 anos sofreram violência por parceiros apenas no último ano — o que indica que o ciclo de violência começa cedo e se perpetua.
“Uma das injustiças mais antigas e menos combatidas”
“O mundo falha com as mulheres”, resume o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A violência contra as mulheres é uma das injustiças mais antigas e disseminadas da humanidade, e ainda assim uma das menos combatidas”, afirmou. Para ele, nenhuma sociedade pode se considerar justa ou segura enquanto metade da população vive com medo.
A violência tem efeitos duradouros. Mulheres expostas à agressão enfrentam gravidezes indesejadas, maior risco de infecções sexualmente transmissíveis, depressão e traumas psicológicos severos. Os serviços de saúde, sobretudo os de saúde sexual e reprodutiva, são apontados como portas de entrada essenciais para o acolhimento das vítimas — mas também carecem de financiamento e capacitação adequada.
Reação urgente: quatro eixos para a mudança
O relatório propõe uma resposta articulada e baseada em evidências. As principais recomendações incluem:
Ampliar programas de prevenção com base científica e foco em mudanças sociais e comportamentais;
Fortalecer serviços de saúde, assistência jurídica e apoio psicossocial, colocando as vítimas no centro das políticas;
Investir em sistemas de dados confiáveis para monitorar o progresso e identificar grupos mais vulneráveis;
Fomentar legislações e políticas públicas que empoderem mulheres e meninas, indo além do discurso e garantindo execução.
Sem essas ações coordenadas, alertam os especialistas, a violência continuará a ser um obstáculo ao desenvolvimento, à equidade e à democracia. “Empoderar mulheres e meninas não é opcional, é um pré-requisito para a paz, o desenvolvimento e a saúde”, reiterou Ghebreyesus.
Em Mato Grosso do Sul
Gabrielli Oliveira dos Santos, de 25 anos, foi a 36ª vítima de feminicídio neste ano no Mato Grosso do Sul. Ela foi assassinada pelo marido, Diovane Alfredo Dique de Oliveira, de 31, em Sonora, a 347 quilômetros de Campo Grande. O criminoso foi preso.
Vítimas de feminicídio em MS em 2025
Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro;
Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro;
Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro;
Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro;
Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro;
Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março;
Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março;
Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril;
Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio;
Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio;
Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio;
Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio;
Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho;
Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho;
Rose (Costa Rica) – 27 de junho;
Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho;
Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho;
Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho;
Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto;
Dahiana Ferreira Bobadilla (Assassinada no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista) — 8 de agosto;
Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto;
Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro;
Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro;
Ana Taniely Gonzaga de Lima – 13 de setembro;
Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro;
Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro;
Andrea Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro;
Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) – 21 de outubro;
Luana Cristina Ferreira Alves (Campo Grande) – 28 de outubro;
Aline Silva (Jardim) – 4 de novembro;
Mara Aparecida do Nascimento Gonçalves (Aparecida do Taboado) – 4 de novembro;
Rosimeire Vieira de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
Irailde Vieira Flores de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
Gabrielli Oliveira dos Santos (Sonora) – 18 de novembro.
Programa Protege tenta aprimorar atendimento às mulheres em situação de violência no Estado
O Governo de Mato Grosso do Sul procura fortalecer a rede de proteção à mulher vítima de violência. Ontem (18), iniciou mais uma capacitação na área, reunindo 1oo profissionais de diversas áreas que compõem a rede de enfrentamento à violência de gênero. A formação soma 120 horas de aprendizado e práticas.
Sob a temática ‘O atendimento qualificado às mulheres em situação de violência: atuação em rede e práticas intersetoriais’, a ação faz parte do Programa Protege, estratégia estadual que articula políticas, instituições e fluxos de atendimento para prevenir e combater a violência contra mulheres em todos os 79 municípios do Estado.
Realizada pela SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), em parceria com a Fundação EscolaGov e a faculdade Insted, a formação busca padronizar procedimentos, aprimorar a escuta qualificada e fortalecer a atuação integrada dos serviços públicos. Durante a abertura do curso, a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, ressaltou que a formação integra um movimento de transformação do Estado na proteção às mulheres.
“Estamos fazendo parte de uma virada de chave para Mato Grosso do Sul. A formação é o caminho para corrigir fraturas sociais e construir uma sociedade mais igualitária. Queremos que as mulheres e meninas se sintam pertencentes ao nosso Estado e acolhidas quando buscarem ajuda”, afirmou.
Viviane destacou ainda a importância do trabalho coletivo e a presença dos servidores nos territórios, quilombos, aldeias e municípios, reforçando que é assim que a política pública se mostra pertencente.
Impacto para a segurança pública e rede de proteção
O diretor de Operações da Polícia Militar, coronel Wellington Klimpel, destacou que a atualização fortalece a atuação dos agentes da segurança. “Essa atualização traz coisas novas para a sociedade e para o servidor público. A profissionalização é constante, e isso contribui muito para o trabalho da Polícia Militar.”
Para a assessora do Núcleo Institucional de Cidadania da Polícia Civil, Ariene Murad, a formação visa padronizar encaminhamentos. “Percebemos a necessidade de integração da rede nos municípios. Em razão do Protege, a Polícia Civil vai editar uma portaria para orientar os encaminhamentos à rede de proteção à mulher em todo o Estado.”
Fortalecimento da política pública
Em sua fala de boas vindas, diretora da Insted, Neca Chaves Bumlai, reforçou que cada aprendizado impacta diretamente a vida das mulheres. “Quando falamos de direitos humanos e enfrentamento à violência, estamos falando de respeito, dignidade e vidas.”
Já a diretora de Desenvolvimento Profissional da EscolaGov, Alessandra Beker, lembrou que o curso atende a profissionais de diversas cidades. “Estamos alcançando servidores de várias áreas e municípios. A cada dia, queremos fortalecer o acolhimento humanizado, a empatia e a dignidade no atendimento às mulheres.”
A capacitação segue ao longo das próximas semanas e integra o conjunto de ações do Protege, que consolida o compromisso do Governo de Mato Grosso do Sul em qualificar profissionais, aprimorar protocolos e garantir atendimento seguro, humanizado e eficiente para todas as mulheres no Estado.
Saiba como buscar ajuda
Casa da Mulher Brasileira – Está localizada em Campo Grande, na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá. Atende 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana. Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal.
Telefones de Socorro – É possível ligar para 153, o 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190.A Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
DAM – Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Para Reclamar – Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
Conselho de Segurança aprova plano de Trump para Gaza sem garantia de um Estado Palestino
Deixe um comentário