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Mundo

Venezuela convoca embaixador no Brasil para consultas

'Maduro está louco como uma cabra', avisou Mujica

Publicado em 31/10/2024 9:37 - Paula Laboissière e Lucas Pordeus Leon (Agência Brasil), Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

Divulgação Reprodução

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A Venezuela informou, na quarta-feira (30), que convocou o seu embaixador no Brasil para consultas como manifestação de repúdio a declarações feitas por porta-vozes brasileiros, citando especificamente o assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim.

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Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores venezuelano condena o que menciona como declarações “recorrentes”, “mentirosas” e “grosseiras” por parte de porta-vozes oficiais do governo brasileiro.

“Em particular, declarações feitas pelo assessor especial em Assuntos Exteriores, Celso Amorim, que, comportando-se mais como um mensageiro do imperialismo norte-americano, tem se dedicado impertinentemente a emitir juízos de valor sobre processos que só dizem respeito aos venezuelanos.”

No comunicado, o governo venezuelano avalia as declarações como “agressão constante que mina as relações políticas e diplomáticas entre os Estados, ameaçando laços que unem os dois países”.

“Por fim, informa-se à comunidade nacional e internacional que, seguindo instruções do presidente Nicolás Maduro Moros, foi decidido convocar imediatamente o embaixador Manuel Vadell, que nos representa em Brasília, para consultas.”

Celso Amorim defende que Brasil deve insistir em diálogo com Venezuela

O Brasil deve insistir em ser um interlocutor junto à Venezuela, apesar dos atritos diplomáticos ocorridos após a eleição presidencial do dia 28 de julho, que resultou na reeleição ao presidente Nicolás Maduro, segundo argumentou o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, um dia antes de Caracas chamar de volta seu embaixador no Brasil.

“Se o Brasil quiser ter uma influência positiva [na Venezuela], temos que manter uma interlocução. Estamos mantendo uma interlocução, mas diminuiu o nível dessa interlocução desde a eleição”, afirmou Amorim à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

O assessor da presidência disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conversa pessoalmente com Maduro desde antes da eleição, “por não ter recebido sinais de abertura para um diálogo franco”.

Amorim acrescentou que, atualmente, há um “mal estar” entre os governos brasileiro e venezuelano em razão, entre outras coisas, da não apresentação dos dados eleitorais por mesa de votação prometidos pelo governo Maduro. O embaixador acrescentou que espera que esse mal-estar seja resolvido.

“Se queremos ter alguma influência no processo de democratização da Venezuela, temos que ter alguma interlocução. Se não, vem outros. Você tem de um lado os Estados Unidos e, do outro lado, tem países distantes. Não queremos que a Venezuela seja palco de uma Guerra Fria ou de um conflito na Amazônia”, disse.

O embaixador afirmou que se ocupa da Venezuela há 30 anos, desde quando era ministro das Relações Exteriores do governo de Itamar Franco. Ele disse que ouviu, naquela época, comentários golpistas de empresários venezuelanos contra o então presidente Rafael Caldeira.

“Na Venezuela, a construção da democracia depende ainda de um consenso básico sobre os princípios da convivência política. Não se limita a uma questão puramente política, mas envolve toda a sociedade que é extremamente dividida e desigual. Por isso, trata-se de um processo longo. Cada eleição é importante por si mesma, mas faz parte de um conjunto mais amplo”, afirmou.

De acordo com Amorim, é preciso um grande esforço de diálogo e negociação uma vez que o governo brasileiro deseja que o vizinho seja estável. “Nesse sentido, assinalo que nos próximos ano estão previstas eleições regionais e parlamentares, é um risco, mas também uma oportunidade. Se um pais quer ter importância positiva, não pode se desqualificar como interlocutor”, explicou.

Entenda

O Brasil tem se afastado diplomaticamente da Venezuela depois da eleição de 28 de julho. A eleição foi contestada pela oposição, por organismos internacionais e países, entre eles, o Brasil, pelo fato de os dados eleitorais por mesa de votação não terem sido apresentados.

Na última semana, a Venezuela acusou o Brasil de vetar a participação dela no Brics, que deve convidar 13 novos países como membros associados. A Venezuela, apesar de querer entrar no bloco, ficou de fora da nova lista. Segundo Amorim, a reação da Venezuela em relação ao Brics foi “desproporcional”.

‘Maduro está louco como uma cabra’, avisou o amigo Mujica

Amigo leal e fraternal de Lula, o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica tentou avisar: Nicolás Maduro “está louco como uma cabra”. O alerta de Mujica soou há oito anos. Revelou-se premonitório. Desgovernada, a cabra não se conforma com o veto brasileiro à entrada da Venezuela no Brics. Decidiu fabricar uma crise.

Maduro chamou de volta o embaixador venezuelano em Brasília, Manuel Vadell. E mandou passar um pito na representação diplomática do Brasil em Caracas. Como a embaixadora brasileira Glivânia de Oliveira está de férias, coube ao encarregado de negócios da embaixada, Breno Hermann, receber a reprimenda.

Hermann foi avisado de que Maduro está tiririca com o companheiro Celso Amorim. Acusa o assessor internacional do Planalto de se comportar como um mensageiro do imperialismo norte-americano. Amorim havia declarado que seria “inoportuna” a entrada da Venezuela no Brics. Realçara que a “confiança” que marcava as relações com o regime de Maduro “se quebrou”.

A paulada em Amorim, antigo aliado da Venezuela, tem outro destinatário. O alvo de Maduro é Lula. O mesmo Lula que tratou uma ditadura absoluta como democracia relativa. O mesmo que declarou que “a Venezuela vive um regime muito desagradável”, com “viés autoritário”, mas “não é uma ditadura.”

A escalada de ataques de Maduro a Lula e ao Brasil foi reiteradamente ignorada. Quando isso ocorre, o ofendido acaba merecendo as ofensas. O Planalto descobre da pior maneira o valor de um antigo provérbio português segundo o qual “ninguém se livra de pedrada de doido e de coice de burro”. Ou do coice de uma cabra louca.


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