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Mundo
Prêmio de direitos humanos da UE para oposição venezuelana
Publicado em 25/10/2024 10:37 - Semana On
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A Venezuela criticou duramente o Brasil após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva vetar a entrada do país no grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em comunicado oficial assinado por Yván Gil Pinto, ministro das Relações Exteriores da Venezuela, o governo de Nicolás Maduro afirmou que a decisão brasileira constitui “uma agressão” e um “gesto hostil”, ecoando o descontentamento com a postura do Itamaraty.
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A manifestação foi publicada tanto em espanhol quanto em português e expressa indignação com o posicionamento do Brasil, que, segundo o governo venezuelano, contradiz a natureza inclusiva do Brics. A Venezuela alegou que contava com o apoio de outros países para sua entrada no bloco, como Rússia e Irã, e que sua exclusão foi um ato que perpetua o veto aplicado durante o governo de Jair Bolsonaro.
“O veto do Brasil contradiz a essência dos Brics e reproduz políticas de exclusão e intolerância promovidas por centros de poder ocidentais”, acusou o comunicado. Além disso, a nota de Caracas elogiou o presidente russo, Vladimir Putin, por ter convidado Maduro para a cúpula realizada na cidade de Kazan, na Rússia, destacando o “sucesso retumbante” do evento e as contribuições russas para a construção de um mundo “multicêntrico e pluripolar”.
Tensões regionais e geopolíticas
A decisão brasileira causou surpresa e preocupação em alguns setores do governo. Conforme apuração do jornalista Jamil Chade, do UOL, integrantes do Palácio do Planalto temem que a resposta dura de Caracas possa complicar ainda mais a já delicada relação entre os dois países. O Brasil, que tenta atuar como mediador entre a oposição venezuelana e o governo Maduro, vê na resposta um sinal de deterioração das chances de diálogo.
Ainda, o convite de Putin para a participação de Maduro na cúpula também gerou desconforto. Fontes diplomáticas revelaram que a viagem do presidente venezuelano não constava em nenhuma lista oficial de convidados, o que aumentou a desconfiança nos bastidores sobre a atuação russa no episódio.
Cenário internacional e discurso crítico
No mesmo evento, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, elevou o tom ao criticar potências ocidentais em seu discurso. Sem mencionar explicitamente os Estados Unidos ou países europeus, Vieira acusou essas nações de conivência com o que chamou de “genocídio” contra o povo palestino, referindo-se à crise em Gaza. O Brasil, que tentou aprovar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU pedindo um cessar-fogo, viu sua proposta ser vetada pelos EUA, o que alimentou ainda mais o ressentimento brasileiro.
Ao mesmo tempo, o comunicado final da cúpula dos Brics poupou a Rússia de críticas sobre a guerra na Ucrânia, optando por uma postura ambígua. O bloco, que conta com a participação de países como Irã e Arábia Saudita, se absteve de condenar explicitamente o Hamas e evitou se aprofundar na questão da invasão russa na Ucrânia, ressaltando apenas a importância do diálogo e da diplomacia.
O veto brasileiro à entrada da Venezuela no Brics não apenas intensifica as tensões entre os dois países, como também reflete o intricado jogo de forças na geopolítica mundial. Com um cenário internacional polarizado, as decisões no âmbito dos Brics se tornam cada vez mais sensíveis, envolvendo disputas de poder que vão além da diplomacia tradicional, tocando diretamente nos interesses estratégicos e econômicos de cada nação.
Enquanto o governo brasileiro busca equilibrar sua posição dentro do bloco e suas relações regionais, a resposta da Venezuela deixa claro que a rejeição à sua adesão será vista como um ataque direto ao governo Maduro, complicando ainda mais o cenário diplomático na América Latina.
Prêmio de direitos humanos da UE para oposição venezuelana
Os líderes oposicionistas venezuelanos Maria Corina Machado e Edmundo González Urrutia foram anunciados ontem (24) como os vencedores do Prêmio Sakharov de 2024, concedido pela União Europeia. A distinção, que é a maior homenagem em direitos humanos da UE, foi anunciada pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, que destacou a importância da dupla na luta pela restauração da liberdade e da democracia na Venezuela.
Maria Corina Machado, uma das principais figuras da oposição ao regime de Nicolás Maduro, e Edmundo González Urrutia, que substituiu Machado como candidato oposicionista nas eleições presidenciais de 2024, foram premiados pela defesa incansável dos direitos humanos e pela busca de uma transição democrática no país sul-americano. “Eles representam todos os venezuelanos que lutam dentro e fora do país para restaurar a liberdade e a democracia”, afirmou Metsola ao anunciar o prêmio.
Machado havia sido a escolhida para enfrentar Maduro nas eleições presidenciais de 2024, mas teve sua candidatura bloqueada pelo regime chavista. González Urrutia, então, assumiu o posto e, segundo contagem independente conduzida pela oposição, teria vencido as eleições com ampla margem de votos. No entanto, as autoridades eleitorais venezuelanas não divulgaram as atas do pleito, gerando suspeitas generalizadas de fraude e reafirmando Maduro no poder.
O reconhecimento internacional a González Urrutia veio em meio a graves acusações do governo venezuelano, que o acusou de “usurpação de funções” e “falsificação de documentos públicos”. Com a perseguição política intensificada, González Urrutia se exilou na Espanha, onde vive atualmente. Maria Corina Machado, por sua vez, também precisou se esconder após organizar protestos dentro da Venezuela contra o regime.
Oposição e repressão na Venezuela
A repressão aos líderes oposicionistas na Venezuela tem sido tema de amplo debate internacional. Organizações de direitos humanos e governos de diversos países têm expressado preocupação com a falta de transparência nos processos eleitorais e com as violações de direitos civis no país. Em setembro, o Parlamento Europeu reconheceu oficialmente Edmundo González Urrutia como o legítimo vencedor das eleições venezuelanas, intensificando a pressão sobre o governo Maduro.
Durante o anúncio do prêmio, Metsola elogiou a resistência de ambos os líderes. “Edmundo e Maria continuaram a lutar pela transição de poder livre, justa e pacífica, e mantiveram destemidamente os valores tão caros a milhões de venezuelanos e a este Parlamento: justiça, democracia e o Estado de Direito”, declarou.
Prêmio Sakharov: homenagem aos defensores dos direitos humanos
O Prêmio Sakharov, criado em 1988, é concedido anualmente pelo Parlamento Europeu a pessoas ou grupos que tenham contribuído significativamente para a defesa dos direitos humanos e do livre-pensamento. Entre os ganhadores do passado estão figuras históricas como o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e o oposicionista russo Alexei Navalny, que faleceu no início de 2024. No ano passado, o prêmio foi concedido postumamente a Jina Mahsa Amini, jovem iraniana cuja morte nas mãos da “polícia da moralidade” do Irã gerou protestos em escala global.
Além de Machado e González Urrutia, também estavam entre os finalistas deste ano o ativista anticorrupção Gubad Ibadoghlu, do Azerbaijão, e os coletivos feministas Women Wage Peace, de Israel, e Women of the Sun, da Palestina.
A cerimônia oficial de entrega do prêmio ocorrerá em 18 de dezembro, em Estrasburgo, França, durante a sessão plenária do Parlamento Europeu.
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