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Mundo
Em meio a desgaste interno, presidente norte-americano cobra interrupção das hostilidades
Publicado em 08/06/2026 2:52 - Semana On
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender publicamente uma interrupção imediata das hostilidades entre Israel e Irã após a retomada dos confrontos diretos entre os dois países no domingo (07/06), a primeira escalada desse tipo em dois meses. Em publicação feita nesta segunda-feira (08/06) na plataforma Truth Social, o mandatário norte-americano afirmou que ambos os lados desejam uma trégua e indicou que negociações para um acordo estariam em andamento.
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“Ambos os lados, Israel e Irã, buscam uma trégua imediata”, escreveu Trump. Segundo ele, as conversações caminham para uma solução definitiva, embora ainda estejam sujeitas a obstáculos decorrentes da “ignorância ou estupidez”. O presidente também reiterou que o bloqueio imposto aos portos iranianos permanecerá em vigor até a formalização de um acordo final.
A movimentação diplomática da Casa Branca ocorreu em meio a uma nova escalada militar na região. De acordo com a emissora Al Arabiya, Trump conversou por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira. O contato acontece em um momento politicamente delicado para o presidente norte-americano, que enfrenta crescente desgaste interno em razão do conflito e se aproxima das eleições de meio de mandato previstas para novembro.
Após a conversa, o canal israelense Channel 12 informou, citando uma fonte com conhecimento do diálogo, que Netanyahu estaria avaliando suspender uma nova ofensiva contra o Irã planejada para a noite desta segunda-feira. Segundo a emissora, os ataques previstos teriam escala significativamente superior aos realizados anteriormente. A mesma fonte, contudo, ressaltou que a decisão de interromper as operações estaria sendo impulsionada por Trump, e não por iniciativa do governo israelense.
Os ataques iranianos contra Israel começaram no dia anterior, apresentados por Teerã como resposta às operações militares israelenses no sul do Líbano. Nesta segunda-feira, as Forças Armadas iranianas anunciaram a suspensão temporária de suas ações militares, mas advertiram que poderão lançar ofensivas “mais severas e esmagadoras” caso Israel volte a atacar território libanês.
Apesar das declarações favoráveis à contenção do conflito, os sinais emitidos por Tel Aviv apontam para a continuidade da campanha militar. O exército israelense ordenou a evacuação dos moradores do bairro Zuqaq al-Mufdi, na cidade de Tiro, no sul do Líbano, orientando a população a se deslocar para áreas situadas ao norte do rio Zahrani. O aviso foi divulgado pelo porta-voz militar em língua árabe, Avichay Adraee, sem informar quando ocorreria a operação.
Segundo a mesma fonte ouvida pelo Channel 12, Israel reafirmou, mesmo após a conversa entre Trump e Netanyahu, que os ataques contra o sul do Líbano prosseguirão “com força total” nos próximos dias.
A posição foi reforçada pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz. O integrante do governo argumentou que a presença do Hezbollah na região justifica a continuidade das operações militares e ampliou o tom das ameaças ao mencionar a possibilidade de ataques contra Beirute.
“Os subúrbios em Beirute serão tratados da mesma forma que as comunidades do norte”, declarou Katz, rejeitando as advertências feitas pelo Irã. Segundo ele, qualquer tentativa de vincular o território libanês a ações contra Israel será respondida com força militar.
Em pronunciamento gravado, Netanyahu afirmou que os confrontos diretos com o Irã haviam sido interrompidos, mas deixou claro que Israel responderá a qualquer nova ofensiva. “O Irã e o Hezbollah estão mais fracos do que nunca, e nós estamos mais fortes do que nunca. Mas nossa luta contra eles não acabou”, declarou.
O primeiro-ministro acrescentou que qualquer novo ataque contra Israel será respondido de forma severa, justificando a posição com o direito à autodefesa.
Divergências entre Washington e Tel Aviv
Os episódios mais recentes também evidenciam o desgaste crescente entre Trump e Netanyahu. À medida que se aproxima um novo ciclo eleitoral em Israel, aumenta a percepção de que o primeiro-ministro prioriza sua sobrevivência política em um cenário de forte pressão interna. O Parlamento israelense discute a possibilidade de antecipar eleições originalmente previstas para outubro, o que pode transformar o pleito em um julgamento popular de sua gestão.
Nesse contexto, a influência da Casa Branca sobre as decisões do governo israelense tem sido colocada em dúvida. O acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano sofreu sucessivas violações nos últimos dias, com bombardeios frequentes ordenados por Netanyahu contra alvos em território libanês. Entre eles está um ataque realizado no domingo contra uma área associada ao Hezbollah em Beirute.
O agravamento da crise levou o Irã, aliado e principal financiador do Hezbollah, a lançar mísseis contra Israel. Diante da escalada, Trump teria orientado Netanyahu a não responder militarmente à ação iraniana. A recomendação, contudo, não foi seguida. Em vez disso, Israel ordenou um bombardeio contra um complexo petroquímico iraniano, aprofundando a tensão regional.
Após uma série de violações da trégua anunciada em 7 de abril, o governo iraniano decidiu suspender temporariamente suas operações militares, embora mantenha o discurso de retaliação caso ocorram novos ataques israelenses.
Os atritos entre Trump e Netanyahu também ganharam dimensão pública nas últimas semanas. Há pouco mais de uma semana, veio à tona o conteúdo de uma conversa telefônica tensa entre os dois líderes, na qual o presidente norte-americano teria chamado o premiê israelense de “louco de merda”. No domingo, Trump voltou a demonstrar irritação em entrevistas concedidas à imprensa.
Em uma delas, afirmou que “eu dito as regras, não o Netanyahu”. Em outra, antecipou que determinaria ao aliado que evitasse uma nova ofensiva contra o Irã. Os acontecimentos posteriores, porém, reforçaram a percepção de que Tel Aviv continua tomando decisões estratégicas sem necessariamente seguir as orientações da Casa Branca, expondo os limites da influência norte-americana sobre seu principal aliado no Oriente Médio.
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