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Trump planeja imposto de 20% sobre produtos mexicanos para pagar muro

Publicado em 27/01/2017 12:00 -

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O presidente Donald Trump ameaça impor uma tarifa de 20% sobre todos os produtos importados do México e usar os bilhões arrecadados para pagar pelo muro que será construído na fronteira entre os dois países.

Segundo o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, a tarifa sobre produtos mexicanos geraria US$ 10 bilhões por ano, suficiente para pagar pelo muro, que tem custo estimado de US$ 10 a US$ 20 bilhões.

Mas a taxa foi recebida com resistência por legisladores republicanos e democratas e a Casa Branca ensaiou um recuo, dizendo que a alíquota é só uma das possibilidades para se pagar o muro e pode ser de 5%, 15% ou 20%.

O anúncio aprofundou a crise diplomática entre os dois países. Mais cedo, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, havia cancelado, por meio de uma mensagem no Twitter, o encontro que teria com o presidente dos EUA em Washington no dia 31.

Foi uma resposta a Trump, que havia escrito também na rede social que Peña Nieto deveria cancelar sua visita se continuasse a se recusar a pagar pelo muro.

Na pauta do encontro estava a renegociação do acordo de livre comércio entre Canadá, México e EUA, o Nafta, e a construção do muro.

Se for efetivamente adotada, a tarifa enterrará o acordo de livre comércio Nafta, que vigora desde 1994 entre EUA, México e Canadá, e prevê impostos de importação zerados ou muito baixos entre os países.

A nova tarifa seria parte da reforma tributária que Trump pretende implementar com apoio do Congresso de maioria republicana.

Os EUA importaram US$ 296 bilhões do México em 2015. Cerca de 80% de todas as exportações mexicanas —carros, TVs, frutas, verduras— têm como destino os EUA.

Legisladores democratas e republicanos foram a público criticar a tarifa. "É claro que estou preocupado, os mexicanos vão impor tarifa sobre os bilhões que exportamos pra eles, e isso vai afetar trabalhadores americanos… E a tarifa sobre importações vai aumentar os preços aqui", disse o senador democrata Robert Menendez.

"Segurança na fronteira, sim. Tarifas sobre o México, não. O México é nosso terceiro maior parceiro comercial, qualquer tarifa que nós adotarmos, eles podem adotar. Enorme barreira ao crescimento econômico", tuitou o republicano Lindsey Graham.

Críticas

No México, onde Peña Nieto enfrenta índices de aprovação de apenas 12% e é muito criticado por sua apatia diante das ameaças de Trump, também houve críticas.

"Nunca imaginei que o povo americano fosse votar em um presidente como esse", afirmou o ex-mandatário mexicano Vicente Fox. "Nós não queremos esse americano horrível que Trump representa: o gringo imperialista que costumava invadir nosso país, que mandava os Marines, que punha e tirava presidentes em qualquer lugar do mundo. Isso aconteceu no século 20 e é com isso que esse cara está nos ameaçando."

Em discurso para legisladores republicanos na Filadélfia, Trump afirmou que ele e o presidente mexicano haviam "concordado" em cancelar a reunião. "Se o México não concordar em tratar os EUA com respeito, um encontro desses será inútil", disse.

Em seu discurso, Trump afirmou que "não vai deixar que os contribuintes americanos paguem por essa transação defectiva, o Nafta". Segundo o republicano, é "um acordo péssimo, um desastre", além de causar perdas de milhares de empregos.

Ele defendeu a construção do muro, dizendo: "É hora de restabelecer os direitos civis do povo americano de proteger seus empregos e sonhos."

Na quarta (25), o presidente baixou um decreto presidencial determinando o início da construção do muro na fronteira. Ele voltou a dizer que o México pagará pela barreira. E seu colega mexicano afirmou, mais uma vez, que seu governo não vai pagar.

Na Filadélfia, Trump reiterou que os EUA deixaram o TPP, a Parceria Transpacífico, para investir em tratados bilaterais. "Se o país não nos tratar de forma justa, nós mandamos um bilhete dizendo: ou muda, ou encerramos o acordo em 30 dias."


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