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Todas as crianças brasileiras separadas nos EUA já foram reunidas aos pais

Publicado em 07/08/2018 12:00 -

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Todas as crianças e os adolescentes brasileiros separados dos pais desde o início da política de tolerância zero de Donald Trump, em abril, já foram reunidas com suas famílias, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

Ao menos 49 menores vindos do Brasil foram enviados para abrigos no período, localizados em Chicago, Arizona, Texas, Califórnia, Flórida e Nova York.

A maior parte foi reunificada nos Estados Unidos com os familiares, que respondem ao processo de deportação em liberdade. Em outros casos, os menores foram transferidos para centro de detenções de imigração onde os pais aguardam julgamento. Uma minoria foi encaminhada direto para o Brasil, para reunificação no país.

O Itamaraty relatou ainda o caso de brasileiros que cruzaram a fronteira com 17 anos e, enquanto estavam nos abrigos, fizeram aniversário e atingiram a maioridade. Foram transferidos para centros de detenção para serem deportados ou responderem em liberdade, dependendo do caso.

O ministério não soube informar quantos brasileiros, exatamente, se encaixam em cada categoria.

Em abril, o presidente americano Donald Trump passou a processar criminalmente os estrangeiros pelo crime de travessia ilegal, enviando-os para presídios federais, sem os filhos.

Em torno de 3.000 crianças e adolescentes foram separados das famílias até o americano assinar uma ordem executiva determinando que os imigrantes ficassem juntos dos menores enquanto o processo pela entrada ilegal transcorresse.

Abusos

Dois funcionários de um abrigo no Arizona, estado na fronteira sul dos EUA, foram denunciados por agredir sexualmente adolescentes migrantes, mostram autos judiciais.

Os episódios se somam à lista de acusações de abuso que pairam sobre empresas contratadas pelo governo para operar instalações cruciais na repressão migratória conduzida por Donald Trump.

No último dia 31, a polícia de Phoenix prendeu Fernando Magaz Negrete, 32, sob acusação de abuso sexual e de molestar sexualmente crianças depois de ele ser visto beijando e acariciando uma garota de 14 anos em junho, informaram autoridades.

A prisão ocorreu um dia depois de promotores federais descreverem um processo contra outro funcionário de abrigo, Levian Pacheco, 25, que é portador do HIV.

Ele é acusado de apalpar seis garotos e fazer sexo oral em outros dois em um centro de detenção entre agosto de 2016 e julho deste ano. As vítimas tinham entre 15 e 17 anos.

Os dois homens trabalhavam em centros diferentes, ambos operados pela Southwest Key Programs. A organização sem fins lucrativos do Texas recebeu pelo menos US$ 955 milhões (R$ 3,54 bilhões) em contratos com o governo americano desde 2015 para manter os abrigos e fornecer outros serviços para menores migrantes sob custódia federal.

A prestadora de serviços é uma das maiores no opaco negócio envolvendo crianças migrantes na fronteira sul do país, que movimenta bilhões de dólares ao ano com moradia, transporte e monitoria.

A política migratória de Trump —incluindo a separação de famílias na fronteira para que os pais fossem levados a prisões federais, prática suspensa após protestos— promoveu um boom no mercado para essas instituições. 

Os prestadores também estão sob intenso escrutínio pela forma como têm tratado os migrantes, algo que levou o diretor interino do departamento de Imigração e Alfândega (ICE), Matthew Albence, a comparar nesta semana os abrigos a “colônias de ferias”.

Mas a ideia foi desmentida por um promotor federal do Arizona que conduz o processo contra Pacheco e descreveu o local onde o réu trabalhava como “um cenário de prisão”. 

Ali, os funcionários vistoriavam as crianças em seus quartos no local, a Casa Kokopelli em Mesa, a cada 15 minutos. “Nessas vistorias e em outros momentos, o réu entrava e molestava as crianças”, disse o promotor Robert Brooks na audiência, segundo os autos. 

O processo contra Pacheco, um cubano com residência legal nos EUA que se declarou inocente, foi revelado pelo site jornalístico ProPublica. Ele foi indiciado em agosto passado e preso no mesmo mês em Miami ao voltar de Cuba.


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