Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mundo

Suprema Corte dos Estados Unidos derruba tarifaço de Trump

Decisão limita poder presidencial, reforça prerrogativa do Congresso e pode abrir disputa de até US$ 175 bilhões

Publicado em 20/02/2026 12:40 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A Suprema Corte dos Estados Unidos impôs uma derrota significativa ao presidente Donald Trump ao declarar ilegais as tarifas de importação impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Por seis votos a três, os ministros concluíram que o dispositivo legal de 1977 não autoriza o chefe do Executivo a instituir tarifas de forma ampla, com valores e duração ilimitados.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK E WHATSAPP

A decisão reafirma um princípio constitucional central: cabe ao Congresso — e não ao presidente — a competência para “instituir e arrecadar impostos, taxas, tributos e impostos de consumo”. Para a maioria da Corte, a IEEPA permite ao presidente regular transações econômicas internacionais em situações emergenciais, mas não delega, de maneira clara, o poder de criar tarifas generalizadas.

No voto majoritário, os magistrados destacaram que, em quase cinco décadas de vigência da IEEPA, nenhum presidente havia utilizado a lei para impor tarifas dessa magnitude. A Corte apontou que a interpretação defendida pelo governo representaria uma “expansão transformadora” da autoridade presidencial sobre a política tarifária — movimento que extrapolaria o “alcance legítimo” conferido pelo estatuto.

O entendimento confirma decisões anteriores do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA e do Tribunal de Apelações para o Circuito Federal, que já haviam considerado que as tarifas ultrapassaram os limites legais previstos.

Apesar da derrota, a decisão não atinge outras bases legais da legislação comercial americana que autorizam o presidente a aplicar tarifas em contextos específicos.

Impacto fiscal: até US$ 175 bilhões em jogo

A controvérsia jurídica tem potencial de se transformar em disputa bilionária. Embora o julgamento não determine automaticamente a devolução dos valores arrecadados, votos divergentes alertam que os Estados Unidos podem ser obrigados a reembolsar importadores que pagaram as tarifas.

Estudo da Penn-Wharton Budget Model, grupo independente da Universidade da Pensilvânia, estima que mais de US$ 175 bilhões recolhidos com tarifas baseadas na IEEPA possam ser objeto de restituição. A projeção foi elaborada a pedido da agência Reuters, com base em modelo que cruza alíquotas tarifárias por produto e país.

O montante supera, por exemplo, os gastos combinados previstos para 2025 dos Departamentos de Transportes (US$ 127,6 bilhões) e de Justiça (US$ 44,9 bilhões), evidenciando a dimensão fiscal da controvérsia.

Importadores já sinalizaram que aguardavam a definição da Corte para solicitar reembolso junto à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. A tendência é que a decisão inaugure uma nova rodada de disputas judiciais.

Efeitos econômicos e discurso político

O Escritório de Orçamento do Congresso havia estimado que o conjunto das tarifas promovidas por Trump poderia gerar cerca de US$ 300 bilhões anuais na próxima década. O presidente frequentemente celebrava a arrecadação como instrumento de fortalecimento da economia e de correção do déficit comercial.

Os dados, contudo, indicam resultados modestos. Em 2025, o déficit comercial recuou apenas 0,2%, alcançando US$ 901,5 bilhões. No segmento de bens de consumo, o saldo negativo atingiu recorde de US$ 1,24 trilhão, segundo números oficiais divulgados recentemente.

No mercado de trabalho, o emprego nas fábricas caiu 83 mil postos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. A inflação permanece acima da meta de 2%, e o custo de vida pressionou o consumo — com reflexos até no setor de restaurantes, que reduziram porções para conter despesas.

Em novembro, Trump anunciou a intenção de pagar US$ 2 mil a cada cidadão americano com recursos provenientes das tarifas, mas a proposta não avançou no Congresso.

Repercussão política e reação da Casa Branca

Segundo a Associated Press, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” durante reunião fechada com governadores estaduais, da qual foi informado em tempo real sobre o julgamento. Até o momento, não houve pronunciamento público oficial.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo deve recorrer, ao mesmo tempo em que sinalizou que a administração pode arcar com eventuais reembolsos.

Repercussões globais

A decisão tem implicações além das fronteiras americanas. Países afetados pelas sobretaxas — entre eles o Brasil — podem ser indiretamente beneficiados, caso as tarifas sejam efetivamente anuladas e eventuais valores devolvidos.

Mais do que um revés político, o julgamento reabre o debate sobre os limites institucionais do poder presidencial em matéria comercial e recoloca o Congresso no centro da política tarifária dos Estados Unidos — com impactos potenciais para a economia global.

DESCONFIANÇA


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *