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Mundo

Rússia e China reafirmam apoio estratégico a Cuba e criticam sanções dos EUA

Trump volta a ameaçar ação militar e eleva tensão no Caribe

Publicado em 15/04/2026 2:30 - Semana On

Divulgação Chanceleres da Rússia, Sergei Lavrov, e da China, Wang Yi, durante reunião bilateral em Pequim - Ministério das Relações Exteriores da Rússia

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Em meio ao agravamento de tensões internacionais, Rússia e China reiteraram, nesta quarta-feira (14), o compromisso de manter apoio político e econômico a Cuba, país que enfrenta uma prolongada crise humanitária e energética associada, entre outros fatores, às sanções impostas pelos Estados Unidos. A sinalização ocorreu durante encontro em Pequim entre o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e seu homólogo chinês, Wang Yi, no âmbito de uma visita oficial marcada por discussões sobre os principais focos de instabilidade global.

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Ao abordar o caso cubano, Lavrov voltou a responsabilizar Washington pela política de isolamento da ilha, afirmando que os Estados Unidos mantêm uma postura que classificou como “opressiva” em relação a nações soberanas. Segundo o chanceler, não foi Havana quem se recusou ao diálogo ao longo das últimas décadas, mas sim o governo norte-americano, em uma estratégia deliberada de pressão política e econômica. Como parte do apoio concreto, o ministro destacou o envio recente de um carregamento de 100 mil toneladas de petróleo à ilha caribenha e assegurou a continuidade desse tipo de assistência.

A visita ocorre em um contexto de intensificação da cooperação entre Moscou e Pequim, que têm ampliado sua articulação diplomática diante de um cenário internacional descrito por Lavrov como de “severas provações”. Entre os temas discutidos, estiveram os conflitos no Oriente Médio, a crise na Ucrânia e a conjuntura política na América Latina, com menção à Venezuela. A agenda reflete a tentativa das duas potências de coordenar posições em múltiplos tabuleiros geopolíticos.

Do lado chinês, o encontro reforçou a defesa de uma ordem internacional menos centrada em unilateralismos. Segundo a agência estatal Xinhua, Pequim e Moscou concordaram na necessidade de revitalizar o papel das Nações Unidas e ampliar mecanismos de cooperação multilateral. A diretriz inclui atuação conjunta em fóruns como o BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai, com o objetivo declarado de promover um sistema internacional considerado “mais justo e equilibrado”.

Em declarações divulgadas pela agência russa TASS, o presidente chinês, Xi Jinping, enfatizou a importância de aprofundar a coordenação estratégica entre os dois países. Segundo ele, a parceria deve explorar a complementaridade econômica e a proximidade política para impulsionar o desenvolvimento sustentável e proteger interesses considerados legítimos por ambas as nações. Xi também situou essa aproximação no contexto de “mudanças sem precedentes em um século”, defendendo maior alinhamento entre China e Rússia como forma de fortalecer a coesão do chamado Sul Global.

O encontro em Pequim consolida, assim, não apenas o apoio a Cuba, mas também um movimento mais amplo de articulação entre Moscou e Pequim para contrabalançar a influência dos Estados Unidos e redefinir os parâmetros de governança internacional.

Trump volta a ameaçar ação militar contra Cuba e eleva tensão no Caribe

A escalada verbal envolvendo Washington e Havana ganhou novo capítulo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir a possibilidade de uma ofensiva militar contra Cuba. Em declaração à imprensa na segunda-feira (13), o mandatário indicou que uma eventual ação poderia ocorrer após o desfecho do conflito em curso com o Irã, vinculando a hipótese a interesses políticos domésticos e ao apoio de parte do eleitorado cubano-americano.

A fala se insere em uma sequência de posicionamentos recentes em que Trump tem adotado tom cada vez mais assertivo em relação à ilha. Em ocasiões anteriores, o presidente já havia afirmado que poderia “fazer qualquer coisa” em relação a Cuba ou até “assumir” o controle do país “de alguma forma”, sem apresentar fundamentos legais para tais declarações. O endurecimento do discurso ocorre em paralelo à intensificação de medidas econômicas e pressões diplomáticas no contexto da atual crise cubana.

Ao justificar sua posição, Trump voltou a criticar o sistema político da ilha, classificando-o como ineficiente e reiterando críticas históricas à liderança revolucionária. No entanto, não mencionou o impacto das sanções norte-americanas — ampliadas em 2026 com restrições ao fornecimento internacional de petróleo — sobre a economia cubana, medida que contribuiu para o agravamento da escassez energética e de serviços básicos.

Diante desse cenário, autoridades cubanas passaram a tratar a possibilidade de agressão como um risco concreto. Em entrevista à Agência Brasil, o diplomata José Cabañas Rodríguez, ex-embaixador em Washington, afirmou que o país mantém vigilância permanente sobre movimentações militares e considera diferentes formas de conflito, incluindo operações à distância. Segundo ele, a preparação para um eventual ataque integra a estratégia histórica de defesa nacional, centrada na mobilização interna.

No plano político, a resposta de Havana tem sido marcada por um discurso de firmeza. Em entrevista recente à televisão norte-americana, o presidente Miguel Díaz-Canel rejeitou qualquer legitimidade para uma ação militar dos Estados Unidos e advertiu que uma invasão teria custos elevados e impacto direto na estabilidade regional. O líder cubano afirmou que, diante de um cenário extremo, o país reagirá, enfatizando que a defesa da soberania é um princípio inegociável.

A retórica adotada por ambos os lados evidencia o aprofundamento de uma crise que combina pressão econômica, isolamento diplomático e ameaças militares. Sem sinais concretos de distensão, o impasse amplia a incerteza sobre os rumos da relação bilateral e seus efeitos para o equilíbrio geopolítico no continente.

Em comunicado difundido à imprensa local na terça-feira (14), o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, rebateu as ameaças afirmando que elas visam “criar confusão para continuar impedindo a entrada de combustível em território cubano”.

Segundo Rodríguez Parrilla, “Cuba tem o pleno direito de comercializar combustível com qualquer outra nação, sem obstáculos, condições ou questionamentos contrários à liberdade de comércio internacional”.

“Da mesma forma, todo país tem o direito de exportar combustível para Cuba e desenvolver relações comerciais, sem a interferência de uma potência estrangeira”, acrescentou o chanceler cubano.

O diplomata enfatizou que “as últimas declarações contraditórias do governo dos Estados Unidos têm o objetivo de criar confusão para continuar impedindo a entrada de combustível em território cubano”.

“O bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos demonstra sua natureza extraterritorial, intimida, pressiona e extorque aqueles que comercializam soberanamente com Cuba”, completou.

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