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Netanyahu e sionistas tentam lucrar com as 15 mortes do atentado terrorista de domingo
Publicado em 16/12/2025 12:18 - Opera Mundi
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O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou ontem (15) não haver qualquer vínculo entre o reconhecimento do Estado da Palestina e o atentado terrorista que deixou 15 mortos e 40 feridos durante uma celebração judaica em Bondi Beach, no subúrbio de Sydney.
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Após a tragédia, Netanyahu afirmou que a decisão da Austrália de reconhecer a Palestina como Estado soberano, anunciada no início deste ano, teria “jogado combustível” sobre um suposto “fogo antissemita”.
Em entrevista à emissora pública Australian Broadcasting Corporation (ABC), Albanese disse que a política externa de Canberra está alinhada com uma posição amplamente adotada pela comunidade internacional. “E, de forma esmagadora, a maior parte do mundo reconhece a solução de dois Estados como o caminho a seguir no Oriente Médio”, afirmou.
“Estas foram 24 horas extraordinariamente traumáticas. Meu trabalho é dar apoio à comunidade judaica e deixar claro que os australianos, em sua grande maioria, estão ao lado da comunidade judaica neste momento difícil”, complementou.
A Austrália formalizou o reconhecimento do Estado da Palestina em setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, juntando-se a diversos países que adotaram a medida em meio ao crescente questionamento internacional sobre a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza.
O premiê australiano também rechaçou discursos que tentam vincular o massacre à imigração muçulmana, destacando que, durante o ataque, um homem muçulmano conseguiu derrubar um dos agressores e desarmá-lo. A ação foi considerada decisiva para evitar um número ainda maior de vítimas.
Líderes muçulmanos na Austrália recusam velório para atirador
Líderes muçulmanos em Sydney, na Austrália, declararam que não realizarão o velório de Sajid Akram, um dos atiradores responsáveis pelo ataque contra um evento judaico na praia de Bondi, segundo o jornal britânico Daily Mail.
Após o ataque Akram, de 50 anos, foi baleado e morto pelas autoridades. Contudo, Dr. Jamal Rifi, líder islâmico na capital australiana, disse que sua comunidade religiosa não considera Akram e o outor atirador, seu filho, Naveed Akram, de 24 anos, como muçulmanos.
“O que eles fizeram não é tolerado por nenhum de nós e consiste na morte de civis inocentes. Sabemos que isso está escrito em nosso livro [Alcorão]: matar um civil inocente é o mesmo que matar toda a humanidade”, declarou ele.
Assim, a comunidade muçulmana da Austrália rejeitou o recebimento do corpo de Sajid e disse que não realizará um velório. Já Naveed permanece hospitalizado sob custódia policial após ter sido baleado por policiais que responderam ao ataque.
Segundo Rifi, a comunidade muçulmana reagiu da mesma forma após um homem fazer 18 reféns em Sydney, em 2014. “Quando o agressor morreu, nos perguntaram se deveríamos receber o corpo dele, mas recusamos. Abstivemo-nos de realizar os rituais fúnebres e nos recusaríamos a aceitá-lo em qualquer seção muçulmana do cemitério de Rookwood [um dos maiores da capital australiana. E faríamos exatamente o mesmo com essas pessoas”, declarou, citado pelo Daily News.
Segundo o periódico, o Conselho Nacional de Imãs da Austrália também condenou o ataque. “Nossos corações, pensamentos e orações estão com as vítimas, suas famílias e todos aqueles que testemunharam ou foram afetados por este ataque profundamente traumático”, declarou.
“Este é um momento para todos os australianos, incluindo a comunidade muçulmana australiana, se unirem em solidariedade, compaixão e união”, finalizou a organização.
Islamofobia após ataque
Após o ataque, o Daily Mail também registrou que diversas cabeças de porcos foram colocadas em túmulos muçulmanos em um cemitério a oeste de Sydney.
Ahmad Hraichie, empresário muçulmano do ramo funerário, classificou o ato no cemitério de Narellan, em Camden, como “insensato e odioso”.
“Para quem fez isso: você demonstrou nada além de ódio. Você não é a solução para nenhum problema; você faz parte do problema”, declarou Hraichie. “Isso é pura estupidez . Não resolve nada. Só alimenta a raiva, a dor e a divisão. Não precisamos de mais pessoas enfurecidas e inflamadas por ações covardes como essa”, enfatizou.
Hraichie enfatizou que os túmulos profanados não têm relação com os eventos atuais: “essas pessoas nessas sepulturas já estavam mortas muito antes do que aconteceu ontem. Elas não têm nada a ver com os acontecimentos atuais”.
O responsável ainda reiterou que esses são “lugares de descanso, dignidade e respeito para todas as religiões e para toda a humanidade”.
“Se você quer paz, este não é o caminho. Se você quer justiça, este não é o caminho. Você só está demonstrando falta de humanidade”, declarou ao periódico britânico.
Muçulmano desarmou atirador
O homem que aparece em imagens desarmando um dos atiradores envolvidos no ataque antijudaico na praia de Bondi foi identificado como Ahmed al Ahmed, de 43 anos.
De acordo com a imprensa internacional, Ahmed é muçulmano, dono de uma frutaria e pai de dois filhos. Ele foi aclamado como herói após interceptar um dos atiradores durante o atentado.
Nas imagens, Ahmed aparece agachado atrás de um carro, próximo a um dos atiradores. Ele se aproxima, surpreende o suspeito por trás e inicia uma rápida disputa corporal. Em seguida, consegue tomar a arma e imobilizá-lo.
Depois, o suspeito se afasta lentamente enquanto Ahmed mantém o controle da arma. Outras imagens que circulam nas redes sociais mostram Ahmed sentado no chão após o confronto, após ter sido ferido a tiros pelo segundo terrorista.
O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, afirmou que a cena é a “mais inacreditável” que já viu e classificou Ahmed como herói.
“Um homem caminhando em direção a um atirador que havia disparado contra a comunidade e, sozinho, desarmando-o, colocando a própria vida em risco para salvar inúmeras outras pessoas. Aquele homem é um verdadeiro herói, e não tenho dúvidas de que muitas pessoas estão vivas nesta noite graças à sua bravura”, declarou.
O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul classificou o episódio como “um ato de violência covarde e aterrador” e afirmou que o alvo era a comunidade judaica. “O que deveria ter sido uma noite de paz e celebração foi destruído por um ataque cruel e horrível”, afirmou.
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