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Mundo
Relatório de ONG cita 'uso sistemático' da violência, aponta The New York Times
Publicado em 11/05/2026 9:29 - Semana On
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Palestinos detidos por forças israelenses relataram ao jornal norte-americano The New York Times uma série de episódios de violência sexual e tortura ocorridos em prisões, centros de detenção e instalações de interrogatório de Israel. As denúncias, que também foram encaminhadas à Organização das Nações Unidas por entidades de direitos humanos, envolvem acusações contra soldados, agentes penitenciários, colonos israelenses e integrantes do Shin Bet, o serviço de segurança interna do país.
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Segundo a reportagem, o jornal ouviu 14 homens e mulheres palestinos que afirmam ter sofrido agressões sexuais durante o período de detenção. Os relatos apontam para práticas recorrentes de humilhação, espancamentos, nudez forçada e violência física com conotação sexual, atribuídas principalmente a agentes do sistema prisional israelense.
Entre os depoimentos reunidos está o do jornalista palestino Sami al-Sai, de 46 anos, preso em 2024. Ele afirma que foi submetido a agressões logo após ser levado para uma cela. Em entrevista ao The New York Times, descreveu ter sido espancado por vários agentes enquanto estava imobilizado.
“Eles estavam todos me batendo, e um pisou na minha cabeça e no meu pescoço”, relatou.
Al-Sai afirma que os guardas o despiram à força e tentaram violentá-lo com um cassetete de borracha enquanto permanecia contido. Segundo o jornalista, a agressão continuou apesar de sua resistência física.
“Eles estavam tentando forçar isso no meu reto, e eu estava me segurando para impedir, mas não consegui. Foi tão doloroso”, disse.
O palestino também relatou ter ouvido agentes rindo durante as agressões. Em determinado momento, segundo ele, alguém teria ordenado o uso de outro objeto. “Então ouvi alguém dizer: ‘Tragam as cenouras’. Foi extremamente doloroso. Eu estava rezando para morrer”, afirmou.
Ainda de acordo com o depoimento, havia indícios de que a sessão de violência poderia estar sendo registrada. Al-Sai contou ter permanecido algemado no chão enquanto os agentes faziam uma pausa. “Eu percebi que era a pausa para o cigarro deles”, declarou.
O governo israelense rejeita as acusações. O serviço prisional do país afirmou negar “categoricamente” qualquer alegação de abuso sexual contra detentos palestinos. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou as denúncias como “acusações infundadas”, segundo o texto publicado pelo jornal norte-americano. Já o Ministério da Segurança Nacional israelense se recusou a comentar o conteúdo das denúncias.
As acusações ganharam novo peso após a divulgação de relatórios produzidos por organizações internacionais de direitos humanos. Um documento do Euro-Med Human Rights Monitor concluiu haver um padrão “sistemático” de violência sexual praticada por forças israelenses contra palestinos detidos.
“As forças israelenses empregam sistematicamente estupro e tortura sexual para humilhar detentas palestinas”, afirma o relatório citado pelo The New York Times.
A reportagem também relembra um episódio ocorrido em 2024, quando nove soldados reservistas israelenses foram detidos após a circulação de um vídeo que, segundo investigadores, mostraria abusos contra um prisioneiro oriundo da Faixa de Gaza. O caso provocou reações políticas dentro de Israel. Manifestantes e aliados de Netanyahu protestaram em defesa dos militares investigados.
As acusações contra os soldados acabaram retiradas em março, permitindo que os reservistas retornassem ao serviço. O arquivamento foi celebrado publicamente por Netanyahu, que declarou que o Estado israelense deveria concentrar seus esforços em combater inimigos externos, e não processar integrantes de suas forças de segurança.
“O Estado de Israel deve caçar seus inimigos e não seus combatentes heroicos”, afirmou o premiê.
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