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Mundo

ONU conclui que Israel comete genocídio em Gaza e pede embargo internacional

64 mil palestinos já foram mortos: 60% das vítimas eram mulheres e crianças

Publicado em 16/09/2025 11:11 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Pela primeira vez, um órgão oficial das Nações Unidas reconheceu formalmente que Israel cometeu genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza. A acusação foi apresentada nesta terça-feira (16) pela Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que investigou os eventos desde a ofensiva do Hamas em outubro de 2023.

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A Comissão afirma que o governo de Israel agiu de forma deliberada com o objetivo de destruir, no todo ou em parte, o povo palestino em Gaza. O relatório — um documento de mais de 70 páginas obtido pelo jornalista Jamil Chade — detalha crimes que incluem assassinatos em massa, fome forçada, destruição de infraestrutura civil e uso sistemático da violência sexual como arma de guerra.

A investigação surge em um contexto de devastação sem precedentes. Desde a resposta militar israelense ao ataque do Hamas — que deixou cerca de 1.400 israelenses mortos — já foram registrados mais de 64 mil palestinos mortos, segundo a Comissão. Entre março e julho de 2025, 60% das vítimas eram mulheres e crianças, indicando, segundo o relatório, um padrão de ataques deliberadamente voltados contra civis.

Israel rejeitou as acusações, acusando a ONU de promover uma “manobra política” e insistindo que o Hamas usa a população civil como escudo humano.

Quatro dos cinco atos definidos como genocidas

A Comissão concluiu que Israel cometeu ao menos quatro dos cinco atos considerados genocidas pela Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948:

– Assassinato de membros do grupo;

– Causar danos físicos ou mentais graves;

– Imposição deliberada de condições de vida incompatíveis com a sobrevivência do grupo;

– Adoção de medidas para impedir nascimentos dentro do grupo.

Essas ações, afirma o relatório, foram conduzidas com a intenção específica de destruir a população palestina da Faixa de Gaza, algo evidenciado tanto pelas declarações públicas de líderes civis e militares israelenses quanto pelo padrão contínuo de operações militares.

Autoridades israelenses são diretamente responsabilizadas

A Comissão responsabiliza diretamente as mais altas autoridades israelenses pela condução e manutenção do que chama de “campanha genocida”. Entre os nomes citados estão:

– Isaac Herzog, presidente de Israel;

– Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro;

– Yoav Gallant, então ministro da Defesa.

Segundo a presidente da Comissão, a sul-africana Navi Pillay, “os crimes atrozes foram orquestrados nos mais altos escalões do governo israelense” e indicam a existência de uma intenção genocida clara e documentada.

“Israel é responsável pela prática, pela falha em prevenir e pela impunidade diante do genocídio cometido em Gaza”, afirmou Pillay. “Cada dia de inação internacional custa vidas e corrói a credibilidade da comunidade internacional.”

Relato de crimes de guerra e violações sistemáticas

O relatório da Comissão também documenta uma série de outras violações graves do direito internacional humanitário, entre elas:

– Bloqueio total à ajuda humanitária, levando à fome generalizada;

– Destruição sistemática de hospitais, escolas e infraestrutura básica;

– Ataques a locais religiosos e culturais;

– Violência sexual e de gênero como instrumento de guerra;

– Assassinatos e mutilações de crianças;

– Desrespeito reiterado às ordens da Corte Internacional de Justiça (CIJ).

A Comissão afirma que o padrão de destruição e cerco imposto por Israel não se trata de efeito colateral da guerra, mas de uma estratégia deliberada que persiste há quase dois anos, apesar de alertas e condenações internacionais.

Pedido de embargo de armas e responsabilização internacional

Diante das conclusões, a Comissão da ONU pede:

– Embargo internacional imediato de armas a Israel;

– Fim do cerco à Faixa de Gaza e garantia de acesso irrestrito à ajuda humanitária;

– Dissolução da Fundação Humanitária de Gaza, acusada de operar sob pretexto humanitário para fins militares;

– Que empresas e indivíduos estrangeiros deixem de prestar apoio direto ou indireto à campanha militar israelense;

– Que todos os países cumpram sua obrigação legal de prevenir e punir o genocídio, inclusive com ações diplomáticas, judiciais e comerciais.

“A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio”, alerta Pillay. “A omissão diante de um genocídio equivale à cumplicidade.”

Contexto internacional e repercussões

A divulgação do relatório acontece a poucos dias da abertura da Assembleia Geral da ONU, onde a questão palestina ocupará posição central na pauta. O momento é ainda mais tenso diante da visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a Israel, como gesto de apoio ao governo Netanyahu.

Vale lembrar que, embora esta seja a primeira vez que um mecanismo da ONU reconhece formalmente o genocídio por parte de Israel, organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch já haviam feito acusações similares anteriormente.

ONU endossa Declaração de Nova Iorque sobre solução de dois Estados entre Israel e Palestina

Na última sexta-feira (12), a Assembleia Geral da ONU endossou uma declaração sobre a solução pacífica da questão palestina e a implementação da solução de dois Estados com Israel.

A Declaração de Nova Iorque marca o desfecho de uma conferência internacional realizada em julho na sede da ONU, coordenada pela França e pela Arábia Saudita. O evento será retomado no final deste setembro.

Entre os 193 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU, 142 países votaram a favor de uma resolução que apoia o documento.

Israel votou contra, juntamente com Argentina, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau, Papua-Nova Guiné, Paraguai, Tonga e Estados Unidos. A votação teve 12 abstenções.

Momentos antes da votação, o embaixador francês, Jérôme Bonnafont, lembrou que a Declaração de Nova Iorque “estabelece um roteiro único para alcançar a solução de dois Estados”.

As medidas previstas envolvam um cessar-fogo imediato em Gaza, a libertação de todos os reféns e o estabelecimento de um Estado Palestino viável e soberano.

O roteiro também exige o desarmamento do movimento Hamas e sua exclusão da governança em Gaza, a normalização entre Israel e os países árabes, bem como garantias coletivas de segurança.

Em discurso feito antes da votação, o embaixador israelense junto à ONU, Danny Danon, afirmou que a “Declaração unilateral não será lembrada como um passo em direção à paz, apenas como mais um gesto vazio que enfraquece a credibilidade desta Assembleia”.

O representante de Israel afirmou que “o Hamas é o maior vencedor de qualquer adoção” naquele evento e o declarará “o fruto de 7 de outubro”.

A conferência internacional de alto nível em julho foi realizada no contexto do conflito em andamento em Gaza e da piora das perspectivas para a solução de dois Estados.

Na abertura da reunião, o secretário-geral, António Guterres, observou que “a questão central para a paz no Oriente Médio é a implementação da solução de dois Estados, onde dois Estados independentes, soberanos e democráticos – Israel e Palestina – convivam em paz e segurança”.

Países árabes pedem pressão sobre Israel após ataque em Doha

Líderes de quase 60 países árabes e islâmicos pediram a revisão das relações diplomáticas e econômicas com Israel, exigindo o fim imediato da guerra em Gaza.

A declaração foi divulgada ao fim de uma cúpula de emergência realizada em Doha, no Catar, após um ataque israelense na capital do país ter matado seis pessoas.

O encontro reuniu representantes da Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que congrega 57 Estados-membros. A cúpula foi convocada com urgência após Israel bombardear uma área residencial em Doha na semana passada, em uma operação direcionada a membros do Hamas. O ataque deixou seis mortos — entre eles, um oficial de segurança do Catar — e ao menos 18 feridos. Segundo o Hamas, seus líderes sobreviveram.

Na declaração final, os países participantes instaram a comunidade internacional a adotar “todas as medidas legais e eficazes possíveis” para frear a ofensiva israelense, incluindo:

– Revisão das relações diplomáticas e econômicas com Israel;

– Início de processos judiciais internacionais contra autoridades israelenses;

– Imposição de sanções econômicas e políticas;

– Embargo ao comércio de armas com Israel;

– Apoio à suspensão da filiação de Israel nas Nações Unidas.

Os líderes condenaram o que classificaram como “brutal agressão israelense contra o Catar”, além da continuidade de “crimes de genocídio, limpeza étnica e uso da fome como arma de guerra”, criticando também os assentamentos ilegais e as políticas expansionistas israelenses, vistas como obstáculos a qualquer solução de paz duradoura.

Ataque em meio a negociações

O ataque israelense ocorreu enquanto avançavam negociações sobre um possível cessar-fogo e a libertação de reféns, mediadas pelo próprio Catar. A operação foi amplamente condenada por líderes internacionais e contribuiu para o agravamento da tensão diplomática no Oriente Médio.

Em resposta às críticas, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu defendeu as ações de seu governo, durante uma coletiva ao lado do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Jerusalém.

“É direito de todo país se defender, inclusive além de suas fronteiras, contra aqueles que ameaçam seus cidadãos”, disse Netanyahu. “Ninguém criticou os Estados Unidos por perseguirem a Al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão após o 11 de Setembro. As críticas a Israel são de um cinismo e hipocrisia imensos.”

Netanyahu também reconheceu, pela primeira vez, que Israel enfrenta o risco de isolamento internacional e sanções econômicas, atribuindo essa pressão a movimentos antissionistas na Europa e à atuação de países como o Catar nas redes sociais.

“Isso está mudando a posição de Israel no mundo. Podemos romper com esse isolamento, mas isso exige investimentos pesados em operações de influência na mídia e nas redes sociais”, afirmou o premiê.

EUA tentam equilibrar relação com o Catar

O secretário de Estado Marco Rubio minimizou a crise diplomática entre Israel e o Catar após o ataque em Doha. Em visita relâmpago prevista ao Catar nesta terça-feira, antes de seguir para Londres, Rubio afirmou que os EUA compreendem a reação do governo catariano, mas ressaltou a necessidade de manter o diálogo.

“Sabemos que o Catar não está satisfeito com o que aconteceu. Mas ainda há reféns, ainda há guerra. Precisamos continuar contando com o Catar e outros parceiros do Golfo para uma solução”, disse Rubio.

Impasse sobre reféns e cessar-fogo

Tanto Netanyahu quanto Rubio reafirmaram que a única forma de encerrar o conflito seria pela eliminação do Hamas e a libertação dos 48 reféns ainda mantidos na Faixa de Gaza — dos quais Israel acredita que cerca de 20 ainda estejam vivos.

O Hamas, por sua vez, condiciona qualquer acordo à libertação de prisioneiros palestinos, a um cessar-fogo duradouro e à retirada total das forças israelenses de Gaza. As posições opostas continuam frustrando expectativas de uma resolução a curto prazo.

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