28/05/2024 - Edição 540

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ONU, Brasil e UE pedem investigação sobre morte de opositor de Maduro

Publicado em 09/10/2018 12:00 -

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O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, a União Europeia e o governo brasileiro pediram na última terça-feira (9) uma "investigação transparente" sobre as circunstâncias da morte do vereador opositor venezuelano Fernando Albán, que, segundo autoridades da Venezuela, se suicidou na prisão.

"Fernando Albán estava detido pelo Estado. O Estado tinha a obrigação de garantir sua segurança, sua integridade pessoal (…). Nós pedimos uma investigação transparente para esclarecer as circunstâncias de sua morte", já que existem "informações contraditórias sobre o que aconteceu", declarou uma porta-voz do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani, em uma entrevista coletiva em Genebra.

Para o governo governo brasileiro o caso levanta "legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação", segundo nota do Itamaraty. 

"Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán", afirmou o comunicado do escritório da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que também pediu que Caracas liberte "todos os presos políticos".

Fernando Albán, do partido opositor Primeiro Justiça, morreu na segunda-feira (8) na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin, a polícia política do regime).

​Ele estava na carceragem do prédio em Caracas desde o último dia 5, quando foi preso no aeroporto internacional de Maiquetía, que serve à capital, ao tentar sair do país.

Segundo o procurador-geral, Tarek William Saab, aliado de Maduro, o vereador se matou ao se atirar da janela de um banheiro. Na versão de Saab, Albán pediu para ir ao cômodo antes de sair para uma audiência de custódia.

Horas depois, o ministro da Justiça, Néstor Reverol, que responde pelo Sebin, também mencionou o suicídio, mas declarou que o vereador havia se atirado de uma sala de espera do prédio, e não de um banheiro.

Albán era uma das mais de 20 pessoas presas acusadas de ter explodido dois drones no centro de Caracas enquanto o ditador participava de um evento militar. Maduro acusa a Colômbia e os EUA de terem ajudado a planejar a ação.

O advogado do opositor, Joel García, criticou o regime por ter qualificado rapidamente a morte como suicídio. “A primeira coisa que qualquer órgão policial deve dizer é que há uma investigação. Pode ser suicídio, pode ser homicídio.”

O partido do vereador, porém, chamou a morte de assassinato. “Exigimos a verdade das coisas e declaramos que esta dolorosa situação é demonstração do pior da ditadura”, disse o Primeiro Justiça, em comunicado.

Amigo e correligionário de Albán, o ex-presidente da Assembleia Nacional Julio Borges colocou em dúvida a versão do regime. “A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán. Sua morte não vai ficar impune”, disse o deputado, que está exilado em Bogotá e também é acusado de participar do suposto atentado. ​


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