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O que é a Nakba palestina?

O dia 15 de maio marca a data em que quase 800 mil palestinos foram expulsos de suas terras pelo sionismo

Publicado em 15/05/2025 2:18 - DW e Semana On

Divulgação Reprodução

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A política de limpeza étnica promovida pelo Estado de Israel contra as populações palestinas exiladas na faixa de Gaza e na Cisjordânia reforçam neste dia 15 de maio a recordação da “Nakba” – termo pelo qual ficou conhecido o êxodo palestino ocorrido após a criação do Estado de Israel, em 1948, e durante e após a guerra entre israelenses e árabes que começou naquele mesmo ano.

A palavra árabe Nakba significa catástrofe ou desastre. Em relação ao conflito israelo-palestino, o termo Nakba ou al-Nakba se refere ao êxodo palestino durante e após a guerra árabe-israelense de 1948. Estima-se que cerca de 700 mil palestinos tenham fugido ou sido forçados a deixar suas casas no que hoje é Israel e nos territórios palestinos. A Nakba lembra ainda que muitos refugiados palestinos no exterior permanecem apátridas até hoje.

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O que é o Dia da Nakba?

Em 15 de maio de 1948, um dia depois da declaração de independência do Estado de Israel, cinco exércitos árabes atacaram o novo país. A data marca, assim, o início da guerra árabe-israelense e há muito tempo é um dia em que os palestinos protestam contra a expulsão de suas terras. Muitos carregam bandeiras palestinas, trazem as chaves de suas antigas casas ou erguem faixas com a imagem de chaves, simbolizando a esperança pelo retorno e pelo seu direito de retornar ao lar do qual foram expulsos.

O termo Dia da Nakba foi cunhado em 1998 pelo então líder palestino, Yasser Arafat. Ele estabeleceu a data como dia oficial para lembrar a perda da pátria palestina.

Por que os palestinos foram expulsos de suas terras?

Até o fim da Primeira Guerra Mundial, o território palestino estava sob domínio turco, como parte do Império Otomano. Com o fim do conflito, a Palestina histórica passou a ser controlada pelo Reino Unido, no chamado Mandato Britânico da Palestina. A administração civil britânica funcionou de 1920 a 1948.

Especialmente durante esse período, caracterizado pelo crescente antissemitismo na Europa, um número cada vez maior de judeus de todo o mundo mudou-se para a terra que, para eles, era Eretz Israel, a Terra Prometida da Bíblia e a pátria de seus ancestrais, onde os judeus sempre viveram, embora em menor número. No entanto, milhares de palestinos viviam na região desde os tempos mais remotos. Desde o início da chegada dos sionistas à região (entenda a diferença entre judaísmo e sionismo) teve início uma política de expulsão dos palestinos de suas terras ancestrais, com o objetivo de abrir espaço aos judeus europeus que chegavam em grande número da Europa devastada pela guerra.

Sob a impressão do Holocausto na Alemanha nazista, a Assembleia Geral da ONU adotou um plano de divisão para o Mandato Britânico da Palestina em 1947. A Liga Árabe rejeitou o plano. A Agência Judaica para a Palestina (autoridade para a comunidade judaica na Palestina antes da fundação do Estado de Israel) o aceitou, e o Estado de Israel foi proclamado em 14 de maio de 1948.

Em reação, uma coalizão de cinco estados árabes declarou guerra a Israel, mas foi derrotada militarmente pelo jovem estado em 1949. Antes da guerra, de 200 mil a 300 mil palestinos já haviam sido expulsos pelos sionistas. A eles se somaram outros 300 mil ou 400 mil durante e após os combates. O número total de pessoas obrigadas a deixar suas casas, bens e tradições é estimado em cerca de 700 mil.

Durante a guerra, mais de 400 vilarejos árabes foram destruídos e violações dos direitos humanos foram cometidas por ambos os lados. O massacre de Deir Yassin – um vilarejo na estrada entre Tel Aviv e Jerusalém – efetuado por forças sionistas, continua sendo uma parte importante da memória palestina. Pelo menos cem pessoas foram mortas, incluindo mulheres e crianças. O massacre aumentou o medo entre muitos palestinos e fez com que muitos outros fugissem.

No final da guerra, Israel possuía cerca de 40% do território que havia sido destinado aos palestinos no plano de partição da ONU de 1947, mas que já era de sua propriedade a séculos.

Para onde eles foram?

Na época, a maioria dos palestinos acabou como refugiados apátridas na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e nos países árabes vizinhos, sendo que apenas uma minoria foi para outros lugares. Até hoje, apenas uma parcela das gerações seguintes de palestinos na região solicitou ou recebeu uma outra cidadania. Como resultado, a maioria dos cerca de 6,2 milhões de palestinos no Oriente Médio é apátrida até a terceira ou quarta geração.

Onde os palestinos vivem hoje?

De acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), a maioria dos palestinos da região ainda vive em campos de refugiados que, com o tempo, se transformaram em cidades de refugiados. Os descendentes de refugiados palestinos vivem hoje principalmente na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada, no Líbano, na Síria, na Jordânia e em Jerusalém Oriental.

Estima-se que a diáspora palestina fora do Oriente Médio tenha crescido para cerca de 6 milhões a 7 milhões de pessoas. Se isso for verdade, o número total de palestinos no mundo seria de cerca de 13 milhões de pessoas. No entanto, não há nenhum órgão oficial que registre de forma confiável o número de palestinos na diáspora. Assim, não há dados precisos disponíveis.

Existe um direito de retorno?

De acordo com a Resolução 194 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 1948 e a Resolução 3.236 de 1974, bem como a Convenção da ONU relativa ao Estatuto dos Refugiados adotada em 1951, os palestinos que são considerados refugiados palestinos têm “direito de retorno” a suas terras.

Israel, por outro lado, rejeita o direito de retorno dos palestinos e de seus descendentes, argumentando que isso significaria o fim da identidade de Israel como um “Estado judeu”. Israel também rejeita qualquer responsabilidade pela fuga ou expulsão dos palestinos e lembra que, entre 1948 e 1972, cerca de 800 mil judeus foram expulsos ou tiveram que fugir de países árabes, como Marrocos, Iraque, Egito, Tunísia e Iêmen. Como se um crime justificasse outro.

Existem soluções à vista?

Nos últimos 76 anos, houve várias abordagens para resolver o conflito israelense-palestino. A mais significativa continua sendo a solução de dois Estados, que prevê um futuro Estado da Palestina ao lado do Estado de Israel e dividiria Jerusalém em duas capitais. Entretanto, há uma resistência maciça de ambos os lados – especialmente do lado israelense. O número crescente de assentamentos judaicos ilegais na Cisjordânia ocupada, entre outras coisas, é uma das estratégias de Israel para impossibilitar um território palestino contíguo como base de um futuro Estado.

Também há sugestões de haver um reconhecimento do status de refugiado por Israel e uma compensação aos palestinos, mas sem retorno às suas terras, ou de um reassentamento limitado, ou até um sistema de dois passaportes em um único Estado.

O ataque terrorista do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e a subsequente guerra em Gaza, são apenas mais dois capítulos sangrentos de uma história de injustiças, fundamentalismo religioso (de ambos os lados) e racismo.

Um judeu contra o sionismo


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