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Mundo
Publicado em 21/07/2017 12:00 -
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A onda de protestos contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro atingiu nesta sexta-feira (21) a marca de 103 mortos, após a confirmação de que cinco pessoas morreram durante a greve geral de 24 horas que começou às 6h da manhã de quinta-feira (20). Segundo o Ministério Público, as mortes ocorreram nas cidades de Valencia e Los Teques (no norte) e no Estado de Zulia (noroeste) e as causas não foram esclarecidas.
Maduro enfrenta há quatro meses uma onda de protestos que exige a sua saída e rechaça a eleição, marcada para 30 de julho, de uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna venezuelana.
Dirigentes da oposição avaliaram que a greve teve 85% de adesão. "Demos um novo sinal contundente, o povo mostrou que não vai ficar de joelhos", disse o líder opositor Henrique Capriles.
O governo assegurou que as indústrias básicas e os setores petroleiro, energético e a administração pública trabalharam a 100%, e só reconheceu falhas no serviço de ônibus urbanos que, segundo ele, funcionaram a 90%.
A greve contou com o apoio da cúpula empresarial, de câmaras de comércio e indústria, de parte dos sindicatos, de estudantes e funcionários dos transportes. Já o governo controla a estratégica indústria petroleira e o setor público, com quase três milhões de empregados.
Confrontos entre as forças de segurança e manifestantes foram relatados durante a paralisação em Caracas e em outras cidades, com um saldo de 261 detidos, especialmente na capital e nos estados de Zulia, Nueva Esparta e Carabobo, de acordo com a ONG Foro Penal.

Oposição
A oposição venezuelana nomeou nesta sexta-feira (21) no Parlamento, onde é maioria, uma Suprema Corte paralela em sua ofensiva para forçar o presidente Nicolás Maduro a suspender a eleição de uma Assembleia Constituinte.
"Vamos manter a pressão. Nomearemos os juízes e, no sábado (22), retornaremos às ruas. A próxima semana será crucial para a mudança na Venezuela e para revertermos essa falsa Constituinte", declarou o deputado opositor Freddy Guevara.
Na quinta-feira, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) declarou nulo esse processo por considerar que o Congresso continua em "desacato" desde que a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) assumiu em janeiro de 2016. "Qualquer um que assumir indevidamente funções públicas –civis, ou militares–, será culpado do crime de usurpação", declarou o TSJ.
O líder chavista Diosdado Cabello, candidato à Assembleia Constituinte, ameaçou prender os "usurpadores" após a eleição da Constituinte.
"A ditadura nos acusa de montar um 'Estado paralelo'. Quem usurpou as funções do Parlamento? Nós somos o Estado constitucional", disse Guevara.
A oposição está animada pelos 7,6 milhões de votos obtidos no plebiscito simbólico organizado no domingo (16) contra a Assembleia Constituinte, cujos 545 membros serão eleitos em 30 de julho. Os opositores devem boicotar a Constituinte, argumentando que não foi convocada por meio de referendo e que seu sistema eleitoral é "fraudulento".
Maduro enfrenta também uma forte pressão internacional. Governos da América Latina, a União Europeia e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediram que o presidente retire o projeto de Constituinte.
A cúpula do Mercosul, bloco integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, pretende exigir nesta sexta que Maduro desista do projeto.
Em meio às tensões, o diplomata venezuelano nas Nações Unidas, Isaías Medina, renunciou ao posto, ao denunciar as violações dos direitos humanos em seu país.
Temer
Em sua intervenção na manhã desta sexta-feira na Cúpula do Mercosul, em Mendoza, o presidente brasileiro, Michel Temer (PMDB-SP), que assume a Presidência pro tempore do bloco, disse que considera "natural e saudável" que existam na região "governos de diferentes inclinações políticas", mas que "é fundamental que se observe o primado do Estado democrático de Direito". Temer acrescentou que, por isso, acompanha com grande preocupação a situação na Venezuela. "Somos sensíveis à deterioração do quadro político-institucional, às carências sociais que, nesse país amigo, ganham contornos de crise humanitária", disse.
Ele reforçou que não há espaço, na América do Sul, para prisões arbitrárias, medidas de repressão política e atos incompatíveis com os preceitos democráticos. "Já não há mais espaço para governos indiferentes à sorte de seu povo", afirmou Temer.
Por fim, o presidente concluiu dizendo que "nossos chanceleres reconheceram formalmente a ruptura da ordem democrática na Venezuela".
"Nossa mensagem é clara: conquistamos a democracia, em nossa região, com grande sacrifício, e não nos calaremos, não nos omitiremos frente a retrocessos", afirmou.
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