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ONU denuncia tortura contra palestinos presos em Israel
Publicado em 01/08/2024 9:56 - Leonardo Sakamoto (UOL), DW – Edição Semana On
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O governo Benjamin Netanyahu realizou ataque aéreo em Teerã, capital do Irã, matando Ismail Haniyeh, um dos líderes do Hamas, nesta quarta (31). É o terceiro ataque de Israel em capitais do Oriente Médio em pouco mais de três meses.
Tel Aviv já havia bombardeado Beirute, no Líbano, na terça (30), a fim de matar Muhsin Shukr, um dos chefes do grupo Hezbollah. E, em abril, atingiu o consulado do Irã em Damasco, na Síria, matando 16 pessoas, entre elas o comandante iraniano Mohammad Zahedi. Isso sem contar as 39,5 mil pessoas mortas em Gaza na vingança pelo ataque terrorista do Hamas.
Agora, imagine a reação dos Estados Unidos e da Otan se o Irã realizasse ataques em alvos em três capitais nesse pouco espaço de tempo ou praticasse um genocídio em um território sobre o qual exercesse domínio completo. O que nos lembra que Israel só faz o que faz porque conta com respaldo.
Se o ataque de abril já havia deixado parte do mundo de cabelo em pé diante da possiblidade de uma guerra regional, os dois bombardeios de ontem e hoje jogaram a temperatura lá no alto.
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse que o país está pronto para combate após o aiatolá Ali Khamenei prometer revidar. O governo Netanyahu tem dito que não quer guerra, mas que suas ações servem para garantir a segurança de seu território e que o Irã faz ataques por procuração, ou seja, envolvendo outros países e grupos. A questão é que ações diretas de países a capitais de outros países são recados diretos que geram consequências imprevisíveis.
O Tribunal Penal Internacional analisa o pedido do procurador-chefe Karim Khan, de prisão de Netanyahu, de Gallant, e de três líderes do grupo Hamas. O que não significa lá muita coisa neste momento, pois Israel vem rejeitando as ordens da Corte Internacional de Justiça, que havia mandado interromper os bombardeios sobre Gaza.
Sob a justificativa de atingir o Hamas pela morte de 1139 mortos, em 7 de outubro do ano passado, as Forças de Defesa de Israel vêm passando o trator sobre os palestinos. Corpos carbonizados, membros dilacerados, gente queimada urrando de dor esperando ou torcendo para morrer fazem parte do cenário, junto com doenças, como cólera, falta de água, de comida, de energia elétrica e de hospitais.
No início da vingança, Israel havia ordenado que milhões de palestinos se dirigissem ao Sul do território que estariam seguros, agora ataca exatamente esse local.
No afã de se manter longe da prisão, que é o local para onde ele pode ir ao deixar o governo devido às denúncias de corrupção, os ataques à Suprema Corte e sua incompetência em prever os ataques do Hamas, Netanyahu continua produzindo cenas de horror não se importando com a opinião pública internacional. Sabe que a guerra mantém seu apoio junto a grupos ultraconservadores de sua coalisão que o sustentam no poder.
Milhares de israelenses, principalmente famílias dos reféns levados pelo Hamas, protestam contra ele por estender o conflito e não conseguir traz seus entes queridos de volta. São reprimidos com violência na “maior democracia do Oriente Médio”.
Os Estados Unidos vêm tentando por panos quentes, pedindo para que o Irã seja comedido em sua resposta do último ataque. Até porque se uma guerra regional for deflagrada, o governo Joe Biden terá que sair em defesa de seu aliado o que pode gerar um rebosteio sem tamanho. Mas tudo é hipocrisia se os EUA não reverem o suporte a Netanyahu, o açougueiro de Gaza.
O governo do Irã, o Hezbollah, o Hamas, os Houthis, do Iêmen, veem Israel como inimigo a ser destruído. E o conflito é útil para muitos deles, pois fortalece sua posição e sua narrativa. A questão é que o conflito também é útil para o governo Netanyahu, pois fortalece sua posição e sua narrativa. A quem não interessa o conflito? Ao povo do Irã, do Líbano, da Síria, do Iêmen, de Israel e, principalmente, de Gaza.
ONU denuncia tortura contra palestinos presos em Israel
O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos apontou na terça-feira (31/07) que milhares de prisioneiros palestinos capturados desde o ano passado seguem detidos sem Israel sem processos judiciais e que muitos são sujeitos a atos de tortura e maus tratos.
“Os detidos relatam que estiveram presos em jaulas. Foram mantidos nus durante longos períodos de tempo apenas com fraldas. Os testemunhos indicam que lhes foram vendados os olhos e que foram privados de alimentos, água, impedidos de dormir e sujeitos a descargas elétricas e a queimaduras com cigarros”, aponta um relatório divulgado pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
O documento acrescenta que ocorreram situações em que os prisioneiros foram deliberadamente atacados por cães e que outros foram vítimas de simulação de afogamento ou pendurados com as mãos presas ao teto. O relatório denuncia também casos de violência sexual e de gênero contra homens e mulheres palestinos.
O documento ainda destaca que milhares de palestinos – incluindo médicos, pacientes, moradores e combatentes presos – foram levados de Gaza para Israel, “geralmente algemados e vendados”, e outros milhares foram presos na Cisjordânia. “Normalmente eram detidos secretamente, sem saber o motivo da sua detenção e sem acesso a advogado ou controle judicial”, segundo o documento.
“Os testemunhos reunidos pelo meu gabinete e por outras entidades indicam uma série de atos atrozes”, frisou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. Para ele, os dados recolhidos constituem “violação flagrante do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”.
A ONU indica que a maioria dos civis, entre os quais jornalistas, ativistas de direitos humanos ou pessoal médico, estão detidos arbitrariamente sem qualquer processo judicial ou acesso a advogados de defesa.
Ao menos 53 prisioneiros de Gaza e da Cisjordânia morreram detidos em Israel desde 7 de outubro, de acordo com o relatório, que cobre um período entre essa data e 30 de junho.
Órgão da ONU também acusa Hamas
Em 7 de outubro, teve início a atual guerra que Israel trava na Faixa de Gaza, um enclave palestino superpopuloso que era governado pelo grupo Hamas. O conflito teve como estopim uma ofensiva terrorista lançada pelo Hamas que resultou na chacina de 1.197 pessoas em Israel. O Hamas ainda sequestrou 251 pessoas.
O relatório da ONU também cobre a situação dos reféns israelenses. Segundo o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos, Jeremy Laurence, relatos de reféns feitos pelo Hamas e outros grupos armados palestinos também descrevem condições terríveis de cativeiro, incluindo falta de comida, água, más condições sanitárias e falta de ar fresco e luz solar. Também foram registrados relatos de violência sexual e de gênero.
Prisão de soldados israelenses provocou fúria entre a ultradireita
No início desta semana, uma denúncia de tortura contra um prisioneiro palestino ganhou destaque após a detenção de nove soldados israelenses. Não foram fornecidos detalhes sobre as alegações de tortura que envolvem os soldados detidos, mas um advogado que representa três dos militares disse que eles estavam sendo interrogados por suspeita de abuso sexual grave de um prisioneiro palestino, que seria um combatente do grupo terrorista Hamas.
Vários meios de comunicação israelenses informaram que o prisioneiro havia sido hospitalizado e passado por uma cirurgia após sofrer uma lesão grave no ânus três semanas atrás.
A divulgação da investigação e a posterior detenção dos soldados provocou uma onda de fúria entre a ultradireita israelense. Na segunda-feira, uma multidão formada por ativistas e políticos ultranacionalistas invadiu duas bases do Exército para exigir a soltura de nove soldados que foram detidos pela polícia militar no âmbito do caso.
O primeiro alvo dos manifestantes foi a base de Sde Teiman, no sul do país, que vem sendo usada como prisão para palestinos capturados na guerra que o país trava na Faixa de Gaza. Entre os invasores, segundo o jornal Haaretz, estavam dois deputados e um ministro do governo de Benjamin Netanyahu.
Horas depois, no entanto, foi a vez de um segundo grupo de centenas de manifestantes, alguns usando máscaras, invadir a base de Beit Lid, na região central do país, onde estão sediados os tribunais militares e a sede da polícia militar de Israel – e para onde os suspeitos foram levados para interrogatório.
Vários manifestantes conseguiram entrar na sede do tribunal. O grupo, de acordo com o jornal Harretz, incluía pelo menos três deputados, entre eles um membro do Likud, o partido de Netanyahu.
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