Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mundo
Nobel de Economia defende impeachment do presidente americano
Publicado em 10/07/2025 11:47 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
A escalada autoritária de Donald Trump ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos e provocou uma resposta contundente de lideranças europeias. Em reação à tarifa de 50% imposta contra o Brasil, anunciada em uma carta que questiona a legitimidade das eleições brasileiras e cita o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, a deputada alemã Anna Cavazzini, uma das vozes mais influentes do Parlamento Europeu em temas comerciais, classificou a medida como um “choque de brutalidade” e um “abuso flagrante de poder”. Em suas palavras, “as luvas foram retiradas”.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
A declaração da vice-presidente da Delegação do Brasil no Parlamento Europeu e representante do comitê de relações comerciais entre UE e EUA não poderia ser mais direta: “O presidente Trump está demonstrando que sua política tarifária não se trata de ganhos econômicos, mas de pura coerção a serviço de suas próprias crenças políticas”. A fala marca um momento de tensão internacional, em que os princípios do multilateralismo, do comércio justo e da soberania nacional voltam a ser desafiados por uma retórica nacional-populista.
A ação de Trump, que se coloca mais uma vez como figura central no cenário geopolítico mesmo fora do cargo, reverbera como um ataque indireto à democracia brasileira. Ao vincular sanções econômicas ao andamento de processos judiciais contra Bolsonaro e à atuação do Brasil contra o discurso de ódio nas redes sociais, o ex-presidente americano adota uma lógica de política externa que remonta à doutrina da “América para os americanos”, mas agora reinterpretada sob o prisma do trumpismo: instável, personalista e punitivo.
Um retrocesso histórico com ecos do passado
Historicamente, os Estados Unidos exerceram papel ambivalente na política latino-americana, ora como promotores de democracias — ainda que seletivas —, ora como fomentadores de intervenções e ditaduras. O gesto de Trump ecoa esse passado de ingerência, mas com um agravante: ao punir o Brasil por cumprir seu ordenamento jurídico e julgar tentativas de golpe, ele não apenas fere a soberania de um Estado, como também subverte os fundamentos do próprio liberalismo ocidental.
Essa coerção é particularmente grave no atual cenário internacional, em que regimes autoritários buscam minar a confiança em processos democráticos. Cavazzini foi enfática: “Essa medida é chocante em sua brutalidade, punindo um país inteiro por obedecer ao Estado de Direito e processar uma tentativa de golpe fascista.”
A referência ao julgamento de Bolsonaro evidencia o pano de fundo político da sanção. O ex-presidente brasileiro responde por tentativa de golpe após as eleições de 2022 — fato que mobilizou instituições brasileiras na defesa da Constituição. Para Cavazzini, ao agir contra o Brasil, Trump sinaliza que espera impunidade para aliados ideológicos que desafiam as regras democráticas.
União Europeia e a defesa dos princípios democráticos
A reação da deputada europeia sugere que a tensão não se restringirá ao Brasil. Cavazzini convocou a Comissão Europeia a seguir o exemplo do presidente Lula, que respondeu com firmeza ao ataque. “Não podemos abrir mão de nossa soberania ou de nossos valores por um possível alívio tarifário de curto prazo. Devemos resistir a esse flagrante abuso de poder”, declarou.
A posição da UE, se consolidada, poderá representar um divisor de águas na relação com os EUA em um cenário de eventual retorno de Trump à Casa Branca. Como explica o cientista político Jan-Werner Müller, da Universidade de Princeton, “a democracia não é apenas sobre instituições, mas sobre a disposição de aceitar a legitimidade do outro lado político” (Democracy Rules, 2021). Ao interferir no processo político de outro país, Trump rompe com essa noção básica de convivência democrática internacional.
Além disso, o caso expõe um dilema contemporâneo: até que ponto economias democráticas devem tolerar a chantagem comercial de líderes autoritários ou iliberais em nome de interesses de curto prazo?
Brasil como campo de resistência democrática
A resposta brasileira, elogiada pela deputada europeia, aponta para uma inflexão importante na política externa sob o governo Lula: reafirmar a autonomia nacional frente às potências, sem abrir mão de valores democráticos. A crise atual também permite ao Brasil consolidar uma imagem internacional de resistência democrática e legalidade institucional — uma posição que contrasta com o período recente de instabilidade e desconfiança global durante o governo Bolsonaro.
Em um mundo em que se intensificam os conflitos entre democracias e regimes autoritários, o gesto de Trump, embora localizado, ganha contornos simbólicos. Ele explicita como os instrumentos econômicos podem ser instrumentalizados para fins ideológicos e como a solidariedade internacional entre democracias será essencial para resistir a esse tipo de agressão.
Nobel de Economia, defende impeachment de Trump
“Se ainda tivéssemos uma democracia que funcionasse, essa jogada contra o Brasil seria, por si só, motivo para impeachment”, afirmou Paul Krugman, economista norte-americano laureado com o Nobel de Economia em 2008, em postagem realizada ontem (9), logo após o presidente Donald Trump anunciar que vai taxar em 50% os produtos brasileiros.
Para Krugman, a medida é “tanto maligna quanto megalomaníaca”. O economista, que diz raramente fazer postagens noturnas, decidiu quebrar o hábito para comentar a carta enviada pelo presidente norte-americano ao presidente Lula (PT).
Segundo ele, a decisão da Casa Branca “marca uma nova partida” da gestão republicana. Para o economista, a medida representa um uso político das tarifas que vai além de qualquer justificativa econômica.
“Trump mal finge que há uma justificativa econômica para essa ação. Tudo isso é sobre punir o Brasil por colocar Jair Bolsonaro em julgamento. Agora, Trump está tentando usar tarifas para ajudar outro aspirante a ditador”, afirmou. Na carta, Trump indicou abertamente que estava aplicando uma punição tarifária ao Brasil pelo fato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estar sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o economista, a postura comercial da gestão Trump não tem base apenas econômica. Ela serve, como em outros tempos, com um mecanismo político. Krugman destacou ainda que essa não é a primeira vez que os Estados Unidos empregam a política tarifária com propósitos políticos, e ironizou a escolha do Brasil como alvo comercial.
“As exportações para os EUA são menos de 2% do PIB do Brasil. Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme, que nem é muito dependente do mercado dos EUA, a abandonar a democracia?”, questionou.
Imprensa internacional repercute tarifaço de Trump contra o Brasil
Jornais de todo o mundo repercutiram a imposição das tarifas de Trump contra o Brasil.
The New York Times
O jornal norte-americano The New York Times citou uma “guerra comercial repentina” entre os Estados Unidos e o Brasil e destacou o que Trump chama de “caça às bruxas” contra Bolsonaro.
O veículo também repercutiu a reação de Lula à carta, dizendo que o Brasil responderá ao tarifaço com a Lei de Reciprocidade Econômica.
The Washington Post
O jornal norte-americano The Washington Post avaliou que o anúncio do tarifaço contra o Brasil marca uma “forte escalada” na disputa diplomática entre os dois países em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O periódico também destacou que o governo brasileiro prometeu “retaliação”.
The Guardian
O jornal britânico destacou que as últimas ameaças do presidente norte-americano aumentam receios de que “a estratégia comercial errática” de Trump possa agravar a inflação nos Estados Unidos.
Clarín
O argentino Clarín citou um “aumento drástico” de tarifas, por parte de Trump, sobre produtos brasileiros e o consequente agravamento do conflito entre os dois países.
O veículo destacou o “aumento das tensões” em razão do apoio da Casa Branca ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Deutsche Welle
O periódico alemão Deutsche Welle destacou a imposição do tarifaço de Trump em apoio a Bolsonaro e também a resposta de Lula ao anúncio, citando que o brasileiro classificou como “falsa” a alegação de que a taxação de 50% seria em razão de déficit comercial dos Estados Unidos com o Brasil.
Le Monde
O diário francês Le Monde avaliou que Donald Trump “usa tarifas” para apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O periódico citou que o mandatário norte-americano acusou Lula de conduzir uma “caça às bruxas” contra seu antecessor, atualmente em julgamento por tentativa de golpe de Estado.
El país
Para o espanhol El País, o presidente dos Estados Unidos ultrapassou limites em suas ameaças comerciais, citando a taxação de mais oito países no intuito de pressioná-los a negociar antes do prazo de 1º de agosto.
Trump e extrema direita brasileira põe em risco empregos no país
Deixe um comentário