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Mundo
Bloqueio total leva 1 milhão de crianças palestinas à beira da fome extrema
Publicado em 18/03/2025 10:49 - Semana On
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Na madrugada desta terça-feira (18), o exército de Israel iniciou uma nova campanha de bombardeios contra a Faixa de Gaza, pondo fim ao frágil cessar-fogo que vigorava desde janeiro. A justificativa oficial do governo de Benjamin Netanyahu foi a recusa do Hamas em libertar reféns ainda mantidos no enclave palestino. No entanto, o que se desenrola diante dos olhos do mundo não é uma operação militar convencional, mas sim uma política sistemática de extermínio. Desde o início do conflito, quase 50 mil palestinos – a imensa maioria mulheres e crianças – foram mortos.
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Os números são brutais e incontestáveis: mais de 400 palestinos foram mortos em poucas horas, a maioria mulheres e crianças, segundo as autoridades locais. O impacto da retomada da ofensiva foi imediato e devastador, com dezenas de corpos soterrados sob os escombros dos ataques israelenses, hospitais lotados e um bloqueio total que impede até mesmo a remoção dos cadáveres.
A situação é tão alarmante que a Organização das Nações Unidas (ONU), diversos governos estrangeiros e entidades de direitos humanos condenaram abertamente os ataques israelenses, classificando-os como uma grave violação do direito internacional. A Turquia foi enfática ao afirmar que Israel está promovendo “uma nova fase no genocídio palestino”, enquanto a Irlanda e a Suíça exigiram a retomada imediata do cessar-fogo. A Rússia expressou “profunda preocupação” com a escalada da violência, e a ONU descreveu os ataques como “tragédia sobre tragédia”.
Mas as declarações de repúdio não impedem que a máquina de guerra israelense continue sua ofensiva impune. O cerco a Gaza tornou-se uma ferramenta de extermínio silencioso, impedindo a entrada de alimentos, remédios, eletricidade e qualquer tipo de assistência humanitária para os 2,1 milhões de habitantes da Faixa. Diante disso, resta a pergunta: o mundo assistirá passivamente ao genocídio de um povo inteiro?
Guerra ou genocídio? A política deliberada de aniquilação
Os ataques israelenses não são incidentes isolados de uma guerra entre dois exércitos. O que ocorre em Gaza configura um genocídio, nos termos estabelecidos pela Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio da ONU (1948). O tratado internacional define genocídio como “atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.
A estratégia israelense de destruição segue um padrão sistemático:
Bombardeios indiscriminados de áreas civis, causando milhares de mortes, majoritariamente entre mulheres e crianças.
Bloqueio total da entrada de suprimentos básicos, levando a fome e a doença para toda a população de Gaza.
Ataques a hospitais e ambulâncias, inviabilizando qualquer atendimento médico.
Demolição de escolas, universidades e infraestrutura civil, impedindo qualquer perspectiva de reconstrução do território.
Expulsão forçada de palestinos de suas casas, deslocando milhares de pessoas para zonas desérticas sem condições de sobrevivência.
Desde outubro de 2023, quando o conflito se intensificou, Israel já matou mais de 40 mil palestinos, a maioria civis. Antes mesmo da retomada dos ataques, a ONU estimava que 70% dos mortos fossem mulheres e crianças.
Ao mesmo tempo, cerca de 95% da população de Gaza enfrenta fome severa devido ao bloqueio total imposto por Israel. O Painel IPC, que monitora a fome globalmente, afirma que 344 mil palestinos estão em estado de fome extrema. O Unicef alertou que 1 milhão de crianças em Gaza estão à beira da inanição e 4 mil recém-nascidos não têm acesso a cuidados médicos, morrendo diariamente por falta de ventiladores neonatais.
Segundo Ilan Pappé, historiador israelense autor de A limpeza étnica da Palestina, “Israel nunca buscou coexistência com os palestinos, mas sua remoção” (Verso Books, 2006). O que acontece agora é a execução de um plano de eliminação deliberada de um povo, camuflado sob o discurso da “guerra ao terrorismo”.
O silêncio cúmplice do Ocidente
Se a brutalidade da ofensiva israelense choca, a cumplicidade das potências ocidentais é igualmente alarmante. Os Estados Unidos, principais aliados de Israel, não apenas se recusam a condenar os ataques, como continuam financiando a máquina de guerra israelense. Desde o início do conflito, Washington aprovou bilhões de dólares em ajuda militar para Israel, fornecendo mísseis, drones e tecnologia de vigilância.
A hipocrisia do Ocidente se evidencia quando contrastamos a resposta internacional ao conflito Israel-Palestina com outras crises globais. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a comunidade internacional impôs sanções severas contra Moscou, alegando a defesa do direito internacional. No entanto, no caso de Israel, as constantes violações humanitárias são ignoradas ou justificadas sob o pretexto da “segurança nacional”.
A Europa, por sua vez, mantém uma postura ambígua. Embora países como Irlanda, Bélgica e Suíça tenham condenado os ataques, potências como Reino Unido, Alemanha e França seguem apoiando Israel. A chanceler alemã Annalena Baerbock declarou que “Israel tem direito à autodefesa”, ignorando o fato de que a esmagadora maioria das vítimas são civis palestinos.
A omissão da comunidade internacional é um sinal de que o mundo aceitou tacitamente a erradicação do povo palestino. Como alertou Noam Chomsky, “Israel não quer paz. Quer dominação. E está conseguindo com o apoio do Ocidente”.
“Um massacre em nome da segurança”
A narrativa oficial de Israel é de que seus ataques são necessários para neutralizar o Hamas e garantir a segurança da população israelense. No entanto, mesmo dentro de Israel, essa justificativa está sendo contestada. O Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, que representa parentes de israelenses sequestrados pelo Hamas, criticou a decisão de Netanyahu de retomar os bombardeios. Em comunicado, afirmaram que o governo israelense “abandonou os reféns” ao optar pelo confronto em vez da negociação.
Já os setores mais radicalizados da política israelense, como o grupo Tikva, exigem que Israel vá além: “Ou tudo ou o inferno”, disseram. Para eles, o único caminho é a destruição total do Hamas, mesmo que isso implique no aniquilamento da população civil palestina.
A destruição de um povo diante dos olhos do mundo
A Faixa de Gaza está sendo apagada do mapa, não apenas por bombas, mas pelo colapso total da vida cotidiana. A educação foi interrompida para 12 mil crianças palestinas, com escolas destruídas ou convertidas em abrigos improvisados. 40 mil palestinos já foram expulsos de suas casas na Cisjordânia, ampliando o drama do deslocamento forçado.
O que está em jogo não é apenas o destino dos palestinos, mas o futuro da humanidade. Se permitirmos que um genocídio ocorra diante de nossos olhos, quais são os limites para a barbárie? Como afirmou o historiador Yehuda Bauer, especialista em estudos sobre o Holocausto, “o genocídio é uma criação humana e pode ser repetido. Depende de nós impedir”.
A questão que permanece é: o mundo seguirá assistindo ao massacre palestino, ou haverá um basta antes que seja tarde demais?
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