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Ofensiva na Cisjordânia expulsa 40 mil palestinos da região
Publicado em 24/02/2025 9:46 - Semana On
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A maior operação militar israelense na Cisjordânia em duas décadas transformou a região em um novo epicentro do conflito no Oriente Médio. Com o deslocamento forçado de cerca de 40 mil palestinos de campos de refugiados em Jenin, Tul Karem e Nur al-Shams, o governo de Tel Aviv avança sobre territórios ocupados, consolidando uma política de cerco que, segundo analistas, serve tanto a interesses militares quanto políticos. Paralelamente, um plano controverso para a reconstrução de Gaza, impulsionado por Donald Trump, desperta forte resistência dos países árabes, que articulam uma resposta diplomática e financeira para impedir o desdobramento de um projeto que pode redesenhar o mapa geopolítico da região.
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O deslocamento forçado de milhares de palestinos na Cisjordânia marca uma nova etapa do conflito, revivendo memórias da Segunda Intifada (2000-2005). A ofensiva israelense, caracterizada pelo uso de tanques, helicópteros e cerco militar a campos de refugiados, ocorre sob a justificativa oficial de combate ao terrorismo. No entanto, a decisão de impedir o retorno dos deslocados, como anunciado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, sugere um movimento de anexação de fato, o que tem sido denunciado pela Autoridade Palestina como uma escalada genocida.
O cientista político e jornalista Bruno Lima Rocha aponta que essa ofensiva pode ter motivações políticas internas. “O governo Netanyahu necessita do estado de guerra porque, sem esse estado de guerra e essa situação de comoção nacional da troca dos presos políticos palestinos pelos reféns, a tendência é que seu governo caia e ele seja julgado”, afirmou. De fato, Netanyahu enfrenta forte oposição doméstica e desafios jurídicos que poderiam desestabilizar seu governo caso a guerra não permanecesse como prioridade nacional.
O projeto Trump para Gaza: entre o real e o absurdo
Enquanto a Cisjordânia se torna o novo palco da ofensiva israelense, a reconstrução de Gaza surge como um desafio global. Donald Trump, possível candidato à presidência dos EUA, propõe uma solução extrema: transformar a Faixa de Gaza em uma espécie de “Riviera do Oriente Médio”, realocando sua população para outros países. A proposta, vista por alguns como uma manobra de negociação radical, gerou forte reação nos países árabes, especialmente Egito e Jordânia, que temem a desestabilização regional com a chegada de milhões de refugiados.
O cenário atual em Gaza é devastador. Dados da ONU apontam que dois terços dos edifícios foram destruídos e o Ministério da Saúde do território estima que mais de 48 mil palestinos foram mortos desde o início da ofensiva israelense, em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Com um frágil cessar-fogo em vigor, a reconstrução do enclave torna-se uma questão urgente, mas profundamente política.
Liderados pelo Egito, países árabes articulam um plano alternativo que pode ser discutido na cúpula extraordinária da Liga Árabe, marcada para 4 de março no Cairo. A ideia seria criar zonas seguras dentro de Gaza para realocar os palestinos desalojados e estabelecer um comitê tecnocrático para administrar o território, excluindo tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina. Esse novo arranjo teria financiamento de nações ricas do Golfo, como Catar e Emirados Árabes Unidos, que condicionam seu apoio à busca de uma solução política definitiva para o conflito, possivelmente a criação de um Estado palestino.
O financiamento e os desafios da reconstrução
O custo da reconstrução de Gaza é monumental. Um relatório do Banco Mundial estima que serão necessários 53,2 bilhões de dólares para a reconstrução total do território, com um aporte inicial de 20 bilhões nos primeiros três anos. O financiamento, contudo, depende de estabilidade política e de um cessar-fogo duradouro. Caso contrário, como argumentam os países árabes, investir na reconstrução de uma área que pode ser novamente bombardeada por Israel seria um esforço em vão.
Para garantir a adesão dos EUA, especula-se que o plano árabe poderia ser apresentado como um “Plano Trump” ou “Fundo Trump para a Reconstrução”, uma estratégia diplomática que reconhece a influência do ex-presidente americano na política externa dos EUA. A Arábia Saudita, que mantém laços econômicos com Trump e sua família, deve desempenhar um papel central nessa negociação.
O impasse da segurança e o futuro de Gaza
A administração e a segurança de Gaza são pontos sensíveis. A possibilidade de uma força policial palestina ou de uma missão internacional temporária, proposta pelos Emirados Árabes Unidos, encontra resistência em Israel, que insiste em manter controle militar sobre a região. Para os palestinos, essa seria apenas uma forma disfarçada de ocupação contínua.
Além disso, qualquer plano de reconstrução esbarra na questão central do conflito: a autodeterminação palestina. Enquanto Israel rejeita a solução de dois Estados, a comunidade internacional insiste que um acordo duradouro deve envolver o reconhecimento do direito dos palestinos a um território próprio e soberano. Sem esse compromisso, a reconstrução de Gaza pode se tornar apenas um paliativo para uma crise sem fim.
Conclusão: um Oriente Médio à beira do abismo
Os desdobramentos das últimas semanas revelam um Oriente Médio em ebulição. A ofensiva israelense na Cisjordânia pode redefinir o equilíbrio de forças, intensificando o deslocamento forçado de palestinos e reacendendo a revolta popular. Paralelamente, o futuro de Gaza permanece incerto, com um plano de reconstrução que tenta conciliar interesses árabes e americanos, enquanto Israel mantém sua postura de rejeição a qualquer solução definitiva para a questão palestina.
Seja na ocupação militar da Cisjordânia, seja nas negociações para Gaza, o que se desenha é uma guerra de longa duração, na qual a busca pela paz continua sendo adiada por cálculos políticos, interesses geoestratégicos e, acima de tudo, pela ausência de um compromisso real com os direitos fundamentais dos palestinos.
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