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Mundo

G20 tenta blindar mundo contra protecionismo de Trump

Foto do evento é declaração de poder, alianças, desafetos e geopolítica

Publicado em 19/11/2024 12:53 - Jamil Chade (UOL) – Edição Semana On

Divulgação

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Numa tentativa de blindar o mundo contra o protecionismo prometido pelo presidente eleito dos EUA, Donald Trump, os países do G20 chegaram a um acordo para defender a abertura dos mercados e o compromisso em seguir as regras internacionais do comércio.

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Na declaração final, anunciada na segunda-feira, as maiores economias do mundo se comprometem a lutar por “garantir um sistema multilateral de comércio baseado em regras, não discriminatório, justo, aberto, inclusivo, equitativo, sustentável e transparente, com a OMC em seu centro”. Ou seja, evitar barreiras comerciais.

O bloco ainda fala em recuperar a OMC (Organização Mundial do Comércio), entidade abala por uma ofensiva de Trump para impedir seu funcionamento desde 2017.

“Nós reiteramos nosso apoio para trabalhar na necessária reforma da OMC para melhorar todas as suas funções, com vistas a responder aos desafios comerciais atuais e permitir que o comércio sirva como um motor de crescimento e prosperidade para todos”, diz o texto.

Um dos aspectos fundamentais no capítulo comercial da declaração é o compromisso dos governos em encontrar uma forma para que o tribunal máximo do comércio, com sede em Genebra, volte a funcionar. O órgão foi paralisado diante dos vetos de Donald Trump, a partir de 2017.

“Nós continuamos comprometidos a conduzir discussões com o objetivo de ter um sistema de resolução de disputas completo e funcional, acessível a todos os membros até 2024”, completa o texto.

Trump, durante a campanha eleitoral, anunciou que elevará as tarifas de importação em 20%, para proteger a indústria nacional americana. As medidas, se aplicadas, violariam os compromissos americanos na OMC e iniciariam uma guerra comercial.

Um dos focos principais de Trump é a China, vista como uma ameaça comercial. Não por acaso, o presidente Xi Jinping tem sido uma das principais vozes na defesa da manutenção da abertura de mercados.

O temor do G20 é de que essa onda protecionista abale a recuperação da economia mundial, principalmente para os países em desenvolvimento.

Outra preocupação declarada dos governos de todo o mundo se refere à promessa de Trump de aplicar tarifas de importação de 100% a produtos de países que optem por abandonar o dólar como moeda de referência.

O gesto, se aplicado, seria uma violação das regras do comércio mundial.

Foto do G20 é declaração de poder, alianças, desafetos e geopolítica

Nada na diplomacia é por acaso. Na segunda-feira, o presidente Lula foi o anfitrião da cúpula do G20, grupo que reúne as maiores economias do planeta e onde, na prática, o destino da humanidade é negociado.

Parte da mensagem, porém, não vem em uma declaração trabalhada ao longo de meses. Mas na escolha do posicionamento de cada um dos líderes na foto de família dos líderes do G20.

Como é praxe em qualquer evento, o anfitrião está ao centro, e foi esse espaço que Lula ocupou.

Mas a escolha de quem está ao seu lado chamou a atenção. Na primeira fila, o brasileiro colocou os líderes da Colômbia, Turquia, Índia, África do Sul e China. Todos países emergentes e que, na disputa interna do G20, lutam por mais espaço nas decisões mundiais.

Os maiores líderes europeus —Emmanuel Macron e Olaf Scholz— aparecem apenas na segunda fila, ainda que no centro. Ambos são considerados aliados de Lula em muitos dos temas internacionais.

Mas é a posição ligeiramente deslocada de Javier Milei que deixa claro que ele não faz parte dos líderes mais aliados de Lula. O argentino está apenas na segunda fila, preterido pela Colômbia, que aparece num lugar de mais destaque.

Milei tentou sabotar a negociação e fez questão de criticar o processo conduzido por Lula.

A praxe diplomática estipula que a parte marginal da foto seja destinada para as organizações internacionais. Assim, nos cantos extremos do palco montado estão os chefes de algumas das maiores agências do mundo. Mas, mesmo ali, a geopolítica mostra seu peso.

Os organizadores brasileiros colocaram a presidente do Banco do Brics, Dilma Rousseff, na primeira fila, numa espécie de declaração de que a nova instituição financeira tem um papel destaque.

Ela aparece numa posição de mais relevância que Kristalina Georgieva, a diretora-gerente do poderoso FMI (Fundo Monetário Internacional).

Perto dela estava ainda o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Gebreyesus, alvo de duros ataques por parte do bolsonarismo e da extrema direita mundial.

Também na primeira fila, mas do lado oposto, a foto traz o secretário-geral da ONU, António Guterres. Abalado por golpes contra a instituição que comanda, o português tenta manter a credibilidade das Nações Unidas e promover sua reforma. Não por acaso, ele aparece também em primeiro plano, numa mensagem de que a ONU não deve desaparecer.

O grande ausente da foto foi Joe Biden, presidente norte-americano. Ele, assim como os líderes do Canadá e da Itália, não chegaram a tempo para a foto.

Já a Rússia apenas aparece na última fileira, por não ser representada por chefe de Estado. Vladimir Putin não viajou.

Na foto, quase todos estão sorrindo. Mas num mundo em profunda crise e num multilateralismo em estado de alerta, cada um ali sabe que seu posicionamento representa muito mais que uma escolha aleatória de um fotógrafo diante do quadro do Pão de Açúcar.


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