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Estado islâmico aterroriza mulheres

Publicado em 26/09/2014 12:00 -

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A ONU denunciou nesta semana que mulheres e meninas iraquianas, especialmente oriundas da minoria yazidi, estão sendo vendidas como escravas, empurradas para casamentos forçados e estupradas repetidamente pelos membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que as sequestraram ao tomar o controle do norte do Iraque.

A ONU também disse que a sua missão no Iraque recebeu notícias confiáveis sobre a execução de mulheres em Mossul, a segunda maior cidade do país, que agora está sob controle do EI, assim como em outras regiões que estão sob seu domínio.

Essas execuções são realizadas após supostos "julgamentos" e suas principais vítimas são "mulheres educadas ou profissionais", disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Raad al Hussein.

Crime brutal

Em seu comunicado, a ONU destaca o assassinato "brutal e a sangue frio" da ativista iraquiana, Sameera Saleh Ali al Nuaimy, que esta semana foi executada publicamente por um esquadrão de milicianos mascarados em frente à sede do que fora o governo regional de Mossul.

Advogada conhecida por seus esforços para promover os direitos da mulher, Nuaimy foi detida em sua casa e torturada durante dias no local onde estava cativa, antes de ser executada. Ela era acusada de apostasia por ter publicado no Facebook comentários críticos ao grupo terrorista.

A execução de Nuaimy foi o último de vários ataques graves contra líderes femininas que vivem em regiões agora em mãos do EI, incluindo várias ex-candidatas a postos políticos.

Perversão

Uma mulher síria concordou em carregar uma câmera escondida para filmar a vida na cidade síria de Raqqa, sob o controle do EI.

Zeid disse que estes fatos demonstram "as similitudes entre o Estado Islâmico e outros grupos, como Boko Haram, na Nigéria, que também tratam mulheres de forma hedionda". Uma das meninas sequestradas na Nigéria no último dia 14 de abril pelo Boko Haram conseguiu escapar e denunciou que as reféns são vítimas de até 15 estupros por di.

A menor declarou que, por ser virgem, foi entregue como esposa ao líder da seita e que as meninas são forçadas a fazer sexo e se converter ao Islã. Caso não aceitem, podem ser degoladas. 

Após serem sequestradas em uma escola de Chibok, no nordeste da Nigéria, as crianças (dezenas das quais seguem em cativeiro) foram levadas a um campo da milícia fundamentalista na floresta de Sambisa, no estado de Borno, no norte do país e base espiritual e de operações do grupo.

Para entender

Militantes de uma organização terrorista conhecida anteriormente como Estado Islâmico no Iraque e no Levante declararam, em junho deste ano, um “califado islâmico” no Oriente Médio – chamado agora apenas de Estado Islâmico.

O que é o Estado Islâmico?
É uma organização terrorista que declarou, em 30 de junho deste ano, o controle de um território estratégico entre a Síria e o Iraque. Seus membros estabeleceram, ali, um califado islâmico e têm disputado com os governos regionais.

Mas eles surgiram de repente?
Não. Esse tipo de movimento extremista foi fomentado ali pela invasão americana de 2003 e pelo progressivo fracasso do governo iraquiano. O projeto faz parte da tendência que inclui, também, a Al Qaeda e outras organizações. Até junho, esses terroristas se chamavam de Estado Islâmico no Iraque e no Levante, abreviado em português EIIL e, em inglês, Isil.

O que é um califado islâmico?
É um modelo político surgido no século 7, na península Arábica, a partir da liderança de Maomé, o profeta do islamismo. “Califado” significava “sucessão”. No caso, os líderes muçulmanos que vieram após a morte do profeta.

Profeta?
O islamismo surgiu no século 7 a partir da revelação de Maomé, que organizou essa religião e unificou tribos em torno da ideia central de que só há um único Deus, comum ao cristianismo e ao judaísmo. O islã é a revelação feita aos árabes, na península Arábica.

Todo califado é terrorista?
Não. Nem todo muçulmano, aliás. As práticas terroristas são específicas de uma interpretação radical do islã que não é mainstream nem foi a regra durante os séculos de islamismo. O fundamentalismo é, na verdade, um fenômeno contemporâneo, reagindo ao secularismo contemporâneo, segundo estudiosos como Karen Armstrong (autora de “Em Nome de Deus”).

Eu deveria me preocupar?
Sim. Mas analistas não esperam que o Estado Islâmico se mantenha de fato como um Estado, controlando fronteiras e articulando governos. Os terroristas estão bem armados, mas enfrentam a inimizade de toda a região. Os Estados Unidos têm bombardeado posições do califado, também.

Quem é o líder do Estado Islâmico?
Como no modelo do califado histórico, o Estado Islâmico tem um califa – um líder político e religioso. Neste caso, é Abu Bakr al-Baghdadi.

Todos os muçulmanos seguem esse califa?
Não. Essa seria a ideia de um califado, como foi o projeto de Maomé e de seus seguidores no início do islamismo. Mas Abu Bakr al-Baghdadi é seguido por uma pequena parcela dos muçulmanos, e enfrenta oposição de todos os Estados islâmicos. Ele não representa o islã.

Pequena parcela, quanto?
Os EUA estimam entre 7.000 e 12 mil combatentes. O Estado Islâmico diz que são 50 mil na Síria e 30 mil no Iraque. É difícil ter certeza sobre esse número, já que a região vive em convulsão política.

De onde vem o dinheiro do Estado Islâmico?
Essa organização terrorista controla poços e refinarias de petróleo na região, lucrando com seu contrabando. É cobrado também imposto da população. A renda inclui, por fim, o resgate cobrado por reféns e a pilhagem de bancos.


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