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Mundo
Publicado em 20/11/2015 12:00 -
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Após derrubar um Airbus A321M operado por uma empresa russa em outubro, matando 241 pessoas, e assassinar outras 130 pessoas em Paris, deixando mais de 350 feridos, dezenas em estado grave, o fundamentalismo islâmico voltou a atacar nesta sexta-feira (20) em diversos países.
Em Bamaco, capital do Mali (na África), um hotel de luxo foi alvo dos terroristas nesta sexta-feira (20). Após sete horas, cerca de 170 reféns foram libertados, de acordo com o governo malinês. No hotel, foram encontrados ao menos 27 corpos, segundo uma contagem preliminar das forças de paz da ONU. Ainda não se sabe quantos dos corpos encontrados pertencem aos terroristas.
Ao menos dois terroristas teriam sido mortos na operação. Segundo um funcionário da ONU, as forças de paz que vasculharam o local encontraram 12 corpos no porão do hotel e outros 15 no segundo andar. Como a operação ainda estaria em curso no momento do anúncio, os números são parciais e foram cedidos sob anonimato às agências de notícias Reuters e Associated Press.
Um levantamento preliminar da nacionalidade dos reféns libertados listou 20 indianos, 12 franceses, sete argelianos, seis norte-americanos, seis turcos, quatro chineses e dois alemães.
Os sequestradores entraram no hotel às 7h (5h de Brasília) em um carro com placa diplomática e abriram fogo contra os seguranças do prédio. Ao menos quatro ficaram feridos, dois em estado grave. As forças de segurança invadiram o prédio e realizaram combates andar por andar. Durante a operação, foram ouvidos sons de tiroteio pesado dentro do prédio.
Iêmen e Iraque
O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou um ataque contra o Exército do Iêmen na região de Hadramawt, que deixou ao menos 12 militares e 19 terroristas mortos nesta sexta-feira.
Diferentes ataques também mataram hoje (20) ao menos 15 pessoas em Bagdá, capital do Iraque. O mais letal atingiu uma mesquita no bairro de Nahiyet al-Rasheed. Segundo a polícia, uma bomba explodiu quando fiéis terminavam suas rezas. Minutos depois, um homem que estava dentro da mesquita detonou um cinto de explosivos que vestia. Dez pessoas morreram e 28 ficaram feridas no ataque coordenado. Além disso, duas bombas explodiram em áreas comerciais do sul da cidade, matando mais cinco pessoas e ferindo outras nove.

Brasil
Para Boaz Ganor, um dos maiores especialistas em contraterrorismo de Israel, o Brasil não está menos vulnerável do que a Europa a ataques terroristas. O diretor-executivo do Instituto de Contraterrorismo da Centro Interdisciplinar de Herzelyia e presidente da Academia Internacional de Contraterrorismo diz que o Ocidente não deve ter ilusões sobre a lógica dos combatentes islâmicos e deve achar o equilíbrio entre antiterrorismo e valores democráticos.
Ganor comentou as declarações da presidente Dilma Rousseff, segundo quem o Brasil está "muito longe" do foco de terroristas, e se disse chocado. “Estou chocado. Não é apenas uma concepção errada, mas perigosa. O Brasil é vulnerável ao terrorismo de grupos jihadistas não menos do que Paris, ou até mais”.
Segundo o especialista, há risco de atentados n Olimpíada do Rio, em 2016. “O Brasil não faz parte da coalizão que está atacando as bases do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Mas, quando representantes de EUA, França, Alemanha estiverem no Rio para a Olimpíada, tudo será diferente. Os atentados em Paris tinham como alvo também um jogo de futebol. Eventos esportivos são ímãs para terroristas. Se a concepção for a de que o Brasil está seguro, temo um choque profundo”, afirmou.
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