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Mundo

Comitê da ONU acusa Israel de genocídio em Gaza

Vingança sionista já matou mais de 43 mil palestinos: entre 60 e 70% mulheres e crianças

Publicado em 15/11/2024 9:18 - DW – Edição Semana On

Divulgação Foto: Hadi Daoud Apaimages/Zumapress/picture alliance

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No mesmo dia em que um relatório da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) equiparou o deslocamento de civis na Faixa de Gaza por Israel a “crimes contra a humanidade”, um comitê especial das Nações Unidas afirmou na quinta-feira (14/11) ver indícios de um genocídio em curso no território palestino.

O comitê da ONU, criado em 1968 após o fim da guerra árabe-israelense para monitorar a ocupação dos territórios palestinos, é formado por representantes de três países: Sri Lanka, Malásia e Senegal.

Em relatório anual, esses três países dizem temer que Israel esteja “usando a fome como arma de guerra” no conflito, que já dura três meses. Também dizem suspeitar que o país esteja promovendo um “apartheid” na Cisjordânia.

Segundo o comitê, o cerco israelense a Gaza, o bloqueio do envio de ajuda humanitária à região, além de mortes e ataques direcionados contra civis, estavam “intencionalmente causando morte, fome e sérios danos”.

O comitê conclui que as táticas de guerra israelense “são consistentes com as características de genocídio”. O grupo não esteve de fato em Gaza. Eles alegam que as tentativas de visitar a região foram ignoradas por Israel.

No fim de semana, a ONU já havia alertado que a fome era um problema iminente no norte de Gaza.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ), mais alto tribunal da ONU, já investiga uma denúncia contra Israel por genocídio. A peça foi apresentada pela África do Sul, e desde então a CIJ já ordenou ao país que tome medidas cautelares para evitar o genocídio de palestinos.

Também divulgado na quinta, um relatório da HRW conclui que “o deslocamento forçado [de palestinos em Gaza] é intencional e é parte da política de Estado israelense, e portanto caracteriza crime contra a humanidade”.

Para a entidade, esses deslocamentos são provavelmente parte de um plano para a criação de “zonas tampão e corredores de segurança” – algo que equivaleria a “limpeza étnica”. O Exército israelense nega, e autoridades israelenses têm dito que palestinos poderão regressar às suas casas quando o conflito for encerrado.

O documento da ONG foi elaborado com base em entrevistas com palestinos em Gaza, imagens de satélite e informações publicamente disponíveis até o mês de agosto.

Embora Israel alegue que alertas civis para que deixem determinadas regiões por sua própria segurança, Nadia Hardman, da HRW, diz que não tem cabimento que o Exército justifique o deslocamento de civis “apenas com a presença de grupos armados”. Segundo ela, o direito internacional determina que esse deveria ser sempre comprovadamente o último recurso.

Um porta-voz do Ministério do Exterior israelense reagiu ao relatório da HRW afirmando que o país vê todo o sofrimento de civis como tragédia, “enquanto o Hamas vê todo o dano a civis como estratégia”, e acusou o grupo de usá-los como “escudo humano”.

Chefe da diplomacia europeia propõe suspensão de diálogo com Israel

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, anunciou na quinta-feira que vai propor a seus pares a suspensão do diálogo político com Israel. Ele alega estar preocupado com violações de direitos humanos e do direito internacional cometidos pelo país no contexto da guerra.

A proposta será apresentada aos ministros do exterior dos 27 países-membros da União Europeia em reunião na próxima segunda-feira, mas depende de aprovação unânime para de fato se concretizar – algo considerado improvável.

O ataque israelense à população civil palestina já deixou mais de 43 mil mortos: entre 60 e 70% mulheres e crianças. Segundo a ONU, 1,9 milhão do 2,4 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados pelo conflito.


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