Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mundo
Ex-presidente acusa governo de ataque, intensificando crise entre ele e o atual presidente Luís Arce
Publicado em 28/10/2024 12:26 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou no domingo (27) que o veículo em que estava foi alvo de um ataque a tiros, fato que ele próprio registrou em vídeo. O incidente evidencia o aumento das tensões políticas no país, refletindo o acirramento do confronto entre Morales e seu ex-aliado, o atual presidente Luís Arce. O vídeo foi divulgado pelo ex-líder em suas redes sociais, aumentando a preocupação com a segurança e estabilidade política no país andino.
No vídeo postado no Facebook, Morales aparece no banco do passageiro, com visíveis buracos de bala no para-brisa do carro. Embora não tenha sofrido ferimentos, o motorista parece ter sido atingido. Morales atribuiu o ataque ao governo de Arce. “Nosso carro foi alvo de disparos. Isso só pode ser resultado da violência promovida pelo governo”, escreveu o ex-presidente.
O incidente ocorre em um momento em que a Bolívia atravessa uma profunda crise política e social, com manifestações e bloqueios de estradas promovidos por apoiadores do ex-presidente, que resultaram em confrontos com as forças de segurança.
Disparos na estrada
Em entrevista à uma rádio boliviana logo após o ataque, Morales relatou que dois veículos teriam interceptado seu carro na estrada e disparado em sua direção, revelando que uma das balas passou “a centímetros” de sua cabeça. “Não sei se eram soldados ou policiais”, disse Morales, levantando suspeitas sobre a autoria do ataque. Até o momento, as investigações ainda estão em fase preliminar.
Por sua vez, o vice-ministro da Segurança, Roberto Ríos, declarou que as forças de segurança não participaram de nenhuma operação contra o ex-presidente. “Como autoridades encarregadas da segurança do Estado, somos obrigados a investigar qualquer denúncia, seja ela verdadeira ou falsa”.
Conflito interno no MAS e crise social
Morales e Arce pertencem ao mesmo partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), mas o relacionamento entre ambos deteriorou-se nos últimos meses, alimentando uma disputa de poder no partido às vésperas das eleições de 2025. A situação foi agravada pelos bloqueios de rodovias promovidos por apoiadores de Morales, que há duas semanas têm interrompido o abastecimento de alimentos e combustíveis em diversas regiões do país.
No sábado, o governo de Arce criticou duramente Morales, acusando-o de “desestabilizar” o país e tentar “interromper a ordem democrática” por meio dos protestos. Em comunicado oficial, o governo também alertou que alguns grupos ligados ao ex-presidente estariam armados, o que já resultou em confrontos violentos e ferimentos em 14 policiais, que tentavam remover os bloqueios.
Desafios econômicos e acusações judiciais
Além da crescente instabilidade política, a Bolívia enfrenta sérios desafios econômicos, incluindo a queda na produção de gás, a redução das reservas de moeda estrangeira e a alta da inflação. Esses fatores estão pressionando o governo de Arce e gerando divisões internas no MAS, criando um ambiente de incerteza para as próximas eleições.
Paralelamente, Evo Morales também enfrenta acusações de natureza criminal. Ele foi formalmente convocado por promotores regionais para prestar depoimento sobre alegações de envolvimento com menores de idade, mas não compareceu e agora é alvo de um mandado de prisão. Morales nega todas as acusações, classificando-as como uma tentativa de prejudicar sua imagem.
Riscos para a democracia
O ataque relatado por Morales e as crescentes tensões entre o ex-presidente e Arce representam um novo capítulo na crise boliviana, colocando em risco a estabilidade política do país. A divisão no MAS, partido que dominou a política boliviana nos últimos anos, pode ter repercussões graves tanto para a governabilidade quanto para o futuro democrático do país.
Enquanto as investigações sobre o ataque a Morales prosseguem, o que está em jogo não é apenas a integridade física do ex-presidente, mas o futuro da Bolívia, que parece estar à beira de um novo período de turbulência.
Deixe um comentário