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Mundo
Os 430 membros do grupo, de diversas nacionalidades, começam a regressar a seus países após o terror vivido nas mãos do exército israelense
Publicado em 22/05/2026 12:52 -
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Ativistas da flotilha internacional que tentava levar ajuda a Gaza, libertados da custódia israelense depois de terem sido sequestrados por forças especiais do país em águas internacionais, foram submetidos a abusos sexuais. A denúncia foi feita nesta sexta pelos organizadores da missão humanitária. Vários membros do grupo estão hospitalizados com ferimentos e pelo menos 15 relataram agressões sexuais, incluindo estupro. As forças israelenses sequestraram 430 pessoas a bordo de 50 navios em águas internacionais na terça-feira (19).
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“Pelo menos 15 casos de agressões sexuais, incluindo estupro. Atingidos por balas de borracha à queima-roupa. Dezenas de pessoas com ossos quebrados”, publicaram os organizadores da Global Sumud Flotilla no aplicativo de mídia social Telegram. “Enquanto o mundo inteiro está de olho no sofrimento dos nossos participantes, não podemos deixar de enfatizar que isso é apenas um vislumbre da brutalidade que Israel impõe diariamente aos reféns palestinos.”
A Alemanha disse que alguns de seus cidadãos ficaram feridos e que algumas acusações eram “sérias”, sem dar mais detalhes. Uma fonte jurídica na Itália afirmou que os promotores de lá estavam investigando possíveis crimes, incluindo sequestro e agressão sexual.
As alegações de abuso aumentaram a pressão sobre as autoridades israelenses para que expliquem o tratamento dado aos detidos, depois que um vídeo do ministro ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, aparece em uma prisão zombando dos ativistas, colocados em quatro apoios e com as mãos amarradas. As imagens provocaram clamor internacional. A Itália disse que os membros da UE estavam discutindo a imposição de sanções ao ministro, Itamar Ben-Gvir.
Luca Poggi, um economista italiano entre os detidos a bordo da flotilha, disse à Reuters em sua chegada a Roma: “Fomos despidos, jogados no chão, chutados. Muitos de nós fomos atingidos por taser, alguns foram agredidos sexualmente e outros não tiveram acesso a um advogado.”
Os promotores de Roma estão investigando os possíveis crimes de sequestro, tortura e agressão sexual e ouvirão depoimentos de ativistas que retornaram à Itália nos próximos dias, informou a fonte jurídica italiana.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha disse que os funcionários consulares que se encontraram com os ativistas alemães em sua chegada a Istambul relataram que alguns deles tinham ferimentos e estavam passando por exames médicos.
O tratamento humano dos cidadãos alemães é uma “prioridade absoluta”, afirmou o porta-voz, e “naturalmente esperamos uma explicação completa, pois algumas das alegações que foram feitas são sérias.”
Sabrina Charik, que ajudou a organizar o retorno de 37 cidadãos franceses da flotilha, disse à Reuters que cinco participantes franceses foram hospitalizados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou vértebras fraturadas. Alguns fizeram acusações detalhadas de violência sexual, inclusive de estupro, segundo ela.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse aos repórteres que 44 membros espanhóis da flotilha deveriam chegar durante toda a sexta-feira em voos de Istambul para Madri e Barcelona. Quatro deles receberam tratamento médico para ferimentos, acrescentou.
Israel nega
“As alegações levantadas são falsas e totalmente sem base factual”, disse um porta-voz do serviço penitenciário israelense em um comunicado.
“Todos os prisioneiros e detentos são mantidos de acordo com a lei, com total respeito aos seus direitos básicos e sob a supervisão de funcionários profissionais e treinados da prisão”, declarou. “O atendimento médico é fornecido de acordo com o julgamento médico profissional e de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde.”
A Anistia Internacional já tinha documentado maus-tratos e abusos contra ativistas a bordo da Flotilha Global Sumud, que haviam sido detidos em outubro de 2025, depois de as forças armadas israelenses terem intercetado os seus navios. Entre os abusos reportados, incluem-se a privação de sono, negação de água potável e cuidados médicos.
Humilhações de ativistas é prática comum de israel
O mundo ficou chocado com o vídeo que mostra Itamar Ben-Gvir e militares israelitas humilhando os ativistas da Flotilha Global Sumud no porto de Ashdod, em Israel.
Para a Anistia Internacional, as imagens que são apenas a ponta do iceberg. Embora o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenha condenado os vídeos e afirmado que a sua conduta “não está em conformidade com os valores e normas de Israel”, a prática e as provas revelam uma realidade diferente. A tortura e outros maus-tratos infligidos a prisioneiros palestinos têm sido uma realidade cruel há décadas.
A Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos têm documentado continuamente um padrão de conduta das forças israelenses que submetem os detidos palestinos a tortura e a outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes. Entre eles, incluem-se a privação de medicamentos, comida, roupa e sono, espancamentos contínuos, algemas e vendas nos olhos, ataques de cães, violação e outras formas de violência sexual.
Israel tem um longo historial de encarceramento de palestinos sem acusação ou julgamento, incluindo através da detenção administrativa, como ferramenta fundamental do seu sistema de apartheid. Mais de 9000 homens, mulheres e crianças encontram-se atualmente sob custódia israelense, sendo que, mais de mil são oriundos da Faixa de Gaza ocupada.
Estes últimos foram detidos ao abrigo da Lei dos Combatentes Ilegais, uma norma manifestamente ilegal, e são frequentemente vítimas de desaparecimentos forçados ou mantidos em regime de incomunicabilidade em instalações militares, sem acesso a advogados ou contacto com as suas famílias.
De acordo com organizações israelenses de direitos humanos, o número de palestininos que morreram sob custódia entre outubro de 2023 e janeiro de 2026 é de, pelo menos, entre 84 e 94.
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