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Mundo
Loucademia política da extrema-direita mundial está se sentindo empoderada
Publicado em 17/11/2024 10:53 -
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Numa operação coordenada com parlamentares bolsonaristas, aliados de Donald Trump no Congresso dos EUA enviaram uma carta para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ameaçando cortar recursos e colocando pressão sobre a instituição para que atue contra o Brasil. A alegação é de que a democracia estaria em risco no país diante da suspensão da plataforma de Elon Musk, o X.
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Vista como chantagem e num sinal do que poderá ser o governo Trump, a ação é ainda um ataque à autonomia e independência da Comissão Interamericana. O temor é de que, com o Departamento de Estado nas mãos de Marco Rubio, senador com um histórico de ataques contra a esquerda latino-americana, as ameaças sejam concretizadas contra o órgão regional.
Trump, em seu primeiro mandato, já fez uma ofensiva similar. Mas envolvendo outros países e o direito ao aborto. Naquele momento, a Casa Branca suspendeu o envio de US$ 200 mil para a relatoria da Comissão que lidava com direitos das mulheres.
Agora, os deputados republicanos assumiram o discurso bolsonarista sobre a suposta existência de uma censura e repressão no Brasil, narrativa adotada pelos aliados do ex-presidente e que buscam, nos EUA, respaldo para algum tipo de anistia e a garantia de que possam usar as redes sociais para difundir desinformação e ataques contra o sistema eleitoral.
A viagem de deputados brasileiros, que ocorre nesta semana, tinha como objetivo uma audiência com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos para debater a liberdade de expressão.
Mas o encontro foi cancelado, o que gerou uma profunda insatisfação por parte da delegação de deputados bolsonaristas. Agora, eles apenas serão recebidos nesta sexta-feira, em Washington DC, para uma reunião com alguns dos comissários do órgão, sem a presença nem do governo brasileiro e nem de ONGs de direitos humanos.
Além do encontro, os deputados brasileiros conseguiram convencer republicanos a enviar uma carta para a Comissão, tecendo ameaças contra a instituição.
O que os congressistas alertam é que, sem atuar contra o Brasil, o órgão poderia enfrentar cortes de recursos. A partir de 2025, Trump terá o controle do Senado e da Câmara dos Deputados nos EUA, com poder para abalar o orçamento e o destino de recursos para entidades.
“Escrevemos a Vossa Excelência na qualidade de membros da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos a respeito da situação atual no Brasil e das ações tomadas pela Suprema Corte brasileira contra a plataforma de mídia social X, ações que afetam milhões de brasileiros, bem como cidadãos americanos que vivem ou fazem negócios no Brasil e uma empresa americana”, disseram os deputados americanos.
Segundo eles, já em 3 de maio de 2024 uma carta foi enviada para a Comissão, exigindo ações. Mas não houve resposta.
“Desde então, a situação no Brasil piorou consideravelmente, como evidenciado, em primeiro lugar, pelo bloqueio ilegítimo da plataforma X no país, com a declaração de Alexandre de Moraes de sua intenção de restringir o discurso político protegido pela lei internacional de direitos humanos”, disseram.
“Embora os serviços do X tenham sido restaurados agora, isso só aconteceu depois que as eleições terminaram e com o X tendo sido forçado a cumprir a lei. Tudo isso é inaceitável”, escreveram.
“Solicitamos, mais uma vez, que a Comissão e seu Relator Especial para a Liberdade de Expressão informem sobre as medidas que foram tomadas para monitorar e resolver a situação para ajudar a pôr fim a essa conduta flagrante”, cobraram os americanos.
A carta, porém, veio seguida de uma ameaça. “Apoiamos o mandato específico da Comissão de promover e proteger o livre gozo dos direitos humanos e liberdades e as ferramentas à disposição da organização para exercer suas funções”, disseram.
“Estamos igualmente cientes do fato de que os Estados Unidos fornecem anualmente fundos suplementares à Comissão Interamericana em apoio ao seu mandato e, especificamente, para financiar o Escritório do Relator Especial para a Liberdade de Expressão e sua capacidade de emitir declarações e relatórios sobre a situação da liberdade de expressão, especialmente onde países estão tentando minar esses direitos”, disseram.
“Considerando isso, estamos profundamente preocupados com o uso desses fundos suplementares, à luz da aparente falta de ação de sua organização para tratar dessas questões urgentes que foram amplamente e corretamente entendidas como uma flagrante violação de direitos”, escreveram os congressistas americanos Darrrell Issa, Carlos Gimenez, Maria Elvita Salazar e Christopher Smith.
“Como membros da Câmara dos Deputados, é nosso dever supervisionar os gastos dos fundos pagos pelos contribuintes, inclusive aqueles que são desembolsados para a Comissão e o Gabinete do Relator Especial”, alertaram.
Republicano fala em “eleição perturbadora” de 2022 no Brasil
Durante a passagem pela capital americana, o grupo de brasileiro se reuniu com alguns dos deputados que formam a base mais radical de Donald Trump.
Um deles, o deputado republicano Brian Banin, do Texas, afirmou que está “preocupado com o que está ocorrendo no Brasil”.
Nas redes sociais, ele levantou dúvidas sobre a eleição de 2022. Ele citou “as eleições perturbadoras que vimos quando presidente Bolsonaro não foi eleito, apesar de milhões de pessoas terem ido votar, e os protestos por todo o país”. “Odeio dizer isso, mas sei o que eles sentem”, disse, numa referência aos protestos de Trump depois de ser derrotado em 2020.
Ele ainda criticou o STF e disse que, com Trump de volta, irão trabalhar para garantir que os brasileiros “tenham liberdade”.
O deputado avisou que “quer uma aliança” e que irá trabalhar para “trazer” de volta ao Brasil as instituições democráticas “que o (país) teve no passado e que terá no futuro”.
Segundo ele, Trump “certamente não quer ditadores de esquerda na America do Sul e faremos algo sobre isso”.
Escolhido de Trump acusou Lula de encobrir crimes de Maduro e censurar Musk
Marco Rubio, que terá a missão de chefiar a diplomacia de Donald Trump, é um velho conhecido do governo Lula. Nos últimos dois anos, ele tem criticado e atuado nos bastidores, acusando Brasília de ajudar Nicolas Maduro e outros líderes de esquerda na região. Ele também foi uma das vozes a atacar o Brasil por conta do tratamento a Elon Musk.
“Lula da Silva, do Brasil, é o mais recente líder de extrema esquerda que encobre a natureza criminosa do narco-regime de Maduro, dias depois de se reunir com o presidente Biden. Sob a fraca política externa do governo Biden, os tiranos em nossa região se sentem encorajados a buscar apoio internacional”, escreveu em 2023 Rubio, senador da Flórida.
Em fevereiro de 2023, no The Epoch Times, ele também criticou a aproximação de Lula aos chineses. “Parece paradoxal, mas o presidente Lula da Silva, do Brasil, está buscando laços mais estreitos tanto com os Estados Unidos quanto com a China comunista…. Por enquanto, isso significa que ele aceitará o que puder obter tanto dos EUA quanto do PCC – desde que isso beneficie sua agenda”, disse.
“O presidente Biden deve adotar uma linha firme com o novo presidente do Brasil, responsabilizando Lula por sua amizade com a China – bem como com outras ditaduras sangrentas, como as de Cuba, Nicarágua e Venezuela”, afirmou.
Mas as críticas, nos últimos meses, também têm sido direcionadas contra Lula. Quando o STF suspendeu o X, de Elon Musk, Rubio divulgou um comunicado no qual pressionava o Brasil a “retificar” sua postura em relação à plataforma.
“Há algum tempo, tenho ouvido falar da campanha de censura governamental em andamento no Brasil”, escreveu. “A recente decisão de proibir o X é a mais recente manobra do juiz Alexandre de Moraes para minar as liberdades básicas”, criticou.
“Desde multar indivíduos e entidades privadas que buscam informações sobre o X até impor censura legal, o povo brasileiro está enfrentando sérias repressões pelo simples fato de se envolver em uma plataforma de mídia social. Para o bem das liberdades básicas e de nosso relacionamento bilateral, o Brasil deve retificar essa medida autoritária”, disse Rubio.
“O banimento do X no Brasil, sob a administração Lula, levanta sérias preocupações sobre a liberdade de expressão e o alcance do Judiciário”, completou.
Apoio à presidência de Bolsonaro
A partir de 2019, o senador publicou artigos em defesa de uma aproximação de Trump a Jair Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente, ao assumir, “está inaugurando uma nova era na política brasileira que marca um afastamento dramático dos governos esquerdistas e antiamericanos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff”.
“Os governos esquerdistas anteriores prejudicaram a estabilidade econômica e política do Brasil, causando inflação mais alta, aumento das taxas de pobreza e queda nos níveis de renda per capita, mas o novo governo de Bolsonaro apresenta uma oportunidade de garantir uma aliança mais forte e estratégica com nossa nação que pode beneficiar o povo brasileiro”, escreveu em janeiro de 2019.
“Para a paz e a estabilidade da região, é crucial que os Estados Unidos capitalizem essa oportunidade histórica de aproximar as duas nações mais populosas do Hemisfério Ocidental”, escreveu Rubio, diante da eleição de Bolsonaro.
Segundo ele, um Brasil mais “estreitamente alinhado” com os EUA pode ser um “multiplicador de forças” na região. Para o senador, a parceria poderia ajudar os EUA a lidar com a crise p na Venezuela e ajudar a combater “as intenções malignas de regimes autoritários como China, Rússia e Irã, que pretendem expandir sua presença e atividades na América Latina”.
“Juntos, podemos ajudar a afastar os países pequenos de sua dependência do petróleo venezuelano, que ajuda a criar dependência do regime do presidente venezuelano Nicolás Maduro, um patrocinador estatal do tráfico de drogas (embora negue isso)”, disse ele. “Ao mesmo tempo, essa parceria provavelmente aumentará a cooperação e o compartilhamento de tecnologia.”
Rubio, na época, propôs que Trump fechasse com Bolsonaro acordos para fortalecer os laços de inteligência e defesa entre os dois países, aumentar o comércio, expandir o acesso dos EUA à indústria espacial do Brasil e apoiar a ascensão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em 2020, Bolsonaro e Rubio se reuniram. Naquele momento, a entrada da chinesa Huawei no Brasil e Venezuela estiveram na pauta.
Rubio insistiu sobre a preocupação dos EUA sobre a aproximação da empresa chinesa ao Brasil, num momento em que o país avaliava a implantação da infraestrutura da rede de telefonia 5G.
O senador usou a reunião para fazer uma ameaça: a presença da Huawei no Brasil poderia impedir um acordo de cooperação entre americanos e brasileiros no setor de defesa e de inteligência.
Rubio também defendeu a entrada do Brasil em um acordo de comércio com os Estados Unidos, assim como na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e se torne um parceiro global da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Ainda em 2019, o senador enviou uma carta a Trump em apoio ao pleito do Brasil para aderir à OCDE.
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