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Venezuela elege quem quiser, diz Lula após Maduro citar 'banho de sangue'
Publicado em 23/07/2024 2:51 - Lucas Pordeus León (Agência Brasil), Lucas Borges Teixeira (UOL) - Edição Semana On
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As pesquisas eleitorais da Venezuela divergem sobre o resultado do pleito presidencial marcado para o próximo domingo (28). Enquanto algumas enquetes dão a vitória com ampla margem ao principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, outros levantamentos apontam para uma vitória do atual presidente Nicolás Maduro, também com uma margem confortável.
Institutos de pesquisa como Datincorp, Delphos e Meganálisis, entre outros, dão vitória ao opositor Edmundo, da Mesa da Unidade Democrática (MUD), apoiado pela política María Corina Machado. Ela era apontada como favorita da oposição ao vencer as primárias, mas teve a candidatura vetada por condenações judiciais.
Já pesquisas do Centro de Medição e Interpretação de Dados Estatísticos (Cmide), do Hinterlaces e do Internacional Consulting Services (ICS), entre outros estudos, indicam que Nicolás Maduro deve se reeleger para um terceiro mandato, segundo informa a Telesur, veículo estatal do país.
O sociólogo, economista político e analista venezuelano Luis Salas ressaltou à que as pesquisas eleitorais na Venezuela historicamente favorecem o voto opositor.
“Historicamente, desde que o chavismo chegou ao poder, as pesquisas sempre sobrevalorizaram o voto opositor. Desde que Chávez foi presidente, e depois Maduro, os principais institutos de pesquisa erram e favoreceram o voto da oposição”, afirmou o analista.
A especialista Carmen Beatriz Fernández, diretora da DataStrategia, empresa que trabalha com medição de opinião pública para conduzir campanhas políticas, alertou para os problemas da medição de votos na Venezuela.
“Por que falham as pesquisas eleitorais? Basicamente por três razões: por causa da volatilidade do eleitorado; por falhas metodológicas e porque não são pesquisas, se não pseudopesquisas feitas para desinformar e serem usadas como propaganda”, destacou em uma rede social.
O venezuelano Francisco Rodriguez, professor da Universidade de Denver, nos Estados Unidos, reforçou a pouca confiança nas pesquisas do país. Segundo ele, desde 2017, sete institutos de pesquisas vêm sobrevalorizando o voto opositor.
“Esses mesmos inquéritos sobrevalorizaram o voto da oposição, em média, nos últimos 10 anos, em 27,8%. Se corrigirmos esse viés, teríamos um virtual empate técnico [entre Maduro e Edmundo González]”, afirmou, em uma rede social, o estudioso da realidade venezuelana.
Eleições na Venezuela
Dona da maior reserva comprovada de petróleo do planeta, a Venezuela vai às urnas no próximo domingo, quando cerca de 21 milhões de pessoas devem eleger o próximo presidente, que vai governar o país sul-americano entre 2025 e 2031. O presidente Nicolas Maduro, no poder desde 2013, enfrenta nas urnas nove concorrentes.
Esta é a primeira eleição, desde 2015, em que toda a oposição topou participar do pleito. Desde 2017, os principais partidos de oposição vêm boicotando as eleições nacionais.
A Venezuela enfrenta um bloqueio financeiro e comercial pelo menos desde 2017, quando potências como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e União Europeia passaram a não reconhecer a legitimidade do governo Maduro.
O país vizinho também passou por uma grave crise econômica no período, com hiperinflação e perda de cerca de 75% do PIB, o que resultou em uma migração de mais de 7 milhões de pessoas.
Desde meados de 2021, o país vem mostrando alguma recuperação econômica. A hiperinflação foi derrotada e a economia voltou a crescer em 2022 e 2023, porém os salários continuam baixos e os serviços públicos deteriorados.
Desde 2022, o embargo econômico vem sendo parcialmente flexibilizado e um acordo entre oposição e governo foi firmado para as eleições deste ano. Porém, denúncias de prisões de opositores nos últimos dias e recursas em assinar acordo para respeitar o resultado eleitoral por alguns candidatos da oposição, entre eles, o favorito Edmundo González, jogam dúvidas sobre o dia após a votação.
Venezuela elege quem quiser, diz Lula após Maduro citar ‘banho de sangue’
O presidente Lula (PT) afirmou que as relações que tem com países como Venezuela e Argentina são “de Estado” e que seus cidadãos elegem “os presidentes que eles quiserem”.
A fala se dá após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, alertar para a possibilidade de um “banho de sangue” e uma “guerra civil” caso não vença as eleições, marcadas para o próximo dia 28.
“Por que que eu vou querer brigar com a Venezuela, com a Nicarágua, com a Argentina?”, questionou Lula. “Eles que elejam os presidentes que eles quiserem. O que me interessa é a relação de Estado.”
“Todo mundo gosta do Brasil e o Brasil tem de gostar de todo mundo”, argumentou. “Não tem nenhum país do mundo sem contencioso com ninguém como o Brasil, não existe.”
Nos exemplos, ele fala de aliados e adversários. Maduro é aliado histórico do PT desde o governo de Dilma Rousseff. O mesmo se dá com Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, também acusado de regime autoritário.
Na Argentina, é o oposto. Aliado do ex-presidente Alberto Fernández, Lula não tem ligações com Javier Milei. O argentino o chamou de “ladrão e comunista” durante as eleições e, recentemente, faltou ao Mercosul para participar de uma conferência da extrema direita no Brasil.
“Banho de sangue”
Maduro busca um terceiro mandato de seis anos. A disputa tem sido marcada por denúncias de prisões de opositores, acusados pelo governo de conspirar para derrubá-lo.
O presidente venezuelano afirmou que o resultado das eleições é crucial para evitar conflitos. “Quanto mais contundente for a [nossa] vitória, mais garantias de paz vamos ter”, disse Maduro durante discurso no bairro de La Vega, em Caracas, no dia 17.
No último dia 11, Maduro havia dito que a Venezuela decidirá entre “guerra e paz” nas próximas eleições. “Em 28 de julho, escolheremos entre protestos violentos e tranquilidade, colônia ou projeto de pátria, fascismo ou democracia. Estão preparados? Estão preparadas? Eu estou preparado”, declarou.
As declarações colocam Lula em situação delicada. O brasileiro tem cobrado eleições limpas no país vizinho, mas procura não entrar em conflito direto com o aliado.
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