Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mato Grosso do Sul

Prefeito de Terenos é afastado após prisão por desvio de R$ 15 milhões

Ex-prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro, é condenado por improbidade

Publicado em 11/09/2025 12:28 - Semana On

Divulgação Gov MS

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Preso na última terça-feira (9) durante a Operação Spotless, o prefeito de Terenos (MS), Henrique Budke (PSDB), pediu afastamento do cargo nesta quinta-feira (11). Ele é apontado pelo Ministério Público como chefe de uma organização criminosa que desviou ao menos R$ 15 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes em licitações e pagamentos ilegais. O vice-prefeito, Arlindo Landolfi (Republicanos), deve assumir o comando da prefeitura nesta sexta-feira (12).

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e teve como base provas obtidas na Operação Velatus, deflagrada em agosto de 2024. Foram cumpridos 16 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão nas cidades de Terenos e Campo Grande. Segundo o Gaeco, o esquema envolvia servidores públicos, empresários e até um policial militar, que participavam de simulações de processos licitatórios, emissão de notas frias e pagamentos acelerados a empresas envolvidas no conluio.

Fraude estruturada e enriquecimento ilícito

As investigações revelam que o prefeito Budke teve um crescimento patrimonial incompatível com sua renda pública. De acordo com relatório, entre 2020 — quando disputou sua primeira eleição — e 2024, ano em que se reelegeu, o patrimônio declarado por Budke aumentou 691%, passando de cerca de R$ 775 mil para mais de R$ 6,1 milhões.

Apenas a Fazenda Ipê Amarelo, com 161 hectares, foi declarada por R$ 1,5 milhão, mas teria valor de mercado estimado em R$ 4,3 milhões. Budke também investiu em empresas, como a Resilix Ltda., na qual declarou ter apenas R$ 1 mil em cotas, mas que, segundo o Gaeco, corresponderiam na realidade a R$ 745,9 mil em participação societária. A investigação identificou indícios de que ao menos R$ 611 mil foram recebidos diretamente como propina.

“O enriquecimento vivenciado pelo prefeito era incompatível com suas funções”, aponta trecho do relatório do Gaeco.

Rede criminosa e conivência institucional

O núcleo criminoso, segundo os promotores, era organizado e segmentado. Servidores públicos elaboravam editais sob medida e atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços nunca entregues. Empresas de fachada eram usadas para driblar a concorrência real, e os pagamentos eram liberados de forma acelerada em troca de propinas.

Entre os presos está o 3º sargento da Polícia Militar Fábio André Hoffmeister Ramires, que também responde por integrar o esquema. O militar, que é maçom, mantinha vínculos com Budke na mesma loja maçônica e chegou a assinar ordens de serviço em nome da empresa Tercam, que recebeu R$ 248 mil por uma obra em escola indígena. Mesmo ocupando cargo público, o policial agia como empresário — em clara violação ao princípio da impessoalidade na administração pública.

A operação foi autorizada judicialmente pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros, e segundo o MP, os dados coletados mostram que Henrique Budke liderava o esquema com funções ativas na seleção de empresas beneficiadas e no recebimento de vantagens indevidas.

Silêncio e defesa

Em nota assinada por seu advogado, Julicezar Barbosa, Budke afirma que “sempre pautou sua vida em honestidade e transparência” e que o afastamento é necessário para que ele possa “concentrar-se em sua defesa”. A defesa acredita que “a verdade provará sua inocência”.

O prefeito, no entanto, ainda não se pronunciou diretamente sobre os indícios de enriquecimento ilícito apontados pelas investigações.

Histórico de corrupção em Mato Grosso do Sul

O caso de Terenos não é isolado. Na mesma semana, o ex-prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro (PSDB), foi condenado por improbidade administrativa por firmar contratos emergenciais superfaturados para coleta de lixo. A Justiça determinou o ressarcimento de R$ 7,3 milhões aos cofres públicos, além da suspensão dos direitos políticos por oito anos.

Segundo a sentença da juíza Aline Beatriz de Oliveira Lacerda, os contratos foram firmados com a mesma empresa, sem licitação, por períodos que extrapolam os 180 dias permitidos pela Lei de Licitações. A perícia identificou que os preços cobrados eram superiores aos de mercado — e até maiores do que os praticados pela mesma empresa em processos licitatórios posteriores.

A corrupção como sintoma estrutural

Os casos de Budke e Guerreiro reforçam um padrão recorrente em administrações municipais: o uso do poder público como instrumento de favorecimento privado, por meio de fraudes em licitações, contratos emergenciais forjados e conivência institucional. A prática, embora ilegal, se mantém resistente a mudanças estruturais, e só é desmontada quando investigações se aprofundam com respaldo judicial.

Para o cientista político Cláudio Couto, professor da FGV, “a corrupção municipal é difícil de combater porque se esconde sob a aparência de normalidade. Muitas vezes, a população sequer percebe que está sendo lesada”.

A deflagração da Operação Spotless evidencia não só a fragilidade dos mecanismos de controle nas pequenas cidades, mas também a necessidade urgente de maior transparência e participação social nas finanças públicas. Enquanto a Justiça atua reativamente, os cofres municipais seguem vulneráveis ao assalto sistemático de gestores que confundem mandato com propriedade.

ANP interdita base de combustíveis ‘fantasma’ usada para fraudes em MS e SP


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Uma resposta para “Prefeito de Terenos é afastado após prisão por desvio de R$ 15 milhões”

  1. Maria Floriana borges disse:

    Pra mim e a população Treslagoense foi o primeiro e único prefeito bom em Três Lagoas-MS se chama Ângelo Guerreiro. O atual.prefeito tá com inveja do trabalho.pelo Ângelo agora fica causando mercado em miolo de porta. Se ele fosse cuidadar da cidade pelo que foi eleito ganharia mais por luz na cidade pq quem viu a cidade a um ano atrás agora ver este desleixo só acidade por falta de sinalização, escuridão parece uma cidade fantasma. Ele tá parecendo o Trump ao invés de trabalhar, fica é perseguindo funcionários do mandato anterior, isso é coisa de gente pequena, sem caráter, sem moral sem experiência de gestão. Vai trabalhar Prefeito senão vamos te causar seu mandato e colocar seu lugar a Vive-Preita Vera Helena, exonerou ela do Cargo de Assistente Social, só pq foi honesta e confessou ser do Ângelo Guerreiro. Se o Senhor Prefeito deixasse de perseguir funcionários e fizesse um Prebiscito pra saber que votaria no Senhor sairia de carro ????????????????

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *