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Especial
Extrema pobreza atinge menor nível desde 2012, mas o mercado não gosta
Publicado em 06/12/2024 2:21 - Bruno de Freitas Moura (Agência Brasil), Semana On – Edição Semana On
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O Brasil terminou 2023 com os menores níveis de pobreza e de extrema pobreza já registrados pela Síntese de Indicadores Sociais, pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2012. Apesar do recuo, os dados divulgados na quarta-feira (4) mostram que 58,9 milhões de pessoas ainda viviam na pobreza; enquanto 9,5 milhões, na extrema pobreza.
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O estudo leva em conta a chamada pobreza monetária, ou seja, a família não ter rendimentos suficientes para prover o bem-estar. Para traçar as linhas limites, o IBGE utilizou o critério do Banco Mundial de US$ 2,15 por pessoa por dia (ou R$ 209 por mês) para a extrema pobreza e de US$ 6,85 por pessoa por dia (ou R$ 665 por mês) para a pobreza.
A proporção da população na extrema pobreza terminou 2023 em 4,4%. O índice era 6,6% em 2012 e 5,9% em 2022. Entre os dois últimos anos da pesquisa, 3,1 milhões de pessoas deixaram de ser extremamente pobres, ou seja, passaram a poder contar com o equivalente a pelo menos US$ 2,15 por dia.
Em relação à pobreza, a proporção da população com o equivalente a menos de US$ 6,85 por dia ficou em 27,4%. O índice era de 34,7% em 2012 e de 31,6% em 2022. Entre 2022 e 2023, 8,7 milhões de pessoas deixaram a ser pobres.

Emprego e renda
De acordo com o pesquisador do IBGE Bruno Mandelli Perez, dois fatores explicam as reduções da pobreza e extrema pobreza: o emprego e os benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência.
“Tanto o mercado de trabalho quanto benefícios de programas sociais são importantes para explicar a redução na pobreza, mas o mercado de trabalho é mais importante no caso da pobreza; e os benefícios de programas sociais, na extrema pobreza”, explica.
“O aumento dos valores médios dos benefícios concedidos pelo Bolsa Família, em 2023, quando comparado com o Auxílio Brasil 2022, certamente teve impactos sobre a manutenção da trajetória de redução da pobreza e da extrema pobreza em 2023”, ressalta o texto da Síntese de Indicadores Sociais.
A pesquisa aponta que o Nordeste tem a maior proporção de pessoas na extrema pobreza (9,1%), sendo mais que o dobro da média nacional (4,4%). Já no Sul, o índice é de 1,7% da população, o mais baixo do país.
O Nordeste figura também como a região com maior parcela de pessoas pobres, 47,2%. Novamente, o Sul aparece no extremo oposto, com 14,8% – praticamente metade da proporção média do país.
Mulheres, negros e jovens
Ao analisar a população pobre, o IBGE constata que as maiores vítimas da pobreza e extrema pobreza são as mulheres, negros (conjunto de pretos e pardos) e jovens.
Enquanto a parcela de homens na pobreza é de 26,3%, a das mulheres alcança 28,4%. Em relação à extrema pobreza, as proporções são 4,3% e 4,5%, respectivamente.
No recorte por cor, entre os brancos, 17,7% são pobres. Entre os pardos, a proporção é praticamente o dobro, 35,5%; e entre os pretos, 30,8%.
Quando se observa a linha da extrema pobreza, entre os brancos são apenas 2,6%; já entre os pardos e pretos, 6% e 4,7%, respectivamente.
Analisando por faixa etária, percebe-se que a população jovem tem taxas superiores à média nacional (27,4%). Entre os que têm até 15 anos, são 44,8%. Entre 15 e 29 anos, 29,9%.
O pesquisador Bruno Perez destaca que tanto a pobreza quanto a extrema pobreza são menores em pessoas com mais de 60 anos, proporção de 11,3% e 2%, respectivamente.
“É a população que, no geral, está coberta por acesso à aposentadoria, pensões, que têm [os rendimentos] vinculados ao salário mínimo”, justifica.
Benefícios sociais
A Síntese de Indicadores Sociais traz dados que mostram a importância de benefícios sociais para a população mais pobre. Em 2023, a renda proveniente do trabalho era a principal fonte de dinheiro dos domicílios. De cada R$ 100, R$ 74,20 vinham do trabalho.
Mas no grupo de famílias com menores rendimentos, isto é, os que recebem até um quarto do salário mínimo por pessoa, os benefícios sociais representaram mais da metade do rendimento obtido. De cada R$ 100, R$ 57,10 vinham de benefícios, superando R$ 34,60 que eram originários do trabalho.
Quando a pesquisa se iniciou, em 2012, os benefícios sociais respondiam por apenas 23,5% do rendimento domiciliar dos mais pobres. Dez anos depois, essa parcela passou para 42,2%.
“Entre esses domicílios com menor rendimento, até um quarto do salário mínimo, o fator trabalho está perdendo participação, e os benefícios de programas sociais estão ganhando participação”, destaca Perez.
Os pesquisadores traçaram o comportamento da proporção de pessoas que viviam em famílias que recebiam benefícios de programas sociais. Em 2012, eram 25,6%. A proporção segue tendência praticamente de queda até chegar a 22,7% em 2019, último ano antes da pandemia de covid-19.
Por causa da pandemia, o número saltou para 36,8% em 2020, o maior já registrado, até cair a 25,8% em 2022. De 2022 para 2023, o índice subiu, representando 27,9% da população vivendo em domicílio beneficiado por programa de transferência de renda. De acordo como o IBGE, o aumento é explicado pela reedição do Bolsa Família, em março de 2023.
As maiores proporções de beneficiários – acima da média nacional – são de moradores de áreas rurais (50,9%), mulheres (29,0%), pretos (34,1%), pardos (36,4%) e crianças (42,7%).
O pesquisador Bruno Perez apresentou uma simulação de qual seria o comportamento da pobreza e da extrema pobreza se não houvesse programas de transferência de renda. Em vez de 4,4%, a extrema pobreza seria de 11,2%. A pobreza seria 32,4% em vez de 27,4%.
Desigualdade
Em 2023, o índice de Gini, indicador que mede a distribuição de renda em um país, foi 0,518, mesmo valor de 2022 e o melhor patamar já registrado na série histórica desde 2012. O Gini vai de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de zero, menos desigual é a sociedade. O pior nível de desigualdade da série foi em 2018 (0,545).
De acordo com o IBGE, se não existissem programas de transferência de renda, o indicador de 2023 estaria em 0,555.

RESUMO
– O percentual de pessoas em situação de pobreza caiu de 36,7% em 2021 para 31,6% em 2022, enquanto a proporção de pessoas em extrema pobreza caiu de 9,0% para 5,9%, neste período.
– Em 2022, havia 67,8 milhões de pessoas na pobreza e 12,7 milhões na extrema pobreza. Frente a 2021, esses contingentes recuaram 10,2 milhões e 6,5 milhões de pessoas, respectivamente.
– De 2021 a 2022, a extrema pobreza e a pobreza recuaram em todas as regiões, em especial no Norte (-5,9 p.p. e -7,2 p.p., respectivamente) e no Nordeste (-5,8 p.p. e -6,2 p.p.).
– Em 2022, entre as pessoas com até 14 anos de idade, 49,1% eram pobres e 10,0%, extremamente pobres.
– Na população com 60 anos ou mais, 14,8% eram pobres e 2,3%, extremamente pobres.
– Entre as pessoas de cor ou raça preta ou parda, 40,0% eram pobres em 2022, um patamar duas vezes superior à taxa da população branca (21%).
– O arranjo domiciliar formado por mulheres pretas ou pardas, sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos concentrou a maior incidência de pobreza: 72,2% dos moradores desses arranjos eram pobres e 22,6% eram extremamente pobres.
– A participação dos programas sociais no rendimento domiciliar das pessoas em situação de extrema pobreza chegou a 67,0% em 2022. Já a renda do trabalho foi responsável por apenas 27,4% do rendimento deste grupo.
– Entre os domicílios considerados pobres, os benefícios de programas sociais representavam 20,5% dos rendimentos e a renda do trabalho, 63,1%.
– Os impactos da ausência hipotética dos programas sociais teriam elevado em 12% a proporção de pobres do país em 2022, que passaria de 31,6% para 35,4%. Já a extrema pobreza teria sido 80% maior em 2022, passando de 5,9% para 10,6% da população do país.
– Caso não existissem programas sociais, o índice de Gini que mede a desigualdade na distribuição de renda, teria sido 5,5% maior, passando dos atuais 0,518 para 0,548.
O “mercado” à beira de um ataque de nervos
A pobreza diminuiu, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 4% no terceiro trimestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2023. Mas, o mercado está á beira de um ataque de nervos.
Este é o 15º trimestre consecutivo de crescimento na base anual, um feito notável em um cenário global ainda marcado por incertezas geopolíticas e os resquícios da pandemia de COVID-19. No entanto, a desaceleração em relação aos trimestres anteriores reflete as pressões de uma política monetária mais restritiva, que começa a limitar o consumo e os investimentos.
Os setores de serviços e indústria foram os motores do crescimento econômico. Com alta de 4,1% e 3,6% respectivamente na comparação anual, os segmentos mostram resiliência, mesmo diante de desafios como custos mais elevados de energia e dificuldades no comércio global. No setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB nacional, informação e comunicação (+7,8%) e atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (+5,1%) lideraram o avanço. Já na indústria, a construção civil despontou com crescimento de 5,7%, impulsionada pela maior ocupação e produção de insumos.
Por outro lado, a agropecuária apresentou retração de 0,8% na base anual e 0,9% em relação ao trimestre anterior, reflexo de quedas significativas nas safras de milho (-11,9%) e laranja (-14,9%), além de uma produtividade menor na cana-de-açúcar (-1,2%).
Consumo e investimentos continuam em alta
O consumo das famílias, beneficiado por programas governamentais e pela melhora no mercado de trabalho, subiu 5,5% na comparação anual e 1,5% em relação ao segundo trimestre de 2024. Este é o 14º mês consecutivo de alta, consolidando o papel do consumo como um dos principais pilares do crescimento econômico.
Os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo, cresceram expressivos 10,8% na comparação anual. Esse avanço é atribuído ao aumento na importação e produção de bens de capital, além do fortalecimento de setores como construção civil e desenvolvimento de software.
Revisões e perspectivas para o futuro
O IBGE também revisou para cima o crescimento do PIB de 2023, de 2,9% para 3,2%, ajustando os desempenhos dos setores de serviços, indústria e agropecuária com base em novas fontes de dados. Essa revisão reforça a percepção de que a economia brasileira tem demonstrado resiliência frente a desafios internos e externos.
O governo, por meio da Secretaria de Política Econômica (SPE), comemorou os resultados, destacando que o crescimento no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado financeiro. “O ritmo de crescimento seguiu robusto, com sinais positivos para a indústria e os serviços”, afirmou a secretaria em nota.
No entanto, a perspectiva é de que a economia desacelere nos próximos meses. “A política monetária mais contracionista deverá restringir o ritmo de expansão das concessões de crédito e dos investimentos. Ainda assim, o mercado de trabalho resiliente deve sustentar o consumo das famílias”, completou a SPE.]
O que os números revelam
O crescimento econômico brasileiro no terceiro trimestre de 2024 confirma a capacidade de adaptação de uma economia diversificada, mas também expõe os desafios estruturais que ainda limitam o potencial do país. A queda na agropecuária destaca a necessidade de investimentos em inovação e sustentabilidade no campo, enquanto a desaceleração geral do PIB reflete as dificuldades impostas por um ambiente de juros elevados.
Com a expectativa de uma leve revisão para cima na projeção de crescimento anual, o Brasil segue trilhando um caminho de recuperação, embora a dinâmica global e os fatores internos, como a política fiscal e a estabilidade política, permaneçam como variáveis críticas para sustentar o crescimento no longo prazo.
Emprego com carteira assinada bate recorde histórico
O mercado de trabalho brasileiro alcançou números recordes no trimestre encerrado em outubro de 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), conduzida pelo IBGE. Com 39,021 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, o Brasil atingiu o maior contingente de empregados formais desde o início da série histórica, em 2012. O setor público também registrou números inéditos, reforçando um cenário de recuperação do emprego em diversas modalidades.
Crescimento no setor privado e aumento do trabalho informal
O setor privado formal foi o principal destaque no período, com a criação de 1,406 milhão de vagas com carteira assinada em relação ao mesmo trimestre de 2023. Este crescimento reflete uma melhora contínua nas condições do mercado de trabalho, impulsionada por fatores como o aumento da atividade econômica e programas de incentivo ao emprego.
No entanto, o trabalho informal também atingiu níveis recordes. O número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado chegou a 14,433 milhões, um aumento de 517 mil em relação ao trimestre anterior e de 1,118 milhão na comparação anual. Esses números evidenciam que, apesar da formalização crescente, a informalidade ainda ocupa um papel significativo no mercado de trabalho brasileiro.
Trabalho por conta própria e empregadores em alta
O número de trabalhadores por conta própria subiu para 25,678 milhões, um incremento de 249 mil pessoas em relação ao trimestre anterior. Embora essa modalidade represente uma alternativa para muitos brasileiros, também reflete desafios estruturais, como o acesso limitado a empregos formais em determinadas regiões ou setores.
O número de empregadores também registrou crescimento, com 4,340 milhões de pessoas ocupando essa posição, um aumento de 88 mil em comparação ao trimestre encerrado em julho de 2024 e de 107 mil ante o mesmo período do ano passado. Esse crescimento sugere uma retomada da confiança no ambiente de negócios, essencial para fomentar a geração de emprego e renda.
Expansão no setor público e trabalho doméstico
O setor público, frequentemente apontado como um pilar de estabilidade no mercado de trabalho, também teve uma performance histórica, com 12,840 milhões de ocupados no trimestre encerrado em outubro, um aumento de 146 mil vagas em relação ao trimestre anterior e de 699 mil na comparação anual. Este recorde reflete tanto a expansão de contratações quanto a recuperação de áreas estratégicas, como saúde e educação.
O trabalho doméstico, por sua vez, mostrou recuperação, com 5,966 milhões de pessoas ocupadas nesta modalidade — um aumento de 134 mil vagas no trimestre e de 147 mil em relação ao ano anterior. Este segmento, que havia sido duramente impactado pela pandemia de COVID-19, demonstra sinais de retomada, embora ainda enfrente desafios relacionados à formalização e aos direitos trabalhistas.
Perspectivas e desafios
Os números refletem uma retomada consistente do mercado de trabalho, impulsionada por fatores econômicos e políticas públicas direcionadas. Contudo, o avanço da informalidade e a dependência de modalidades mais precárias, como o trabalho por conta própria, ainda colocam em evidência as desigualdades estruturais do mercado de trabalho brasileiro.
“A formalização do emprego é um indicador positivo, mas a persistência da informalidade aponta para a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das relações formais de trabalho”, analisa o economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social, em entrevista recente sobre o mercado de trabalho.
À medida que o Brasil avança no fortalecimento de sua economia, a criação de empregos de qualidade e a redução da informalidade continuam sendo desafios centrais para garantir um crescimento inclusivo e sustentável.
Reação do mercado financeiro ao plano de Haddad é exagerada
O plano de cortes de gastos e reforma tributária apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na semana passada gerou reações acaloradas no mercado financeiro, com oscilações significativas no dólar e na bolsa de valores. Contudo, essas movimentações foram classificadas como “exageradas” por José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), uma das entidades mais representativas do setor industrial no país.
“Quando você vê movimentos bruscos de bolsa e dólar, é preciso ter calma para analisar. Essa movimentação especulativa não é um bom termômetro porque tem alguém que vai ganhar dinheiro com isso”, afirmou Velloso, em entrevista. Embora ele reforce sua defesa do livre mercado e do lucro como motores da economia, adota uma posição crítica em relação ao comportamento de curto prazo do mercado financeiro.
Velloso avaliou que, apesar de algumas falhas políticas no anúncio do pacote — especialmente na decisão de combinar a reforma do Imposto de Renda com os cortes de gastos —, o plano de Haddad está “no caminho correto”. No entanto, ele reconhece que o sucesso dessas medidas dependerá da articulação do governo no Congresso Nacional, onde o plano será debatido e votado.
O presidente da Abimaq pontuou que o plano de Haddad carrega desafios políticos significativos, mas pode oferecer os ajustes necessários para controlar o déficit fiscal sem comprometer o crescimento econômico. Para ele, “a leitura dos analistas do mercado financeiro precisa ser mais ampla, considerando os impactos de longo prazo e não apenas as reações imediatas”.
Juros elevados: um entrave ao crescimento econômico
Uma das críticas mais contundentes de Velloso foi direcionada à política monetária, especialmente ao patamar elevado da taxa de juros básica (Selic), que atualmente está em 11,75% ao ano. “Essa discussão sempre desembocar no aumento da taxa de juros é disfuncional. Essa taxa de juros elevadíssima é mais prejudicial do que qualquer outra coisa na economia”, desabafou.
O impacto de juros altos sobre a economia tem sido um ponto de atrito constante entre representantes da indústria e o mercado financeiro. Enquanto o Banco Central defende a manutenção de uma política monetária contracionista para conter a inflação, setores produtivos, como o industrial, argumentam que esse cenário dificulta investimentos e prejudica a competitividade das empresas brasileiras.
As críticas de Velloso tocam em um ponto sensível da relação entre o mercado financeiro e a economia real. Para ele, as oscilações nos mercados de câmbio e ações refletem mais movimentos especulativos do que uma avaliação objetiva das medidas econômicas anunciadas. “Há interesses que se beneficiam dessas volatilidades, mas isso não necessariamente representa um diagnóstico fiel do impacto das políticas no longo prazo”, disse.
O pacote econômico do governo Haddad foi desenhado para atacar o déficit fiscal e melhorar a sustentabilidade das contas públicas, mas sua implementação esbarra em uma questão central: o apoio político. Com medidas que incluem ajustes no Imposto de Renda e cortes de gastos em áreas sensíveis, o governo precisará articular uma base sólida no Congresso Nacional para aprovar as mudanças.
Para José Velloso, o sucesso do plano não está apenas nos números, mas na capacidade de Haddad de negociar e alinhar interesses divergentes. “O Congresso será decisivo nesse processo, e o plano só terá impacto real se passar por uma discussão madura e bem fundamentada”, concluiu.
Perspectivas para a economia
Apesar das turbulências iniciais, o plano de Haddad pode marcar um passo importante para ajustar o equilíbrio fiscal e recuperar a confiança de investidores e da indústria. No entanto, a resistência do mercado financeiro e o ambiente de juros altos criam uma equação desafiadora para o governo. O diálogo entre as diferentes esferas — política, financeira e produtiva — será essencial para que o Brasil consiga alinhar crescimento econômico e estabilidade fiscal.
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