Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Especial

PLANETA SECO

Crise hídrica afetará produção de alimentos e energia, ampliando o fosso social em todo o mundo

Publicado em 18/10/2024 3:38 - DW, Martin Kuebler (DW) – Edição Semana On

Divulgação Victor Barone - Midjourney

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Mais da metade da produção mundial de alimentos pode estar em risco até 2050 se medidas urgentes contra a crise global de água não forem adotadas, alertou um grupo de líderes e especialistas em um relatório publicado na quinta-feira (17/10).

CLIQUE AQUI E SIGA A SEMANA ON NO INSTAGRAM

“Quase 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção mundial de alimentos estão agora em áreas onde o armazenamento total de água tende a diminuir”, diz o relatório produzido pela Comissão Global sobre a Economia da Água (GCEW, na sigla em inglês).

Intitulada A economia da água: valorizar o ciclo hidrológico como um bem comum global, a análise alerta que a crise hídrica pode levar a uma redução média de 8% no Produto Interno Bruto (PIB) em países de alta renda até 2050 e de até 15% em países de baixa renda.

Os declínios econômicos seriam consequência “dos efeitos combinados das mudanças nos padrões de precipitação e do aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas, juntamente com o declínio do armazenamento total de água e a falta de acesso a água limpa e saneamento”.

A GCEW considera que “a utilização destrutiva da terra e a persistente má gestão dos recursos hídricos se juntaram ao agravamento da crise climática para colocar o ciclo global da água sob uma pressão sem precedentes”.

Em hidrologia, o chamado ciclo da água ou ciclo hidrológico refere-se à troca contínua de água entre a atmosfera, a água do solo, águas superficiais, subterrâneas e das plantas.

“Pela primeira vez na história da humanidade, estamos desequilibrando o ciclo global da água. Já não podemos confiar na chuva, a fonte de toda a água doce, devido às alterações climáticas e de uso da terra causadas pela humanidade, que prejudicam a base do bem-estar humano e da economia mundial”, afirma Johan Rockström, diretor do Instituto de Potsdam de Pesquisa sobre Impactos Climáticos (PIK) e um dos cinco copresidentes da GCEW.

Relatório “histórico”

A Comissão Global sobre a Economia da Água foi criada pela Holanda em 2022, com base no trabalho de dezenas de cientistas e economistas de renome, com o objetivo de formar uma visão abrangente sobre o estado dos sistemas hidrológicos globais e sua gestão.

O relatório de 194 páginas publicado nesta quinta é o maior estudo global a analisar os vários aspectos da crise da água e sugerir soluções. O documento, que a comissão classifica de “histórico”, argumenta que as abordagens existentes ocasionaram a crise da água, por não levarem em conta o seu valor para a economia e a preservação dos ecossistemas.

Embora a água seja frequentemente percebida como “um presente abundante da natureza”, o relatório enfatiza que ela é escassa e cara para transportar.

Em julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu o direito de todas as pessoas ao acesso a água suficiente para uso pessoal e doméstico, o que equivaleria a entre 50 e 100 litros por dia. A GCEW, no entanto, afirma que essa quantidade foi subestimada e sustenta que “uma vida digna – incluindo nutrição e consumo adequados – requer um mínimo de cerca de 4.000 litros por pessoa por dia”.

Água como bem comum global

Os especialistas apelaram para que o ciclo da água seja considerado um “bem comum global”, o que exige uma “colaboração através de fronteiras e culturas”, e para uma transformação na governança da água em todos os níveis.

“Os custos envolvidos nessas ações são muito pequenos em comparação ao dano que a inação contínua causará às economias e à humanidade”, destacaram os especialistas.

Para enfrentar a crise, é necessária uma “nova economia da água”, baseada num “pensamento mais ousado e integrado e numa reformulação da estrutura das políticas”, defende a comissão.

“Só podemos resolver esta crise se pensarmos em termos muito mais amplos sobre como governamos a água. Reconhecendo as interações da água com as alterações climáticas e a biodiversidade. Mobilizando todas as nossas ferramentas econômicas e financiamento público e privado para inovar e investir na água. Pensando e agindo multilateralmente”, resume outro copresidente da GCEW, o líder de Singapura, Tharman Shanmugaratnam.

Do fim de subsídios a dietas de origem vegetal

Entre outras medidas, o documento da GCEW defende a eliminação de subsídios prejudiciais em setores de uso intensivo de água. “Precisamos vincular a precificação da água a subsídios apropriados”, disse Ngozi Okonjo-Iweala, Diretora-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e copresidente da GCEW.

A primeira missão, segundo a comissão, deverá ser o lançamento de uma revolução nos sistemas alimentares, o que incluiria o uso da microirrigação (técnica de irrigação que consiste na aplicação de água de forma precisa e controlada) na agricultura e a mudança progressiva “de dietas de origem animal para dietas de origem vegetal”.

A GCEW recomenda também que sejam conservados e restaurados habitats naturais essenciais para preservar a umidade nos solos e plantas, que retorna e circula pela atmosfera e gera chuva.

“Nenhuma comunidade ou economia será poupada”

O relatório apela ainda pela proteção dos mais pobres e vulneráveis. “A crise global da água atinge primeiro, e de forma mais dura, os mais vulneráveis. Mais de mil crianças com menos de 5 anos de idade morrem todos os dias por causa de água imprópria e falta de saneamento”, diz o relatório.

“No entanto, nenhuma comunidade ou economia será poupada das consequências de um ciclo da água desregulado — resultado de nossas ações coletivas ao longo de décadas. O mais perigoso é que falharemos no combate às mudanças climáticas se falharmos na gestão da água”, alerta o texto.

Seca recorde no Brasil impacta rios da América Latina

O Rio Paraguai, uma importante via de escoamento de grãos, atingiu uma baixa recorde na capital do Paraguai, Assunção, com os níveis de água afetados pela seca extrema rio acima no Brasil, que prejudicou a navegação ao longo das hidrovias na Amazônia.

A profundidade do rio Paraguai, medida em relação a um marco “zero” dos índices de medição ao invés do leito do rio, ficou abaixo de 0,82 metro negativo, quebrando o recorde anterior de outubro de 2021, segundo dados da Diretoria Nacional de Meteorologia e Hidrologia. Sem previsão de chuva, o órgão espera que o nível do rio continue caindo.

O rio Paraná, na Argentina, também está perto do nível mais baixo do ano em torno do centro graneleiro de Rosário.

Os rios Paraguai e Paraná começam no Brasil, se unem e deságuam no mar nas proximidades de Buenos Aires. Eles são rotas importantes para o comércio de soja, milho e outros produtos.

“Na seção norte [da hidrovia do Paraguai], a navegação está praticamente interrompida devido à queda extrema nos níveis de água”, afirmou a Câmara Paraguaia de Esmagamento de Sementes Oleaginosas e Grãos (Cappro) à agência de notícias Reuters.

A Cappro, cujos membros comerciantes de grãos lidam com cerca de 60% das exportações de soja do Paraguai, disse que a baixa do rio afeta os embarques, embora o impacto tenha sido limitado, já que não é a época de pico desse comércio.

“Os navios tiveram que transportar volumes abaixo da média de sua capacidade normal de carga”, informou a Cappro. “Isso gerou atrasos e tornou os tempos de viagem mais longos.” Entre os membros da Câmara estão a ADM, a Bunge e a Cargill.

Risco de seca recorde no Pantanal

O sistema Paraguai-Paraná é uma hidrovia de mais de 3,4 mil quilômetros de extensão que atravessa Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

O Paraguai é o terceiro maior exportador de soja do mundo e cerca de 80% de seus grãos são transportados pelas hidrovias até os portos marítimos rio abaixo. A Argentina é o maior exportador de soja processada, a maior parte da qual desce o rio Paraná a partir da cidade portuária de Rosário.

Dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgados na semana passada indicam que a principal bacia do Pantanal poderá enfrentar a maior seca já registrada. Alguns pontos do curso d’água já atingiram marcas negativas históricas neste ano.

Ao longo de 2.695 quilômetros, dos quais 1.693 quilômetros ficam no território brasileiro, existem 21 réguas para medir o nível do Rio Paraguai; 18 pontos de medição estão com níveis menores do que o esperado para essa época, sendo que três réguas registram patamares negativos.

O rio Paraguai – o principal rio do Pantanal – tem registrado níveis baixíssimos desde o início do ano, sendo que, no mês de julho, registrou o menor nível em quase 60 anos. O rio atravessa 48% do território do estado do Mato Grosso e 52% do Mato Grosso do Sul, passando pelos biomas cerrado, pantanal e chaco.

Chuvas previstas não serão suficientes

O vice-diretor da Diretoria de Meteorologia e Hidrologia do Paraguai, Jorge Sánchez, disse que a perspectiva para os níveis dos rios nos próximos meses não é animadora, mesmo com a aproximação da habitual estação chuvosa de outubro e novembro. “Isso deve aliviar o nível do rio, mas não esperamos que seja suficiente”, observou.

Espera-se que chova menos do que o normal na segunda metade do ano devido ao fenômeno La Niña, que provoca condições mais secas e frias no Paraguai e na Argentina, embora costume também anunciar um clima mais úmido mais ao norte do Brasil.

Sánchez disse que este ano o La Niña foi adiado e seus efeitos deverão ser percebidos apenas entre outubro e novembro. “Há muita variabilidade devido às mudanças climáticas”, acrescentou.

No Brasil, onde ocorrem incêndios florestais recorde, os baixos níveis de água deixam algumas comunidades da Amazônia isoladas, além de afetar os embarques de soja e milho nos estados do Centro-Oeste, como o Mato Grosso, a principal área de cultivo de grãos do Brasil.

Como as grandes empresas lucram com a crise global da água

As secas estão se espalhando rapidamente pelo Brasil, afetando até mesmo regiões tradicionalmente ricas em recursos hídricos, como a Amazônia, onde alguns rios têm secado. O cenário, alarmante para o país que abriga 12% da água doce mundial, acende um alerta sobre o futuro dos mananciais brasileiros. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), 40% dos recursos hídricos do Brasil podem desaparecer até 2040 se medidas urgentes não forem tomadas.

Embora o Brasil seja conhecido internacionalmente por sua abundância de água doce, a crise hídrica é um fenômeno que se espalha por diversos países. Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU), do Fórum Econômico Mundial e até da Nasa apontam para a gravidade da situação. Metade da população mundial, aproximadamente quatro bilhões de pessoas, vive em áreas onde falta água pelo menos um mês por ano, de acordo com estimativas globais.

As crises são agravadas por fatores como o uso excessivo da água por grandes corporações e pela privatização dos recursos hídricos, questões que têm gerado intensas disputas judiciais em vários países.

Na região de Puy de Dôme, na França, uma disputa judicial ilustra bem essa crise. A família de Edouard de Feligonde, que há séculos praticava piscicultura na região, viu suas fontes de água secarem em 2018. Edouard aponta a Danone, gigante do setor de alimentos e bebidas, como responsável pelo esgotamento dos recursos hídricos. A empresa extrai grandes volumes de água da bacia vulcânica da região e a engarrafa para distribuição mundial.

Os moradores alegam que a Danone consome mais água do que o solo consegue repor naturalmente. A empresa, por sua vez, defende que já reduziu o uso de água em 17% desde 2017, mas os hidrólogos contratados por Edouard preveem que a região poderá estar completamente seca em duas décadas. Enquanto isso, as restrições de uso de água impostas pelas autoridades locais não afetam a empresa, que continua extraindo bilhões de litros anualmente.

Outro exemplo preocupante vem do Chile, onde a água, privatizada durante a ditadura de Augusto Pinochet, é tratada como uma commodity. A venda irrestrita dos direitos de uso de água, principalmente para a agroindústria, tem sido apontada como um dos principais fatores que contribuíram para a seca prolongada na região central do país.

A emblemática Laguna de Aculeo, que já foi um destino turístico popular, secou completamente em 2018, após anos de desvio das águas de seus rios para o cultivo de abacates e cerejas, além do uso por casas de veraneio. Somente em 2022, com a reforma do Código da Água promulgada pelo presidente Gabriel Boric, a água passou a ser reconhecida como um bem nacional de uso público, assegurando que sua função ecológica seja protegida.

Nos Estados Unidos, o cenário não é diferente. No Arizona, uma empresa chamada Greenstone Resource Partners comprou direitos sobre as águas do Rio Colorado e, em poucos anos, vendeu esses direitos para um condomínio privado, obtendo lucros milionários. A negociação resultou em prejuízos para os agricultores locais, que ficaram sem água para irrigar suas plantações.

Além disso, um índice de mercado, o Nasdaq Veles California Water Index, foi criado em 2018 para especular o preço futuro da água, transformando a crise hídrica em uma oportunidade de negócio. Essa comercialização preocupa entidades internacionais, como a ONU, que alertam para os riscos de tratar a água como mercadoria enquanto bilhões de pessoas carecem de acesso a esse recurso vital.

Com a intensificação das mudanças climáticas e a crescente demanda por recursos hídricos, o desafio de garantir água para todos se torna cada vez mais urgente. A ONU, que organizou sua primeira conferência focada na água em quase cinquenta anos, enfatiza a necessidade de um uso mais sustentável desse recurso.

Enquanto países como Brasil, Chile e França enfrentam suas crises internas e os Estados Unidos lucram com a escassez, o mundo precisa repensar o uso e a gestão da água para evitar que esse bem essencial se torne uma fonte de conflitos ainda maiores no futuro.

A crise da água é global, e o momento de agir é agora.

Como a mudança climática altera o ciclo global da água

O processo pelo qual a água se move através do solo, mares e atmosfera da Terra denomina-se ciclo hidrológico. Seja na forma gasosa, líquida ou sólida, a água é parte do ciclo natural que reabastece continuamente o suprimento necessário à sobrevivência dos humanos e de todos os demais seres vivos.

Dessa reserva finita, 97% é salgada, e o 3% restante, de água doce, serve para beber, banhar-se, irrigar plantações, entre inúmeros outros usos. No entanto, a maior parte está fora de alcance, presa em geleiras ou no subsolo profundo, em aquíferos. Assim, apenas cerca de 1% das reservas hídricas totais está disponível para manter toda a vida no planeta.

Como funciona o ciclo hidrológico?

A água contida em lagos, rios, oceanos e mares é constantemente aquecida pelo sol. À medida que as superfícies se aquecem, ela se transforma em vapor, escapando para a atmosfera, num processo que o vento acelera. As plantas igualmente liberam água pelos poros das folhas e caules, por transpiração.

Uma vez no ar, o vapor esfria e passa a se condensar em torno de minúsculas partículas suspensas de poeira, fumaça e outros poluentes, formando nuvens. Estas se movem em torno do planeta em “rios atmosféricos”, uma característica crucial do ciclo global que alimenta os sistemas meteorológicos.

A partir de um certo volume, as gotículas suspensas nas nuvens se fundem, formando gotas maiores. Quando estão pesadas demais, caem ao chão em forma de chuva, neve ou granizo, dependendo da temperatura do ar. Essa precipitação reabastece os rios, lagos e outros corpos hídricos, e o ciclo recomeça.

A água também se infiltra no solo por influência da gravidade e pressão, onde fica coletada em reservatórios e aquíferos subterrâneos. Ela continua penetrando cada vez mais fundo, às vezes ao longo de milhares de anos, antes de escoar para um corpo hídrico, retornando ao ciclo.

Como a mudança climática está perturbando o ciclo hidrológico?

Pesquisas recentes demonstram que em certas regiões o ciclo da água está se acelerando, em reação às mudanças climáticas ditadas pela ação humana. Temperaturas mais altas aquecem a atmosfera inferior, intensificando a evaporação, injetando mais vapor no ar e aumentando a probabilidade de precipitação pluvial, muitas vezes na forma de tempestades intensas e imprevisíveis.

Em contrapartida, o aumento da evaporação também pode agravar a situação em áreas propensas a secas, pelo fato de o líquido escapar para a atmosfera em vez de permanecer no solo, onde é necessário.

Cientistas do Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona, Espanha, demonstraram como a mudança climática está acelerando o ciclo através de uma análise da salinidade da superfície oceânica – a qual aumenta à medida que a evaporação se intensifica.

“A aceleração do ciclo hidrológico tem implicações tanto para o oceano, como para o continente, onde as tempestades podem se tornar cada vez mais intensas”, advertiu a principal autora do estudo, Estrella Olmedo, num comunicado de imprensa.

“Essa maior quantidade de água circulando na atmosfera também explicaria o incremento das precipitações detectado em algumas áreas polares, onde o fato de estar chovendo em vez de nevar vem acelerando o derretimento.”

Como combater a ruptura do ciclo hidrológico?

Está claro que não será fácil cortar as emissões carbônicas dos combustíveis fósseis, e que avanços perceptíveis não virão rapidamente. Mas são possíveis algumas medidas imediatas para estabilizar o ciclo hidrológico.

Restaurar as zonas úmidas e repensar a agricultura, incorporando técnicas de cultivo que conservem a água e fortaleçam o solo, pode ajudar a manter e restaurar a capacidade do solo de absorver, purificar e armazenar água.

Restabelecer um estado mais natural dos rios e hidrovias é outro meio de reverter parte dos danos. Os projetos para remover represas e açudes obsoletos na Europa e outras regiões são um grande passo para a restauração das várzeas, que absorvem água e contribuem para abastecer as reservas subterrâneas.

As cidades podem igualmente reforçar o ciclo hidrológico de modo natural, tornando as superfícies urbanas mais permeáveis. As superfícies porosas das “cidades-esponjas” permitem que água se infiltre por ruas, praças e outros espaços, em vez de ser canalizada para fora. Assim, criam-se reservas para os períodos de seca, ao mesmo tempo que se combatem as inundações.

O que está em jogo?

Nos próximos anos, as cidades e províncias no divisor de águas das cordilheiras de Hindu Kush e Himalaia, na Ásia Central, talvez precisem passar a adotar soluções desse tipo. Para obter água doce, bilhões de habitantes locais dependem do acúmulo sazonal de neve firme e gelo nas montanhas e geleiras.

Contudo, um terço dos grandes campos glaciais da região devem desaparecer até o fim do século, de acordo com um estudo de 2019, do Centro Internacional do Desenvolvimento Integrado de Montanhas, no Nepal. E isso, só se a humanidade conseguir manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC em relação à era pré-industrial.

Sem um fluxo consistente de água de degelo, a escassez hídrica se agravará para bilhões de indivíduos. Embora as reservas subterrâneas sejam capazes de compensar parte da escassez, também elas deverão diminuir nas décadas futuras, devido à mudança do clima global.

A agricultura já se tornou mais difícil em regiões como a de Ladakh, administrada pela Índia, na cordilheira do Hindu Kush-Himalaia, onde nas últimas décadas se registrou queda da precipitação de neve e recuo das geleiras.

“Essa é a crise de que não se ouve falar”, comenta Philippus Wester Centro Internacional do Desenvolvimento Integrado de Montanhas. “Os impactos para a população de uma das regiões montanhosas mais frágeis e expostas a ameaças do mundo, irão desde um aumento dos eventos meteorológicos extremos, à redução das safras e maior frequência de desastres.”


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *