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Especial
Desemprego despenca, mas sem sindicatos informalidade e desigualdades persistem
Publicado em 24/01/2025 2:34 - Semana On
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O mercado de trabalho brasileiro atravessa um momento decisivo, com a taxa de desemprego atingindo o menor nível desde 2012, mas com uma realidade marcada pela redução de empregos formais e o aumento da precarização. Enquanto o país celebra avanços quantitativos, o modelo vigente – exemplificado pela persistência da escala 6×1 e a exaustão dos trabalhadores – exige um chamado urgente à ação, tanto dos sindicatos quanto da sociedade. Paralelamente, o fortalecimento de centrais sindicais conservadoras evidencia uma reconfiguração do cenário trabalhista, que tem privilegiado o pragmatismo em detrimento da luta histórica por direitos.
A taxa de desemprego no Brasil atingiu 6,1% no trimestre encerrado em novembro de 2024, o menor índice desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012, segundo o IBGE. Este número, que traduz uma vitória em termos quantitativos, insere-se em um contexto mais amplo de mudanças estruturais no mercado de trabalho e na economia brasileira, revelando um panorama de avanços e fragilidades. A conquista, ainda que significativa, levanta questões fundamentais sobre a qualidade do emprego, a sustentabilidade do crescimento econômico e as estratégias de inclusão no mercado de trabalho.
O mercado de trabalho brasileiro sempre foi um reflexo das forças históricas e políticas que moldaram o país. Desde a industrialização tardia até as recentes crises econômicas e sanitárias, as dinâmicas de emprego espelham não apenas o desempenho econômico, mas também a estrutura social profundamente desigual. Neste momento, enquanto celebramos a queda do desemprego, torna-se imperativo perguntar: qual é o custo e a qualidade dessa vitória?
A queda do desemprego no espelho da história
A redução da taxa de desemprego a 6,1% é emblemática não apenas pelo número absoluto, mas também pelo contraste com os momentos de crise aguda que marcaram as últimas décadas. Em dois episódios recentes – a recessão econômica entre 2015 e 2017 e a pandemia de Covid-19 –, o desemprego disparou, alcançando 13,9% em 2017 e 14,9% em 2021. Ambos os momentos foram reflexos de fatores distintos: a primeira, consequência da crise política e econômica que resultou no impeachment de Dilma Rousseff; a segunda, da interrupção global de atividades econômicas pela pandemia.
Contudo, o atual nível de desemprego guarda semelhanças com os anos 1990, um período de grandes mudanças estruturais no mercado de trabalho, marcado pela abertura comercial e privatizações. Segundo estudo do FGV Ibre, o Brasil não via índices tão baixos desde 1991. Isso evidencia que o atual ciclo de crescimento econômico, embora positivo, ainda não rompeu completamente com as fragilidades históricas do mercado de trabalho brasileiro.
O crescimento econômico e a informalidade
O desempenho do mercado de trabalho está diretamente ligado ao ciclo econômico. Desde 2022, o Brasil experimenta um crescimento acima da média global, com o PIB projetado para crescer 3% em 2024. Os setores de serviços e indústria foram protagonistas dessa retomada, enquanto o agronegócio perdeu força após liderar a recuperação pós-pandemia. Essa expansão teve impactos diretos no mercado de trabalho, especialmente no aumento do número de ocupados, que atingiu 103,9 milhões, um recorde na série histórica.
Paradoxalmente, essa melhora quantitativa contrasta com a queda do emprego formal. Em 2014, cerca de 44% dos trabalhadores ocupados tinham carteira assinada, índice que caiu para 40,6% em 2024. Enquanto isso, o número de informais subiu, representando 47,5% da força de trabalho. Esse fenômeno reflete processos de precarização, como a “pejotização”, incentivada pela menor tributação e maior flexibilidade contratual oferecidas por esse regime. “O emprego com carteira é mais tributado, e isso exerce forte influência nas escolhas das empresas”, explica Daniel Duque, do FGV Ibre.
Além disso, as reformas trabalhistas de 2017, que flexibilizaram direitos e regulamentaram novas modalidades de contrato, contribuíram para o aumento da informalidade. Estudos indicam que essas mudanças reduziram a “taxa de desemprego natural”, ou seja, o nível mínimo de desemprego que a economia pode suportar sem pressionar a inflação. Ainda assim, as condições gerais dos trabalhadores ficaram mais desprotegidas, especialmente para os mais vulneráveis.
A desigualdade no centro do debate
Outro aspecto fundamental da atual conjuntura é a distribuição de renda. Embora o rendimento médio tenha alcançado R$ 3.285 em novembro de 2024, valores próximos ao recorde de 2020, o aumento foi mais expressivo para as faixas de renda mais baixas. Essa redução da desigualdade salarial está ligada a políticas públicas como o Bolsa Família, que elevou o chamado “salário de reserva”, ou seja, a remuneração mínima que um trabalhador vulnerável aceita para entrar no mercado de trabalho. “Com o aumento das transferências de renda, o mercado formal precisa oferecer salários mais altos para competir”, analisa Duque.
A valorização do salário mínimo também desempenhou um papel importante nesse movimento. Vinculado à inflação e ao desempenho econômico, ele influencia tanto os trabalhadores formais quanto as negociações salariais dos informais. No entanto, a recuperação da renda enfrenta a ameaça da inflação, que pode corroer ganhos reais, especialmente em um cenário de alta global de preços.
O futuro do mercado de trabalho brasileiro
Olhando para frente, os desafios são significativos. O crescimento econômico, embora positivo, enfrenta gargalos históricos, como a baixa produtividade e a desigualdade regional. O Nordeste, por exemplo, ainda concentra os maiores índices de informalidade, enquanto o Sudeste lidera em empregos formais. Além disso, a economia brasileira precisa diversificar suas fontes de crescimento, investindo em inovação e qualificação da força de trabalho para competir em um mercado global cada vez mais tecnológico.
Outro desafio é o equilíbrio fiscal. O aumento dos gastos públicos – tanto em transferências de renda no governo Bolsonaro quanto em investimentos públicos no governo Lula – ajudou a aquecer a economia e reduzir o desemprego. Contudo, a sustentabilidade dessas políticas depende de uma reforma tributária que torne o sistema mais eficiente e progressivo.
Finalmente, há a questão da qualidade do trabalho. Reduzir o desemprego é uma conquista, mas a prevalência da informalidade e a precarização das relações de trabalho levantam questões sobre a inclusão e proteção dos trabalhadores. Como alertou o economista Lucas Assis, “a economia aquecida expõe gargalos estruturais. Sem políticas de longo prazo, o crescimento pode se tornar insustentável”.
Uma conquista sob a lupa da desigualdade
O mercado de trabalho brasileiro, em sua complexidade, é um reflexo das contradições do país: avanços quantitativos convivem com desigualdades estruturais, e a informalidade se expande enquanto a economia cresce. A redução histórica do desemprego é, sem dúvida, uma vitória, mas ela só terá impacto duradouro se acompanhada por transformações estruturais. O Brasil precisa decidir se quer ser uma economia de pleno emprego precário ou um país que alia crescimento econômico à justiça social.
Nesse contexto, a construção de um mercado de trabalho inclusivo e produtivo é mais do que uma meta econômica – é uma exigência democrática. Afinal, a qualidade do trabalho não é apenas um indicador econômico, mas uma medida do compromisso de uma sociedade com a dignidade e os direitos de seus cidadãos.
A Escala 6×1 e a Redução da Jornada
O debate sobre o fim da escala 6×1 trouxe à tona uma questão fundamental: até que ponto o trabalho deve moldar nossas vidas? Em meio a um cenário de precarização laboral e crises de representatividade sindical, a pauta impulsionada por movimentos sociais como o Vida Além do Trabalho (VAT) desafia a lógica neoliberal que domina o mundo do trabalho. Este movimento pode ser o catalisador de uma nova agenda trabalhista, unindo a luta por direitos históricos à necessidade contemporânea de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
A escala 6×1, que obriga seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, não é apenas um arranjo de horários; é um retrato das condições desumanas que permeiam o mercado de trabalho brasileiro. Ela reflete a exaustão de milhões de trabalhadores, especialmente os de baixa renda, que se veem presos em jornadas extensas e mal remuneradas, com escassas perspectivas de ascensão ou dignidade no emprego.
Os relatos como o do jovem Rick Azevedo, que viralizou nas redes sociais, revelam um quadro comum no Brasil: longas jornadas, baixos salários e o sentimento generalizado de que a vida é consumida pelo trabalho. O desabafo de Rick expôs uma questão essencial: o trabalho deveria garantir mais do que a sobrevivência; deveria permitir uma existência digna, com tempo para lazer, estudo e convivência social.
A repercussão do caso foi massiva, alavancada por movimentos sociais como o VAT, que conta com cerca de 3 milhões de seguidores e defende uma “vida além do trabalho”. Essa mobilização trouxe de volta à esfera pública a discussão sobre a redução da jornada de trabalho, associando-a à luta por saúde mental, qualidade de vida e maior equidade social.
Raízes Históricas e o Contexto Neoliberal
A luta por jornadas justas é antiga, remontando ao final do século XIX, quando trabalhadores reivindicavam a jornada de 8 horas em meio à Revolução Industrial. No Brasil, esse embate se intensificou durante a Era Vargas, com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943, que instituiu direitos como férias remuneradas e limites de jornada.
Contudo, as conquistas históricas do trabalho têm sido gradualmente desmanteladas nas últimas décadas. Desde os anos 1980, o neoliberalismo impôs uma lógica de flexibilização e desregulamentação que prioriza a eficiência econômica em detrimento dos direitos sociais. A Reforma Trabalhista de 2017, no Brasil, exemplifica esse movimento ao enfraquecer a proteção aos trabalhadores e favorecer a precarização.
No plano global, fenômenos como o “quiet quitting” e a “great resignation” indicam um esgotamento com as condições contemporâneas de trabalho. O modelo neoliberal, ao transformar o tempo humano em mercadoria, gerou uma sociedade exausta e desconectada de valores que transcendem o consumo e a produtividade.
A Redução da Jornada e Seus Impactos
Propostas como a jornada 4×3, que preveem quatro dias de trabalho e três de descanso, já são testadas em países como Reino Unido, Islândia e Japão. Estudos indicam que essa mudança pode aumentar a produtividade e reduzir problemas de saúde ocupacional.
No Brasil, porém, os desafios são estruturais. Com 40% da força de trabalho na informalidade e um transporte público deficitário, o tempo livre muitas vezes se converte em tempo perdido em deslocamentos ou busca por serviços básicos. Ainda assim, a redução da jornada sem redução salarial apresenta potencial para:
Gerar empregos: A redistribuição de horas trabalhadas pode incorporar mais pessoas ao mercado formal.
Aumentar a produtividade: Jornadas mais curtas tendem a estimular a eficiência e a inovação.
Promover equidade de gênero: Com maior tempo livre, as mulheres, frequentemente sobrecarregadas pelo trabalho doméstico, poderiam compartilhar essas responsabilidades de forma mais equitativa.
As propostas legislativas apresentadas por líderes como o senador Paulo Paim (PT-RS) e a deputada Érica Hilton (PSOL-SP) buscam justamente conciliar os interesses da classe trabalhadora com essas possibilidades.
O Papel do Movimento Sindical
Historicamente, os sindicatos foram protagonistas na conquista de direitos como o salário mínimo e as férias remuneradas. No entanto, a atual crise de representatividade sindical é evidente. De acordo com o IBGE, apenas 19% dos trabalhadores brasileiros são sindicalizados, um reflexo de décadas de desmobilização e da fragmentação do mercado de trabalho.
A luta contra a escala 6×1 é uma oportunidade única para os sindicatos retomarem seu papel central. Ao dialogar com movimentos emergentes como o VAT, eles podem ampliar seu alcance e integrar trabalhadores informais e minorias, tradicionalmente excluídos de sua base de apoio.
Porém, o desafio é enorme. Como mostrou a resistência patronal na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, onde a redução da jornada para 40 horas foi derrotada, avanços desse tipo exigem unidade e mobilização massiva.
Desafios e Perspectivas
A atual composição do Congresso Nacional, dominada por bancadas alinhadas ao empresariado, é um obstáculo considerável. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem adotado uma postura conservadora em relação a direitos trabalhistas.
Ainda assim, a crescente popularidade da pauta oferece uma janela de oportunidade. Como observou a filósofa Judith Butler, “as lutas que parecem impossíveis podem se tornar possíveis quando a resistência coletiva ganha força”. Essa resistência deve partir tanto das bases quanto das lideranças políticas e sindicais, criando uma frente unificada em defesa de uma vida mais digna para os trabalhadores.
O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho transcende reivindicações específicas. Ele desafia a lógica neoliberal e reacende a luta por um modelo de sociedade em que o trabalho seja uma dimensão da vida, e não sua totalidade.
Para o movimento sindical, esta é uma oportunidade histórica de se reinventar, unindo forças com movimentos sociais e promovendo um diálogo amplo com a sociedade. A história já provou que conquistas só vêm com luta e coragem. Agora, é o momento de transformar a indignação em mobilização e, quem sabe, em um novo capítulo na história do trabalho no Brasil.
A virada conservadora no sindicalismo brasileiro
Entre 2003 e 2016, o sindicalismo brasileiro atravessou uma transformação silenciosa, mas profunda, que revela as complexidades das relações entre o Estado, os trabalhadores e as organizações sindicais. Durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), um paradoxo emergiu: enquanto avanços sociais marcaram o período, o crescimento de centrais sindicais conservadoras revelou uma dinâmica que fragilizou a combatividade e consolidou o pragmatismo no centro do debate trabalhista. Este movimento, analisado em uma dissertação defendida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, oferece pistas sobre os desafios do sindicalismo em um contexto de institucionalização, fragmentação e precarização do trabalho.
O sindicalismo brasileiro foi moldado pelas forças da redemocratização e pela promulgação da Constituição Federal de 1988, que consolidaram direitos trabalhistas e reforçaram a centralidade das organizações sindicais na mediação entre trabalhadores e empregadores. Contudo, o modelo sindical herdado, fundado na unicidade sindical e no imposto sindical compulsório, também carregava limitações estruturais. Dependente do reconhecimento estatal e marcado por uma lógica hierárquica, o sindicalismo brasileiro permaneceu vulnerável às mudanças no cenário político e econômico.
A aprovação da Lei n.º 11.548/2008, durante o governo Lula, buscou regulamentar o reconhecimento das centrais sindicais e estabelecer critérios objetivos para determinar sua representatividade. Com isso, o poder de acesso aos recursos financeiros oriundos do imposto sindical – posteriormente tornado facultativo em 2017 – e aos espaços de interlocução com o governo ficou condicionado a requisitos formais, como o número de trabalhadores filiados aos sindicatos que compõem cada central. Essa institucionalização foi um marco, mas também acirrou a disputa por representatividade, incentivando estratégias agressivas de expansão por parte de centrais menos combativas.
Como explica o pesquisador Marcos Aurélio Minari, a regulamentação alterou o equilíbrio interno entre as centrais, beneficiando especialmente aquelas que adotaram um perfil mais pragmático e conciliador. Antes dessa legislação, a representatividade era mais difusa e se projetava por meio de mobilizações públicas e capacidade de articulação política. Após 2008, o cálculo passou a depender de números concretos, deslocando o foco para estratégias quantitativas de filiação.
A ascensão das centrais conservadoras: pragmatismo e fragmentação
De 2008 a 2016, as centrais conservadoras, como a Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), aumentaram sua representatividade de 29,91% para 36,97%, enquanto as centrais progressistas, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), mantiveram-se relativamente estáveis, oscilando entre 40,93% e 40,48%. Esse avanço conservador não foi fruto de maior adesão às suas propostas políticas, mas de estratégias pragmáticas que priorizaram ganhos pontuais e acordos com o patronato em detrimento da politização das categorias representadas.
Minari observa que as centrais conservadoras têm menor disposição para mobilizações grevistas e trabalhos de base, preferindo acordos diretos com empregadores. A UGT, por exemplo, concentrou esforços na representação de comerciários, enquanto a CSB avançou em áreas como transporte e comunicação, muitas vezes absorvendo sindicatos de categorias precarizadas ou fragmentadas, como os trabalhadores terceirizados e autônomos.
Essa fragmentação, intensificada pela “pejotização” e pela proliferação de contratos informais, favoreceu a atuação das centrais conservadoras. A busca por representatividade levou ao desmembramento de sindicatos, ao fracionamento de categorias profissionais e à disputa por sindicatos anteriormente não filiados. Esses movimentos, embora eficazes em termos quantitativos, minaram a coesão e a força coletiva do sindicalismo.
Precarização e erosão dos direitos trabalhistas
A precarização do trabalho, que se intensificou nos anos 1990 e encontrou terreno fértil na década de 2000, é um elemento-chave para compreender essa guinada conservadora. O aumento de empregos em setores como comércio e serviços, com vínculos empregatícios frágeis e remuneração instável, fragmentou a base de representação sindical. Trabalhadores de uma mesma empresa passaram a pertencer a sindicatos distintos, dificultando a mobilização unificada.
A terceirização, amplamente debatida nesse período, é emblemática. Enquanto as centrais progressistas se posicionaram contra a ampliação da terceirização ou defenderam uma regulamentação mais rigorosa, as conservadoras optaram por negociar, aceitando concessões que incluíam a terceirização de atividades-fim. Como destacou a professora Andréia Galvão, orientadora do estudo, essa postura “abre brechas para aprofundar a deterioração do trabalho” e reforça um modelo sindical que admite rebaixamentos progressivos de direitos. A questão que se coloca é: até onde esse pragmatismo pode ir antes de comprometer completamente a capacidade de representação sindical?
Os dilemas do sindicalismo no Brasil contemporâneo
A crescente relevância das centrais conservadoras não se traduz necessariamente em maior capacidade de defender os trabalhadores. Pelo contrário, o perfil conciliador dessas entidades pode enfraquecer a resistência às forças que impulsionam a precarização. Ademais, o enfraquecimento da base sindical devido à rejeição de segmentos como motoristas de aplicativos e a alta informalidade no mercado de trabalho brasileiro compõem desafios estruturais que transcendem as disputas entre centrais.
A CUT e outras centrais progressistas enfrentam o desafio de se reinventar em um contexto no qual a fragmentação do trabalho e a institucionalização limitam sua capacidade de mobilização. O cenário atual exige não apenas respostas imediatas à precarização, mas também uma reflexão sobre o papel do sindicalismo em uma sociedade em que as relações de trabalho estão em constante transformação.
Um futuro em disputa
O estudo revela que a guinada conservadora no sindicalismo brasileiro não é um fenômeno isolado, mas parte de uma dinâmica mais ampla de mudanças nas estruturas econômicas e sociais. No entanto, deixa uma questão crucial: quem assumirá a liderança na construção de alternativas capazes de enfrentar a precarização e fortalecer os direitos dos trabalhadores? O futuro do sindicalismo no Brasil depende de sua capacidade de se adaptar e de articular uma resposta coletiva que transcenda os limites do pragmatismo.
O futuro do trabalho no Brasil depende de um reposicionamento estratégico diante de três desafios cruciais: reverter o declínio dos empregos formais, acabar com a lógica desumana da escala 6×1 e reavivar a combatividade sindical em um cenário dominado por centrais conservadoras. Somente com a articulação de forças progressistas e a mobilização coletiva será possível transformar números em conquistas reais. É hora de transcender a celebração de avanços superficiais e lutar por um mercado de trabalho que reflita dignidade, inclusão e justiça social.
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