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Ecologia
Se estão tocando fogo de propósito, o nome disso é terrorismo
Publicado em 26/08/2024 10:43 - Semana ON, Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On
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A Polícia Federal (PF) está conduzindo 31 inquéritos em todo o país para apurar incêndios que têm devastado principalmente o estado de São Paulo, o Pantanal e a Amazônia. Dois desses inquéritos foram abertos no domingo (25) para investigar a situação no território paulista.
Na última sexta-feira (23), São Paulo registrou um recorde nacional, com mais de 2,3 mil focos de incêndio. Ao longo do fim de semana, a população enfrentou cancelamentos de voos, instabilidade na internet, interrupção de atividades ao ar livre, evacuações de residências e aumento de problemas respiratórios.
A ação da PF foi anunciada após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, e outras autoridades. Durante o encontro, realizado no Prevfogo, a central de monitoramento do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, Lula destacou que, até o momento, nenhum dos incêndios teve origem natural. “Isso indica que há ações ilegais, especialmente na Amazônia, no Pantanal e em São Paulo”, afirmou o presidente nas redes sociais.
Lula ressaltou que cerca de 3 mil brigadistas estão mobilizados em todo o país para combater os incêndios e garantiu que o governo federal, em parceria com os estados, está intensificando os esforços de combate ao fogo. Ele também destacou a importância da investigação conduzida pela Polícia Federal para identificar os responsáveis pelos crimes ambientais.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, afirmou que ainda é cedo para determinar se os incêndios estão ligados a ações do crime organizado, mas destacou que as investigações já estão em andamento. Marina Silva, por sua vez, apontou que há fortes indícios de que os incêndios sejam provocados por atividade humana.
No estado de São Paulo, duas prisões já foram efetuadas. Um suspeito foi detido no sábado na região de São José do Rio Preto, e outro, no domingo, em Batatais. Em Goiás, a Polícia Militar prendeu um homem em flagrante por incendiar uma área de pastagem na cidade de Bom Jardim. Ele foi encaminhado ao presídio de Aragarças e autuado conforme o artigo 250 do Código Penal, que prevê pena de três a seis anos de reclusão, além de multa.
Enquanto isso, a capital federal, Brasília, amanheceu neste domingo (25) coberta por uma densa camada de fumaça, resultado das queimadas em outras regiões do país. Fenômeno semelhante foi observado em Goiânia e Belo Horizonte. A seca prolongada, que já dura mais de 120 dias, combinada com a baixa umidade, favorece o surgimento de focos de incêndio e a permanência da fumaça no ar.
O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, que utilizou imagens de satélite para analisar o fenômeno, atribuiu o agravamento da situação aos incêndios em São Paulo, com a fumaça sendo transportada por ventos favoráveis. A previsão é de que a umidade relativa do ar em Brasília caia para menos de 20%, aumentando os riscos de novos incêndios e problemas de saúde para a população.
No sábado, os bombeiros enfrentaram um incêndio de grandes proporções em uma área de preservação de Brasília, onde está localizada uma nascente que abastece o Lago Paranoá. Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 3.368 ocorrências de incêndios florestais no Distrito Federal.
Se estão tocando fogo de propósito, o nome disso é terrorismo
Ganhou o nome de tentativa de golpe de Estado a invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de pessoas saquearam os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, revoltadas com a volta de Lula à presidência da República.
Há quem discorde disso. Por exemplo: para o ex-presidente do Supremo, Nelson Jobim, atual diretor de Relações Institucionais e Políticas do banco BTG Pactual, não se tratou de uma tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, crime previsto no Código Penal. O que aconteceu então? Diz Jobim: “Aquelas pessoas todas ficaram um tempo enorme na frente dos quartéis, acampados, aquela coisa toda, pretendendo que os militares interviessem. Ou seja, dessem um golpe. […] Eu enxergo aquela manifestação da rua como uma espécie de cara da frustração que tiveram de não obter o golpe militar”.
Ora, se “aquelas pessoas” pressionaram os militares para que dessem um golpe; se os militares que juram respeitar a Constituição assistiram a tudo de braços cruzados; se antes Bolsonaro os convidou para atentar contra a democracia e não foi preso nem denunciado por eles, a democracia esteve em perigo.
Seria exagero chamar de ato terrorista o que vimos no dia 8 de janeiro. Mas não é exagero dizer que o Brasil é alvo de um atentado terrorista caso se confirme a origem criminosa dos incêndios que no último fim de semana devastaram áreas gigantescas do país, ameaçando cidades.
A Organização das Nações Unidas define o terrorismo “como a prática de atos criminosos planeados ou calculados para provocar um estado de terror no público em geral, num grupo de pessoas ou em particulares, por motivos políticos”. A Polícia Federal foi acionada para investigar a origem dos incêndios.
Segundo Rodrigo Agostinho, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, “quase todo incêndio no Brasil é criminoso. Não temos incêndio espontâneo e são raros os casos de acidente, como um caminhão que pegou fogo, ou uma queda de um cabo de alta tensão.” E completa: “Em São Paulo, há uma desconfiança de que tudo foi organizado, pois os focos aconteceram praticamente no mesmo horário”.
Produtores rurais, ouvidos pela Folha de S. Paulo, compartilham a hipótese de que os incêndios têm origem criminosa. Eles afirmam acreditar que o fogo dos últimos dias foi resultado de ação humana. A forma como as queimadas começaram aponta para uma ação coordenada. É também o que pensa Lula.
Até ontem, a onda de incêndios em São Paulo já acumulava mais de 3,4 mil focos detectados por satélite neste mês: segundo a MetSul Meteorologia, os dados mostram um quadro “absolutamente fora do normal e extraordinário”.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, relembra o “Dia do Fogo” em 2019: “Do mesmo jeito que nós tivemos o ‘Dia do fogo’ no Pará, há uma forte suspeita de que esteja acontecendo de novo. Você começa a ter em uma semana, praticamente em dois dias, vários municípios queimando ao mesmo tempo. Isso não faz parte da nossa curva de experiência nesses anos de trabalho com fogo.”
Na última sexta-feira, São Paulo registrou 1.886 focos de incêndios, e superou até mesmo a Amazônia, que contabilizou 1.659 focos no mesmo período. No Brasil inteiro, foram registrados 4.928 focos de calor neste dia. Isso significa que apenas o estado de São Paulo representou 38% de todas as queimadas do país.
Foi dito explicitamente por um Ex. MMA, do governo Bolsonari, para que se abrissem as porteiras para as fiscalizações e licenciamentos, nas questões ambientais, favorecendo assim o desmonte, exonerações, dos órgãos ( IMPE, Prevfogo, IBAMA, etc. ), portanto com deficiências ocorridas por esses desmontes, baixa umidade do ar, estiagem severa, ventos de Agosto; houve negligências nos: monitoramentos, fiscalizações e prevenções para os incêndios florestais, sabermos que as PLANTATIONS, são vulneráveis ao fogo, eis o resultado. Deprimente.