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Ecologia

Mais de 500 espécies de aves podem desaparecer em um século

Perda de habitat e mudanças climáticas devem triplicar o número de extinções

Publicado em 10/07/2025 1:37 - Semana On

Divulgação Fernando Frazão - Abr

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A crise da biodiversidade ganha novos contornos alarmantes. Um estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution aponta que mais de 500 espécies de aves podem desaparecer nos próximos 100 anos, impulsionadas por dois fatores principais: a perda de habitat e as alterações climáticas. A estimativa, feita por pesquisadores da Universidade de Reading, no Reino Unido, é três vezes superior ao total de extinções de aves registradas desde 1500 d.C., segundo comunicado oficial da instituição.

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O levantamento analisou cerca de 10 mil espécies de aves com base nos dados da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). As conclusões não apenas indicam um aumento drástico no número de espécies ameaçadas, como revelam também a ameaça concreta à diversidade funcional dos ecossistemas. “Muitas aves já estão tão ameaçadas que reduzir os impactos humanos por si só não as salvará”, afirma Kerry Stewart, autora principal da pesquisa. “Essas espécies precisam de programas especiais de recuperação, como projetos de reprodução e restauração de habitats, para sobreviver.”

Entre as aves que podem desaparecer estão espécies raras e ecologicamente insubstituíveis, como o pássaro-guarda-chuva-de-pescoço-pelado, o calau-de-capacete e o pássaro-sol-de-barriga-amarela. A extinção desses animais compromete funções ecológicas essenciais, como a dispersão de sementes e o controle de pragas, sobretudo em florestas tropicais. O risco de desaparecimento de espécies com características físicas e comportamentais únicas representa uma ameaça direta à resiliência dos ecossistemas.

O estudo mostra que mesmo com proteção total contra ameaças humanas, como caça e desmatamento, cerca de 250 espécies ainda estariam em risco de extinção devido à sua vulnerabilidade biológica e às rápidas mudanças ambientais. A professora Manuela Gonzalez-Suarez, coautora sênior da pesquisa, reforça que somente medidas amplas não bastam. “Parar as ameaças não é suficiente. Cerca de 250 a 350 espécies precisarão de medidas complementares de conservação”, afirma. Segundo ela, ao focar os esforços de conservação em apenas 100 das aves mais singulares, seria possível evitar 68% da perda projetada de diversidade funcional, ajudando a manter os ecossistemas saudáveis.

O relatório também identificou padrões de vulnerabilidade: aves de grande porte são mais suscetíveis à caça e às mudanças climáticas, enquanto aves de asas largas, como as que planam em grandes altitudes, são especialmente afetadas pela fragmentação e perda de habitat. Esse tipo de informação é crucial para orientar políticas públicas e investimentos em conservação.

A crise não é nova, mas sua escalada tem sido veloz. Desde o início da era moderna, cerca de 187 espécies de aves foram oficialmente declaradas extintas, segundo a BirdLife International. A diferença agora está no ritmo e na escala das perdas projetadas, impulsionadas pela intensificação das atividades humanas e pela aceleração das mudanças climáticas.

O estudo da Universidade de Reading reforça a urgência de ações coordenadas e integradas. Restaurar habitats, reduzir a caça e implementar programas de reprodução em cativeiro são medidas apontadas como cruciais. “Interromper a destruição de habitats salvaria a maioria das aves. No entanto, reduzir a caça e prevenir mortes acidentais salvaria aves com características mais invulgares, especialmente importantes para a saúde do ecossistema”, destaca o comunicado da universidade.

O alerta lançado pelos pesquisadores é direto: sem uma reorientação das políticas ambientais globais e um compromisso com a conservação efetiva, o planeta pode testemunhar, em apenas um século, a perda de uma parte significativa de sua avifauna – e, com ela, das redes de vida que sustentam os ecossistemas.

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