23/02/2024 - Edição 525

Ecologia

HB20 Turbo: primeiras impressões

Publicado em 12/05/2016 12:00 -

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Já foi o tempo em que carros 1.0 eram sinônimo de sofrimento ao volante. De alguns anos pra cá, a tecnologia tem mostrado que é possível se divertir conduzindo modelos com motores de cilindrada diminuta.

Marcas como Volkswagen, Ford e até a Audi têm lançado mão de motores de 1 litro sobrealimentados para garantir bom desempenho, aliado a excelente consumo de combustível. Na Europa, há versões de Golf, Fusion e A3 com motor 1.0 e mais de 100 cavalos.

Por aqui, o número de opções é mais limitado. Até abril, o Volkswagen Up TSI era a única opção, mas a Hyundai lançou sua versão 1.0 turbo para o HB20. A nova motorização não deve representar aumento das vendas, e será responsável por entre 6% a 7% do total da gama do modelo, segundo projeção da fabricante.

Opção intermediária

Coincidentemente, o HB20 Turbo, como será chamado, tem os mesmos números de potência do Up TSI. São 105 cv com etanol e 98 cv com gasolina (Up tem 101 cv com o combustível vegetal. O torque é de 15 kgfm (etanol) e 13,8 kgfm (gasolina). A transmissão é manual, de seis marchas.

A motorização turbo estará disponível nas carrocerias hatch e sedã, nas versões Comfort Style e Comfort Plus. Ele será posicionado como uma opção intermediária, entre o 1.0 aspirado de 80 cv e o 1.6 de 128 cv.

A única diferença visual nos modelos é a inscrição Turbo na tampa do porta-malas. Na tabela de preços, as versões turbinadas custarão R$ 3,7 mil a mais do que as aspiradas.

Veja preços e versões

Comfort Plus 1.0 Turbo Hatch – R$ 47.445
Comfort Style 1.0 Turbo Hatch – R$ 51.595
Comfort Plus 1.0 Turbo Sedã – R$ 51.745
Comfort Style 1.0 Turbo Sedã – R$ 55.225

Mudanças no motor

Na apresentação, a marca coreana afirmou que mira rivais com motores aspirados de maior cilindrada – em clara alusão a Chevrolet Onix e Prisma, Volkswagen Gol e Voyage e Ford Ka e Ka+. “Vamos ter que convencer o cliente que o motor 1.0 turbo é melhor do que um motor 1.4”, afirmou Rodolfo Stopa, gerente de planejamento de produto da Hyundai.

Outra informação que a fabricante tratou de ressaltar – e explicar – é que este motor não é simplesmente o motor 1.0 com um turbo instalado. De acordo com a marca, ele passou por diversas alterações.

A mais óbvia, é a adição de uma pequena turbina de baixa inércia, de 34 mm de diâmetro. Ela fornece até 0,9 bar de pressão. Junto a ela, um intercooler tem função de resfriar o ar que passa pelo motor.

Para dar conta da maior quantidade de ar que entra no motor, há um novo filtro de ar. Os bicos foram trocados para garantir maior pressão na injeção de combustível. Os coxins estão maiores, já que houve aumento considerável do torque. Por fim, bielas e bronzinas também foram redimensionados.

Casada com o motor, a transmissão é manual de seis marchas. Este câmbio foi escolhido por ser mais robusto do que o manual de cinco marchas presente no 1.0 aspirado. Além disso, a relação de marchas foi alongada em 10%, para melhorar o consumo de combustível.

Mesmo com várias mudanças, o motor Kappa não é a última palavra em tecnologia 1.0 turbo dentro da própria Hyundai. Há uma unidade, também de um litro com turbo e injeção direta que desenvolve até 120 cavalos. “Para não ter custos mais elevados, optamos por não trazer [o motor] com injeção direta”, justificou Stopa.

E o consumo?

O desempenho do motor turbo é indiscutivelmente melhor, com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,2 segundos, contra 14,6 segundos do aspirado. A velocidade máxima passou de 161 km/h para 182 km/h.

No entanto, o consumo não é muito melhor. Apenas na estrada é possível sentir uma pequena melhora. De acordo com dados do Inmetro, o consumo médio com etanol é de 8,2 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada, contra 8,5 km/l e 9,9 km/l do aspirado. Já com gasolina, a média é de 11,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, contra 12,5 km/l e 14,1 km/l do aspirado. 

São números bons apenas na comparação com a maior parte dos motores aspirados de cilindrada maior. No confronto com o outro 1.0 turbo do mercado brasileiro, o propulsor da Hyundai fica para trás também, com relação a consumo.

O Volkswagen Up TSI consegue, com etanol, rodar média de 9,6 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada, segundo o Inmetro. Com gasolina, são 13,8 km/l e 16,1 km/l. Os números do Hyundai colocam o HB20 Turbo como nota A na classificação da categoria do Inmetro, porém ele é B na geral, enquanto o 1.0 aspirado recebe as duas classificações A.

Como anda?

A Hyundai promoveu um test-drive do HB20 Turbo na pista mais famosa e emblemática do país, o Autódromo de Interlagos, local habituado a receber bólidos de centenas de cavalos. O local escolhido certamente sugeriu que o compacto poderia oferecer pretensões esportivas.

Porém, o desempenho, na pista, mostra que a vocação do novo HB20 intermediário é o uso cotidiano. A impressão inicial é que falta carro para tanta pista. Pudera, são 4.309 metros de extensão e largura que varia entre 12 e 15 metros, dimensões mais propícias para receber esportivos de verdade.

Mas o HB20 Turbo mostra que, quando for para as ruas, se sairá muito bem. O motor “enche” rápido, e mostra que o carro é bem mais ágil do que o 1.0 aspirado. Além dos 25 cv extras, o torque é 4,8 kgfm maior.

E a 1.550 rotações por minuto, todos os 15 kgfm estão disponíveis para empurrar o compacto. Para a cidade, o desempenho será mais do que suficiente para que ele se comporte de forma semelhante a alguns 1.4 e até 1.6.

A prova final de que este HB20 não é esportivo é a maciez da suspensão, voltada para o conforto. Freios e direção também não receberam alterações. Já o câmbio segue com os engates precisos. Mas na pista, não foi possível passar da quarta marcha.

Vale a pena?

O único modelo no mercado que também conta com motor 1.0 turbo é o Up TSI. Porém, a Hyundai não considera o Volkswagen um rival. “Nas pesquisas, vimos que quem pensa no HB20, não considera a compra de um Up”, afirmou Rodolfo Stopa, gerente de produto da Hyundai.

Se a visão do executivo da Hyundai estiver certa, uma recomendação para os eventuais compradores do HB20 Turbo é que olhem, sim, para o veículo da Volkswagen. Mesmo sendo um pouco menor, o Up apresenta desempenho superior e consumo bem inferior, além da dirigibilidade mais apurada e preço de compra bem menor (começa em R$ 46.590).

Agora, se a comparação for com os rivais citados pela Hyundai, a coisa muda de tom. O HB20 é o mais gostoso de dirigir do que Onix, Gol, Ka e Palio. Se empata com o Etios neste quesito, o coreano leva ampla vantagem no visual, bem mais moderno.

Embora ainda incomum, escolher um motor compacto e adotar um turbo para melhorar a performance e a eficiência tem se mostrado uma solução cada vez mais acertada. Com este conjunto, o HB20 Turbo se mostrou mais divertido do que o 1.0 aspirado e mais em conta do que o ótimo 1.6 de 128 cv.


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