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Ecologia
Embalagens biodegradáveis criadas na UFRJ prometem revolucionar o mercado com alternativas ecológicas e multifuncionais, reforçando o papel do Brasil na corrida por soluções verdes
Publicado em 05/01/2025 11:30 - Semana On
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Por que não transformar a sustentabilidade em uma realidade palpável para o cotidiano? Essa pergunta parece guiar os pesquisadores do Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IMA-UFRJ), que desenvolveram um bioplástico feito de alimentos funcionais, como linhaça, chia, alho e pimenta. O material é biodegradável, leva cerca de seis meses para se decompor e tem o potencial de substituir as embalagens plásticas tradicionais que sobrecarregam aterros e oceanos.
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O projeto, coordenado pela professora Maria Inês Tavares, utiliza compostos bioativos – moléculas de origem natural com propriedades antioxidantes, antibacterianas e antivirais. Segundo a pesquisadora, essas características não apenas tornam o material sustentável, mas também prolongam a vida útil de alimentos, o que pode reduzir o desperdício.
“A ideia surgiu pelos benefícios que os bioativos têm para a nossa saúde”, explica Tavares. “Por que não usá-los para criar embalagens que sejam sustentáveis e tragam benefícios adicionais para a conservação dos alimentos?”
As embalagens desenvolvidas aumentaram em até 16 dias a durabilidade dos alimentos fora da refrigeração e 14 dias na geladeira, conforme explica Mariana Alves, integrante do projeto. Além disso, o bioplástico demonstrou resistência comparável ao plástico convencional, mas com a vantagem de se decompor em até 180 dias, em condições favoráveis.
Durante o processo de decomposição, os pesquisadores monitoraram cuidadosamente a emissão de resíduos, constatando que os bionanocompósitos não liberam substâncias tóxicas. “Ao contrário dos plásticos comuns, que se fragmentam em microplásticos, nosso material se transforma em CO2 e água, retornando ao meio ambiente sem poluir”, destaca Alves.
Um impacto global e local
A invenção surge como uma resposta ao crescente problema global do descarte de plásticos. Segundo a ONU, embalagens plásticas representam 36% de todo o plástico produzido anualmente, e 85% desse volume é descartado de forma inadequada.
No Brasil, o cenário é igualmente preocupante: em 2022, foram geradas 13,7 milhões de toneladas de resíduos plásticos urbanos, segundo a Abrelpe. Embora iniciativas com bioplásticos já estejam em andamento no país, como em embalagens de cosméticos e cápsulas de café, ainda há desafios estruturais para a expansão desse mercado.
Cristiane Siqueira, especialista em engenharia de processos químicos e bioquímicos, aponta entraves como os custos elevados e a falta de infraestrutura para descarte adequado. “Embora o Brasil tenha potencial graças à abundância de matérias-primas, a falta de políticas públicas e incentivos limita o avanço em larga escala”, alerta.
O Brasil como protagonista
Apesar dos desafios, especialistas veem o Brasil como uma potência no desenvolvimento de soluções verdes. Leonardo Duarte, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), enfatiza a biodiversidade como diferencial.
“Cada região do Brasil pode explorar sua matéria-prima local para criar soluções específicas. Isso não só diversifica as pesquisas como também reforça nosso papel no cenário internacional”, diz Duarte, que já desenvolveu bioplásticos a partir de resina de babosa e amido de batata-doce.
A pesquisa da UFRJ também abre portas para aplicações em setores além do alimentício, como moda e saúde. “Estamos animados com as possibilidades. O bioplástico pode ser usado em próteses, filtros e até acessórios biodegradáveis”, prevê Tavares.
O futuro dos bioplásticos
Um estudo do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) da Unicamp, publicado na Nature, sugere que o Brasil pode substituir plásticos derivados do petróleo por bioplásticos até 2050, sem prejudicar o meio ambiente ou aumentar o desmatamento.
Hoje, os bioplásticos representam apenas 0,5% das mais de 400 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente. Contudo, a crescente demanda por soluções sustentáveis, impulsionada pela pressão de consumidores e mercados globais, promete alavancar o setor.
“A transição para materiais biodegradáveis exige investimento público e privado, mas também conscientização do consumidor”, destaca Siqueira. “O bioplástico pode ser mais do que uma alternativa ecológica: é uma oportunidade de transformar padrões de produção e consumo.”
A inovação da UFRJ não apenas oferece uma solução viável para o problema global dos resíduos plásticos, mas também posiciona o Brasil como líder na busca por tecnologias sustentáveis. Entre desafios e oportunidades, fica claro que o futuro da sustentabilidade pode estar mais próximo do que imaginamos – e ele começa com um simples gesto: substituir o plástico convencional por uma alternativa que respeite o planeta.
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