22/07/2024 - Edição 550

Meia Pala Bas

Quem vai curtir esse candidato?

Publicado em 12/05/2017 12:00 - Rodrigo Amém

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Mark Zuckerberg vai ser candidato à presidência dos EUA em 2020. Ele já disse para quem quiser ouvir que não, não vai. Ou seja, ao fazer uma coisa e dizer outra, o dono do Facebook já é, na prática, um político em campanha. Senão vejamos.

Tudo começou no natal de 2016, quando ele casualmente declarou no Facebook que não era mais ateu e que achava que "religião era muito importante". Assim, deixou de ser um inelegível filho de satanás para ser um presidenciável. Mas foi só o começo.

No dia 10 de janeiro, ele publicou a contratação de David Plouffe. Quem é esse cara? Apenas o coordenador da campanha eleitoral do Obama em 2008. Só pra garantir, também contratou Kenneth Mailman, responsável pela campanha de reeleição de George Bush em 2004.

Não é surpresa que Zuckerberg queira ser presidente. Depois que Trump e Dória baixaram o requisito de qualificação para ‘rico, famoso e fanfarrão’, até o Luciano Huck, cujo grande legado foi a introdução do sadomasoquismo adolescente em rede nacional nos anos 90, pensa nisso.

Zuckerberg também redesenhou a distribuição do controle acionário do Facebook para manter seu poder de voto, caso precise se ausentar do comando da empresa. Algo necessário se quiser ser candidato sem incorrer em conflito de interesses. Coisa que Trump não se dignou a fazer.

Ainda de acordo com sua página no Facebook, Zuckerberg e esposa saíram em turnê pelos Estados Unidos, num auto imposto desafio de visitar todos os Estados do país. Nada que possa ser chamado de presidenciável, não é? Uma coisa que todo bilionário faz, não é? Desbravar o interior, ficar perto do povo, comer linguiça em churrasco de igreja…

Olha só esse trecho de um post do cidadão de bem: "Eu almocei com líderes comunitários em Waxahachie que compartilham seu orgulho pela sua terra e seus sentimentos em um país dividido. Eu me encontrei com jovens mães no Oeste que voltaram para suas cidades natais porque queriam que seus filhos tivessem os mesmos valores que elas foram criadas. Eu me encontrei com ministros em Waco que estão ajudando suas congregações a acharem significados profundos em um mundo em transformação. Nós podemos ter diferentes origens, mas todos queremos achar autenticidade e propósito em algo maior que nós mesmos".

Além de falar igualzinho a um político em campanha, há um notável esforço para se posicionar como um anti-Trump. E não apenas por preferir o Facebook ao Twitter. Enquanto o presidente declara guerra à imprensa, Zuckerberg visita redações de jornais do interior e publica posts para "agradecer aos jornalistas que até colocam suas vidas em perigo para fazer a verdade vir à tona. Eu nem sempre concordo com tudo que vocês dizem, mas é assim que a democracia tem que funcionar."

Não é surpresa que Zuckerberg queira ser presidente. Depois que Trump e Dória baixaram o requisito de qualificação para "rico, famoso e fanfarrão", até o Dwayne The Rock Johnson anda sonhando em ser candidato. Até o Luciano Huck, cujo grande legado foi a introdução do sadomasoquismo adolescente em rede nacional nos anos 90, pensa nisso.

O que me surpreende é que tem gente que acha isso tudo uma grande ideia.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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