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Ponte Aérea
E mais, democracia resolve quando o próprio sistema foi sequestrado?
Publicado em 27/05/2026 4:48 - Raphael Tsavkko Garcia
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E a solução pro Rio virou deixar o estado sem governador – ou colocar alguém completamente de fora da política tradicional, sem grupo, sem padrinho, sem rabo preso.
Se o Brasil fosse um país minimamente sério, já teria gente nas universidades produzindo pilhas de estudos sobre a falência da democracia no RJ. Porque, no fim, a pergunta principal é: democracia resolve quando o próprio sistema foi sequestrado?
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E digo isso sendo alguém que acredita em democracia e a defende acima de tudo.
O problema é que, no Rio, o mecanismo de representação foi capturado há muito tempo por milícia, facção e elites econômicas que convivem em perfeita simbiose. Votar deixa de ser plenamente democrático quando territórios, campanhas, contratos e estruturas políticas passam a operar sob coerção, dependência ou medo. E fico só no Rio porque a situação é das mais óbvias, mas o Brasil como um todo não anda lá muito melhor.
Aí aparece gente dizendo “ué, mas democracia é isso mesmo”. Em parte, sim. Historicamente, democracia liberal sempre conviveu com oligarquias econômicas desde o fim do feudalismo. Só que o Rio levou isso pra outro nível: a fusão entre patrimonialismo, violência armada e máquina pública.
A milícia não é um desvio do sistema, mas uma faceta dele. Usa o Estado, controla território, vende “segurança”, cobra pedágio econômico e político, e se sustenta porque existe uma casta política alimentada por essa estrutura – no voto, na intimidação ou no clientelismo.
No fim, o RJ virou quase um laboratório extremo do que acontece quando o Estado deixa de mediar poder e passa a ser parte da disputa entre grupos armados e interesses privados. E como MENOS democracia acaba sendo a solução para salvar a própria democracia quando ela foi sequestrada.
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RAPHAEL TSAVKKO GARCIA
É jornalista, editor e Ph.D em Direitos Humanos pela Universidade de Deusto.
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