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O Som e a Fúria
O capitão deveria ter enterrado seu tesouro, como seus camaradas de saque
Publicado em 12/03/2023 10:58 - Felipe Chaves
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Era uma vez um pirata do século XXI. Não era um Barba Negra ou um Calico Jack, desses com olho de vidro e cara de mau (se bem que quem vê cara não vê coração). Em comum com esses personagens tinha o apreço pelas armas, pela tortura e pelos prazeres da vida mundana, mesmo que na sua bandeira os lemas fossem bastante contraditórios: “Deus acima de tudo” e “bandido bom é bandido morto”.
Pelo que se sabe, esse velho lobo do mar não tinha um navio, preferia circundar as costas marítimas montado em um jet ski. Possuía também uma tripulação bastante fiel e voluntariosa, capaz de defendê-lo a qualquer custo e sob qualquer circunstância. O grande mote do corsário era seu modus operandi, sabiamente não correu os riscos de saquear cidades ou embarcações para obter riquezas, mas decidiu adentrar o obscuro mundo da política. Ao longo de vinte e sete anos navegando pela vida pública, foi galgando cargos até se tornar Presidente da República.
A partir da tão sonhada nomeação, visitou inúmeros países, conheceu chefes de estado, que muitas vezes se esquivavam das fotografias ou dos apertos de mão. Por onde passava, ouvia em coro a palavra “genocida”, o que talvez encheria de orgulho os patifes do passado, mas provocavam um certo desconforto em seus atuais apoiadores.
Acontece que em um mundo tão globalizado existe sempre quem se identifica, ou gananciosamente se aproveita desse tipo de criatura. Em um desses encontros, com um príncipe das arábias, em uma longínqua terra, recebeu um colar de ouro branco, cravejado de diamantes, um par de brincos, um anel e um relógio, todos feitos de ouro e pedras preciosas, bens avaliados em R$ 16,5 milhões de reais, que causariam inveja a qualquer tratante dos mares revoltos.
Justamente nesse exato momento se foi a cadela com a cinta. Ficou com a responsabilidade do contrabando um militar de nome Marcos Aspone, que deveria adentrar em território nacional com o tesouro “mocozado” em uma mochila. Alguns desses itens “escaparam” dos olhos atentos da Receita, mas o conteúdo foi descoberto e apreendido pela fiscalização alfandegária.
Ao ser informado do infortúnio, e sabendo que seu mandato já estava na prorrogação, ficou definido que o Almirante Bento Papagaio de Pirata teria a responsabilidade de recuperar o “pacote”, nem que fosse por meio de “carteiraços” em todos que se opusessem.
Mas, a missão dada não foi cumprida.
Se repetisse seus antepassados, o corsário teria enterrado o tesouro dentro de um baú, em uma ilha ou em algum paraíso fiscal, feito um mapa com pontos de referências, com um x vermelho indicando a localização.
Felipe Chaves – Artista gaúcho, que deu início a sua caminhada como cantor e compositor, hoje dedicando- se também a crônicas, contos, poemas e declarações de amor e ódio.
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Adorei . Muito bem escrito. É a realidade.
Muito bom! Real e inacreditável! O desfecho em andamento!