25/02/2024 - Edição 525

O Som e a Fúria

Panis et circenses

Quando o mosquito do fanatismo futebolístico me picou?

Publicado em 13/12/2023 11:53 - Felipe Chaves

Divulgação Victor Barone - Midjourney

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Meu pai me levou ao estádio para assistir o Grêmio cedo, no tempo em que os rasantes dos pombos e dos quero-queros eram mais fascinantes para mim do que golaços e passes certeiros.

Quando o mosquito do fanatismo me picou? Eu não lembro, mas me tornei um legítimo torcedor, daqueles que coleciona camisetas e recortes de jornal. Prefiro ver um jogo do meu time no campeonato estadual do que uma enfadonha Champions League. Claro que houve altos e baixos pelo caminho, fui do céu ao inferno, da glória a tragédia, ser gremista tem dessas coisas, três libertadores e três rebaixamentos.

Aliás, eu e meu primo André fomos de carro de Porto Alegre até Buenos Aires, (parando em uma maravilhosa cidade turística chamada 33, no Uruguai, mas isso é outra história) para assistir à final entre Grêmio e Lanús; fomos também ao Rio de Janeiro… melhor deixar pra lá. O que acontece no Rio morre no Rio.

Tive o privilégio de ver, mesmo que brevemente, o Dener driblando adversários em nosso gramado, um time quase imbatível nos anos 90; o Ailton fazer o gol derradeiro contra a Portuguesa; o Ronaldinho surgir, encantar, sair (sem nos deixar um tostão) para ser o melhor jogador do mundo, e nos humilhar mais do que fez com o Dunga naquele episódio das caixas de som.

Lembrei de tudo isso porque o futebol entra em recesso no final do ano. Ficamos sem nosso ópio.

Sou obrigado a ler notícias que não são relacionadas ao mundo da bola, um encontro de extremistas da direita na posse do presidente argentino, guerras mundo afora, polarização aqui dentro, privatização da SABESP, o rompimento da mina da Braskem, em Maceió, mudanças climáticas.

Temos uma regra na minha casa, que é evitar ao máximo o uso de palavrões. Há apenas duas exceções: os jogos do Grêmio, ou quando batemos nossos mindinhos nas quinas da vida.

Que comece logo o Gauchão.

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Felipe Chaves


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Uma resposta para “Panis et circenses”

  1. Lucia Maria knebel disse:

    Adorei ❤️ maravilhoso

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