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Ágora Digital

Moderados e extremistas

Disputa pela Prefeitura de Campo Grande ecoa confronto entre direita medieval e direita moderada: como nos Estados Unidos e em Brasília

Publicado em 16/10/2024 12:11 - Victor Barone

Divulgação Victor Barone - Midjourney

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A direita brasileira deu uma demonstração de força no primeiro turno das eleições municipais deste ano em todo o país, mas também mostrou que está dividida: há uma direita democrática, responsável e propensa ao diálogo, e uma extrema-direita avessa a tudo isso, apoiada por uma fatia da população que não sabe, ainda, diferenciar uma coisa da outra.

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Recente pesquisa do DataSenado revela que, em Mato Grosso do Sul, 38% da população não se alinha a nenhum espectro político — seja esquerda, direita ou centro. Do total, 31% se declaram de direita, 16% de esquerda e 8% de centro. Se somado ao número de eleitores de centro, o eleitorado que rejeita a polarização política em MS chega a 46%. Esse cenário reflete a tendência nacional: no Brasil, 29% dos eleitores se consideram de direita, enquanto 15% afirmaram ser de esquerda e 11% se disseram de centro. A maioria, 40%, não se identifica com nenhum posicionamento político extremado.

Esta maioria, não está propensa a embarcar em uma aventura ideológica, mas quer ver os problemas do dia a dia solucionados por uma gestora que tenha capacidade de diálogo e visão de futuro.

Campo Grande tem duas candidatas de direita no segundo turno, como ocorre em outras cidades país afora. De um lado, a prefeita Adriane Lopes (PP) reúne as credenciais de uma extrema direita que aposta no pouco caso à questão ambiental, na intolerância religiosa e em uma visão medieval da pauta de costumes. De outro lado, Rose Modesto (União Brasil) circula pelos campos da direita e da centro-direita, se colocando como uma opção moderada, embora alinhada com os valores da família e do livre mercado.

Adriane tem o apoio do bolsonarismo raiz e de uma direita pouco propensa a ouvir a ciência, a respeitar o meio-ambiente e a diferença. Rose, por sua vez, apresenta um leque de alianças alicerçado na centro-direita e em seus valores mais caros, sem perder a capacidade de dialogar com a diferença e de manter um olhar mais atencioso para questões que são caras para todo o conjunto da sociedade.

Assim como vemos em nível nacional, a disputa pela Prefeitura de Campo Grande reflete o embate entre duas direitas: uma que, apesar de suas diferenças com a esquerda, se mantém no campo civilizado e democrático, e outra que flerta com o autoritarismo e o discurso de ódio. Tal qual em Brasília, Campo Grande parece ser palco de um confronto entre aqueles que buscam uma política que valorize as instituições e o diálogo, e aqueles que preferem a retórica do caos e da desinformação.

A disputa em Campo Grande também ecoa, em certa medida, o que ocorre nos Estados Unidos. Lá, a direita moderada, representada pelo Partido Democrata, mantém um discurso pró-mercado e liberal, mas ainda respeita as instituições democráticas e os direitos civis. Já o Partido Republicano, hoje dominado por uma ala extremista, abraça teorias conspiratórias, xenofobia, racismo, terraplanismo e outras pautas que, por vezes, se assemelham às da ultradireita que tenta se consolidar na política municipal de Campo Grande.

Portanto, a partir deste ponto de vista, a candidatura de Adriane Lopes pode ser vista como um risco em um cenário onde o eleitorado busca moderação. Rose Modesto, ao se posicionar como uma direita mais flexível, pode captar a fatia do eleitorado que rejeita a polarização extrema. A moderação política não é apenas uma estratégia eleitoral, mas uma resposta necessária à demanda crescente por governantes que ofereçam estabilidade e resultados concretos.

Em um momento em que o eleitor espera resultados imediatos de seus governantes em relação a problemas cruciais, como saúde, educação, meio ambiente, segurança pública, habitação, infraestrutura e etc, uma direita mais “inteligente” pode ser um fator importante na definição do voto. A radicalização ideológica não resolve os problemas do cidadão.

VICTOR BARONE

É jornalista, poeta, professor e Mestre em Comunicação pela UFMS. É editor da Semana On desde a sua fundação. 

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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